Mostrando postagens com marcador 1960. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 1960. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, setembro 23, 2015

Taça Brasil 1960 - Fluminense 1x1 Grêmio

Clóvis afasta a bola enquanto Pinheiro e Marino observam 


O primeiro confronto entre Fluminense e Grêmio no Maracanã ocorreu no dia 21 de Outubro de 1960, valendo como partida de desempate nas quartas de final da Taça Brasil daquele ano. 

No primeiro jogo, no Olímpico, o Grêmio venceu com um gol de Elton. Na partida de volta, o Fluminense venceu por 4x2 nas Laranjeiras, onde, reza a lenda, o gramado teria tido suas dimensões reduzidas por ordem do técnico Zezé Moreira, visando que o melhor preparo físico da equipe gremista não prevalecesse.


Jogando de branco, o Fluminense saiu na frente logo aos 4 minutos, com um gol de Jair Francisco. O Grêmio chegou ao empate aos 33 minutos do segundo tempo, em um pênalti sofrido por Milton e convertido por Elton. O jogo foi pra prorrogação, na qual o Fluminense jogava pelo empate em função de ter melhor saldo de gols (na época chamado de goal-average) nos jogos anteriores.

Um fato pitoresco na partida foi a postura de Zezé Moreira,  técnico do Fluminense. Ao final dos 90 minutos ele invadiu o gramado para ofender e agredir ("deu um pontapé nas nádegas" segundo o Jornal do Brasil) o juiz Olten Aires de Abreu. Não fosse isso suficiente, o ex-treinador da seleção brasileira ainda "investiu" contra o fotógrafo do Correio do Povo José Abraham, o Espanhol. O curioso é que a Folha Esportiva de Porto Alegre afirma que Zezé foi autuado em flagrante, tendo que pagar fiança para  ir pra casa enquanto o Jornal do Brasil afirma que o técnico apenas teve que pedir desculpas ao árbitro nos vestiários. Ainda, o jornal gaúcho afirma que o juiz deixou de dar um pênalti para o Grêmio enquanto o periódico carioca nada registrou sobre o tema.


Vieira cercado por Edmilson, Jair Marinho e Pinheiro.

 O técnico Foguinho tentou ingressar no campo para ajudar o fotógrafo José Abraham, mas foi contido por Ortunho e pelo dirigente Hamilton Braga.



Fontes: Folha Esportiva, Jornal do Brasil e Jornalheiros

Fluminense 1x1 Grêmio

FLUMINENSE: Castilho; Jair Marinho, Pinheiro, Clóvis e Altair; Edmílson e Paulinho; Maurinho, Waldo, Jair Francisco e Escurinho. 
Técnico: Zezé Moreira

GRÊMIO: Suli; Figueiró, Aírton, Ênio Rodrigues e Ortunho; Élton e Mílton Kuelle; Vieira, Marino, Gessi e Jurandir (Juarez)
Técnico: Foguinho

Taça Brasil 1960, quartas-de-final, decisão da Zona Sul
Local: Maracanã (Rio de Janeiro)
Público: 26.631 pagantes
Renda: Cr$ 1.119.961,00.
Árbitro: Olten Aires de Abreu (SP).
Auxiliares: Antônio Viug e Clinamute Vieira França.
Gols: Jair Francisco, aos 4 do primeiro tempo e  Élton (de pênalti) aos 33 do primeiro tempo/2T).


domingo, fevereiro 20, 2011

O Cruzeirinho é perigoso


O futebol repete ensinamentos ao longo da história. A lição revista nesse fim de semana é a de que o Cruzeirinho é um time perigoso, especialmente contra os grandes da capital.

O Grêmio passou por isso no Gauchão de 1960, quando foi surpreendido pelo estrelado em pleno Estádio Olímpico. 3x1 para o Cruzeiro.

Abaixo a matéria da Folha da Tarde sobre o jogo:



Fazia tanto tempo que o Grêmio não era vencido em jogos pelo certame local que o público já andava esquecido de que isso podia acontecer... O estupor da derrota parece ter atingido em cheio os meios esportivos. E os não esportivos também!

- Que vergonha! - ouve-se exclamar a dona da casa que apenas dá uma espiada no jogo pela televisão.

Depois de 12 partidas sem um empate sequer, dobrando o primeiro turno sem pontos perdidos, chegando assim quase no final do segundo, todo o mundo estava desacostumado com insucesso tricolor. Seria uma coisa anormal uma derrota do Grêmio.

Realmente, o clube do Olímpico trabalhando dentro de uma orientação mais do que acertada havia reunido elementos para que isso acontecesse. Depois de ganhar quatro campeonatos seguidos, tratara de corrigir as posições falhas, com a conquista de reforços como Suli, Marinho, etc, enquanto desenvolvia esforço para manter Aírton.

Agora, já próximo do fim da temporada, repete o esforço hercúleo e mantém em seu plantel Gessi e Elton, dando-lhes até automóvel para aplainar as dificuldades de uma reforma de compromisso.

Bem, assim é a vida, e esta formidável esquadra cai derrotada ante a "Fera do Velho Mundo" que já havia feito esquecer até a ferocidade dos seus rugidos que se fizeram ouvir no alvorecer do campeonato.

Como teria feita o Cruzeiro (a agora todos vão querer a fórmula!) para derrotar o Grêmio? Qual teria sido a misteriosa "chave"?

Responderemos simplesmente que não houve nenhuma chave misteriosa, nem "despacho", nem "feitiço", nada, nada deste jaaz.

Simplesmente, um Cruzeiro o football mais tradicional e despido de artifícios do mundo, procurando fazer a pelota rolar sobre a grama que este é o seu verdadeiro "habitat", e procurando assim envolver bater a defensiva inimiga.

E o que aconteceu em particular na primeira etapa foi isso. Caiu envolvida a retaguarda do clube do Olímpico, com Enio Rodrigues e Airton, e também Figueiró, sendo superados um instante sobre o outro pelos contendores.

Apenas sobrava Ortunho, multiplicando-se para conter Tesourinha, e procurando corrigir as situações criadas pelo três outros companheirosn de defensiva.

E foi assim que se estabeleceu a superioridade estrelada. Primeiro com o goal de Raul Tagliari, oriundo de uma jogada em que Figueiró foi claramente batido. Depois, com Airton contra aos 24 minutos, pouco depois do empate de Marino.

E finalmente. com o terceiro tento conquistado em plena segunda fase, quando a equipe gremista, nervos tentos buscava desesperadamente o empate. Lutava, conseguia estabelecer-se no campo estrelado, mas descia desordenamente, atiando de todas as distâncias e maneiras, e propicinado ao arqueiro Picasso a oportunidade para se redimir plenamento do insucesso no lance do goal gremista (que que foi culpado) até se tornar figura de proa na vitória de sua esquadra.

[...]

Finalmente o juiz. Laje Filho. A esta altura não seria mais necessário dizer nada, que o leitor já entende, quando a gente diz que o juiz foi Laje filho, que algo de errado andou acontecendo. Andou mesmo. Inverte faltas, engana-se, engana-se de novo, etc... Deixou de dar um penalty claríssimo de Nene sobre Marino. Poderia ter pegado bola na mão do lance de Carazinho, que os tricolores também pedem penalty. Mas, seus "enganos", são sempre clamorosos. Foi um mau juiz no Gre-Cruz de ontem.