A camisa da imagem acima foi usada como uniforme reserva do Grêmio no final da década de 1940, início da década de 1950. Na imagem abaixo podemos ver (com alguma dificuldade é verdade) o tricolor usando esse fardamento numa partida contra o Cruzeiro de Porto Alegre, pelo Torneio Extrade 1950, no estádio do Renner.
Um detalhe curioso é que essa combinação de uniformes não será repetida hoje a noite em Gravataí, uma vez que o Cruzeirinho não mais usa sua tradicional camisa listrada desde passou a ter seu material esportivo fornecido pela Adidas
Grêmio 4x3 Cruzeiro
GRÊMIO: Sérgio; Hugo e Johni; Ario, Sarará (Verardi) e Heitor; Balejo, Hermes, Apis (Clori), Sano e Ariovaldo "Detefon".
CRUZEIRO: Borracha (Edir); Carrion e Zé Moreno; Laerte II, Garcia e Sidnei; Teotonio, Nardo (Castrinho), Joelci (Maninho), Alvim e Bruxo
Torneito Extra 1950 Data: 4 de maio de 1950, quinta-feira Local:Estádio Tiradentes, em Porto Alegre-RS Renda: Cr$ 24.127,00 Juiz: C.J. Barrick Gols: Bruxo aos 3 minutos e Balejo aos 6 minutos do primeiro tempo; Hermes aos 18 minutos, Bruxo aos 21 minutos, Balejo aos 23 minutos, Hermes aos 28 minutos e Joelci aos 34 minutos do segundo tempo
Como podemos ver na crônica do Correio do Povo, o juiz da partida foi bastante elogiado. Mister C.J. Barrick passou a apitar no Rio Grande do Sul depois que a Federação Gaúcha resolveu contratar árbitros ingleses para amenizar as reclamações feitas pelos seus filiados. Mr. Barrick marcou época em Porto Alegre, sendo citado nas memórias futebolísticas de L.F Verissimo e tendo recebido uma emocionada despedida em setembro de 1950.
Equipe Juvenil do Grêmio em 1948: Nereu, Orlando, Remo, Cauduro, Paulista, Peracchi, Danilo, Yrco, Sano, Avião e Cloir
Ao que tudo indica o Grêmio só foi implantar a numeração juntamente com o primeiro mundial disputado em solo brasileiro. Em imagens de setembro de 1949 vemos o time usando o fardamento tricolor sem qualquer número aparente. Já no ano seguinte, podemos ver claramente (na foto acima) o número 3 estampado na camisa do zagueiro Joni, que disputa a bola com o camisa 11 Medina, na vitória de 5x1 do Grêmio sobre o Renner. Também aparecem no lance o goleiro Fassina e Heitor.
Em 2008, fiz um post explicando melhor o contexto daquele Flamengo 1x3 Grêmio, disputado poucos meses após o Maracanazo. Num comentário, o Hassin Nundah, acrescentou a seguinte informação:
"Um fato triste, que não foi mencionado: Gita era um craque em ascenção. O ala esquerda do Flamengo, Bigode, o mesmo que "entregou" a Copa de 50, não suportou o "baile" que começava a levar do jogador gremista e quebrou sua perna (era um jogador extremamente violento e desleal). Gita nunca mais voltou a jogar em alto nível. Ainda jogou no Grêmio por algum tempo, tendo marcado o gol da vitória tricolor em um Gre-Nal, em 1952. Acabou voltando para sua terra natal (Uruguaiana) e encerrou sua carreira ( se não me falha a memória) no Sá Viana, após casar-se com a filha de um fazendeiro."
Pois bem, fui atrás da reportagem do Jornal do Brasil sobre o jogo, e lá consta o relato do lance referido, bem como críticas a arbitragem e a um gol do Grêmio supostamente mal anulado
Segue abaixo a matéria:
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"O “MATCH”FLAMENGO X GRÊMIO PORTOALEGRENSE
VITÓRIA DO “TEAM”GAÚCHO
Realizou-se anteontem no estádio do Maracanã a partida interestadual entre a as equipes do C.R. do Flamengo e a do Grêmio Portoalegrense.
Começado o jogo as duas equipes se equilibraram como que procurando uma conhecer a força da outra. Durante os primeiros 10 minutos ambos jogaram com firmeza, um pouco melhor e mais agressiva a do Flamengo.
Contudo aos poucos os gaúchos os gaúchos foram se firmando no gramado e passaram a desenvolver melhor jogo e foram aumentando a pressão até que Geada, aos 23 minutos abriu a contagem assinalando o 1º goal do Grêmio.
Continuando a jogar melhor os gaúchos assinalam um goal feito por Gita e o juiz anula por impedimento, provocando vaias de protestos. Pouco depois Bigode entra bruscamente em Gita prostrando-o (?) gravemente contundido. O jogador gaúcho foi retirado de campo para não mais voltar.
Aos 40 minutos Hermes, de cabeça, assinala o início tento do Flamengo. Dois minutos mais tarde Juvenal segura a pelota com a mão na área fatal ordenando o juiz correspondente “penalty kick” que Clory bateu para conquistar o segundo goal do Grêmio.
O jogo termina logo após com a contagem de 2x1 a favor do Grêmio.
Recomeçada a peleja depois do descanso de praxe, os do Flamengo apresentaram melhoria e procuraram o empate sem resultado positivo. Os rapazes do Grêmio se defendem bem e em pouco tempo voltaram a se movimentar melhor que seus contendores.
O jogo caminhava para o seu término e quando se supunha que o marcador não mais seria movimentado, Balejo aninhou a pelota nas redes do Flamengo, registrando o 3 º e último ponto do Grêmio.
E com justa vitória do quadro visitante terminou o jogo com o score de 3x1.
O juiz foi Mr.Dykes cuja atuação deixou a desejar.
Os dois quadros disputantes foram os seguintes:
Grêmio – Sergio, Clarel e Jonhy; Hugo, Sarará e Heitor; Balejo, Gita (Clory e depois Dirceu) Geada, Pedrinho e Gorrion.
Flamengo – Claudio (Garcia); Gago (Osvaldo) e Juvenal; Nélio, Dequinha e Bigode; Harry, Hermes, Washington, Helio e Esquerdinha."
Da imagem do jornal, fiquei com alguma dificuldade de decifrar qual seria a palavra entre "Gita" e "gravemente".
Ainda, achei sensacional a descrição do terceiro gol, mencionado que "Balejo ANINHOU a pelota nas redes do Flamengo". Talvez eu passe a usar esse termo aqui no blog.
em 20 de julho de 2010 o leitor Rodrigo Núñez de Nunes fez o seguinte comentário:
Obrigado pela menção que fez ao meu avô. A história do Gita está correta até a parte que fala que ele marcou o gol da vitória contra o Internacional em um gre-nal em 52. Mas a sua terra natal não é Uruguaiana e sim Arroio Grande**, mas antes de voltar para Arroio Grande, encerrou sua carreira no G. E. Brasil (time da cidade de Pelotas-RS). E ele casou-se com Heloísa das Nevez Núñez, filha de um sapateiro. Mesmo assim, obrigado! ** aí vai um link do ginásio municipal de Arroio Grande, que foi batizado com o nome pelo qual ele era popularmente chamado