"Lairton perdeu este lance embora acompanhado de perto por Catarina. Telefoto CJCJ"
Folha da Tarde - 26 de Outubro de 1972"
O primeiro confronto da história entre CRB e Grêmio aconteceu em Maceió pelo Brasileirão de 1972. O tricolor conseguiu um vitória por 2x0, mas segundo reportagem da Folha da Tarde, a partida foi uma "pelada" e o "Grêmio perdeu uma chance de golear".
A curiosidade é que Ivo Wortmann, atual auxiliar técnico do Grêmio, atuou naquela partida, ingressando no lugar de Negreiros no intervalo.
CRB 0x2 Grêmio
CRB: Vermelho; Galo Preto, Djalma Sales, Dodó (Edevaldo) e Ademir; Roberto Menezes e Zequinha (Canavieira); Mano, Edson Trombada, Alves e Silva
Técnico: Danilo Alvim
GRÊMIO: Jair; Everaldo, Ancheta, Beto e Jorge Tabajara; Jadir e Negreiros (Ivo Wortmann); Catarina, Oberti (Helenilton), Lairton e Loivo
Técnico: Daltro Menezes
Brasileirão 1972 - 1ª Fase - 14ª Rodada
Data: 25 de Outubro de 1972, quarta-feira Local: Estádio Rei Pelé, em Maceió-AL Público: 8.475 Renda: Cr$ 43.594,00 Árbitro: Joaquim Gonçalves Auxiliares: Claudionor Tenório e Luís Digerson Gols: Lairton, aos 34 minutos do primeiro tempo e Lairton aos 45 minutos do segundo tempo
O primeiro confronto entre Grêmio e Newell´s Old Boys em Porto Alegre aconteceu em fevereiro de 1972. Foi primeiro de uma série de dois amistosos de início de temporada, e a grande atração da primeira noite era a estreia do argentino Oberti (que se tornaria o estrangeiro com maior número de gols com a camisa tricolor) vindo justamente da clube rosarino.
O placar foi de 1x1. Caio, convertendo um pênalti "que não existiu" (conforme relata a reportagem da Folha da Tarde), colocou o Grêmio em vantagem e já no final da partida o lateral direito Rebotaro empatou para os visitantes (num gol que teria sido inclusive aplaudido pela torcida presente no Olímpico naquela noite)
OTTO GLÓRIA: "Gostei bastante do time no primeiro tempo, mas no segundo o pessoal cansou com o toque de bola do Newell´s. Os argentinos estão treinando há mais tempo do que nós e correram mais é claro. Se houvesse vencedor nesta partida teria que ser o Grêmio, porque atacou muito mais. Só faltou um pouco mais de acerto nos chutes, o que é preciso melhorar nas próximas partidas. Desta noite, só não gostei da renda muito fraca, num dia de semana em que o pessoal está cansado ou de féria na praia." (Folha da Tarde 9 de fevereiro de 1972)
MIGUEL ANTONIO JUÁREZ: "Pelo pouco tempo que estamos treinando estou satisfeito com o Newell´s. Ainda mais que enfrentamos este grande time, Grêmio, de muita categoria."
"Oberti estreou gordo e fora de forma. Mas foi bem
Alfredo Oberti provou que poderá ser um novo ídolo do Grêmio. Toca bem a bola, sabe chutar e quase marcou dois gols. Foi excesso de preocupação, confessou." (Folha da Tarde 9 de fevereiro de 1972)
"O grande medo secreto dos gremistas acabou ontem à noite. Oberti não é um novo Oyarbide. O Aparício já tinha falado das qualidades do rapaz, mas vá convencer gremista, vá.
Em duas jogadas Oberti mostrou que é um homem de gol, com muita habilidade, que não teme as jogadas violentas e que também tem visão dos acontecimentos da área. Deu um passe para o Flecha na Zona da Agrião que valeu a pena." (José Antônio Pinheiro Machado - Folha da Tarde 9 de fevereiro de 1972)
"Para um time (segundo seu treinador) que reiniciou há oito dias, o Newell´s Olde Boys foi bem, ontem, no Olímpico. Possui um excelente arqueiro, Vargas, uma zaga de primeiríssima, Jara e Salorsano e dois avantes muito movediços e hábeis, Silva no miolo e Mendonza na esquerda. A meia cancha é que trabalhou sem destaque, porque seus homens jamais se somam ao ataque: Agem numa pequena faixa no centro do campo e ficam por ali...
Esse time enfrentou bem ao Grêmio, dentro de um estilo sóbrio, mas seguro. O tricolor foi sempre mais insistente mas não soube criar jogadas finalizadoras nem explorar bem a Flecha, que teve em Garrido um marcador que sempre o deixou só no início dos lances." (Cid Pinheiro Cabral - Folha da Tarde 9 de fevereiro de 1972)
Fotos: Folha da Tarde Grêmio 1x1 Newell's Old Boys
GRÊMIO: Jair; Valdir Espinosa, Ancheta, Beto e Domingos; Torino e Gaspar (Jadir); Flecha, Oberti (Caio), Bira e Loivo Técnico: Otto Glória
NEWELL´S: Vargas; Rebotaro, Jara, Solorzano e Garrido; Montes e Zanabria (Volpi); Santamaria, Silva, Caceres (Berta) e Mendoza Técnico: Miguel Antonio Juárez
Amistoso Data: 8 de fevereiro de 1972 Local: Estádio Olímpico em Porto Alegre-RS Renda: Cr$ 50.027,00 Juiz: Agomar Martins Auxiliares: Justiniano Goulart e João Mendes Gols: Caio (de pênalti) para o Grêmio e Rebotaro para o N.O.B
É uma variação interessante em relação ao uniforme reserva usado na década de 1960. As listras do peito ganham uma nova disposição e as listras da manga ficam um pouco acima da barra.
Há 40 anos, Grêmio e Cruzeiro se enfrentaram pela 12ª Rodada do Campeonato Brasileiro de 1972. O jogo terminou empatado em 1x1, com gols de Lima para os visitantes e Oberti para o tricolor. Mas o dia 18 de outubro de 1972 entrou para história do futebol não por esses gols, e sim pelo soco que Everaldo acertou no juiz Jose Favile Neto.
Everaldo não vivia um bom momento. Poucos meses antes ele havia sido inexplicavelmente deixado de fora da seleção brasileira por Zagallo (o que motivou o épico 3x3 com a seleção Gaúcha no Beira-Rio). Já Grêmio e Cruzeiro estavam bem no campeonato nacional e faziam uma partida bem disputada no Olímpico.
Aos 25 minutos, Everaldo reclamou do juiz e foi duramente advertido com o cartão amarelo. Aos 32 minutos, Palhinha arrancou em velocidade, ingressou na área, foi desarmado na bola por Beto Bacamarte e caiu no chão. José Favile Neto apitou e enquanto corria para a marca do pênalti recebeu um soco de Everaldo, que atingiu em cheio o seu olho.
Everaldo deixou o gramado sem olhar para trás. Depois de ser prestado o devido atendimento médico ao árbitro o jogo continuou, o Cruzeiro converteu o pênalti e o Grêmio conseguiu o gol de empate ainda no primeiro tempo.
Passado alguns dias Everaldo deu algumas explicações e anunciou que renunciaria ao prêmio "Belfort Duarte". Todo o episódio provocou um rápido debate sobre a maratona de jogos, sobre a ruindade da arbitragem e sobre a maneira autoritária que os juízes buscam validar essa ruindade. Um debate que, infelizmente, segue atual.
"Quando um jogador como o lateral do Grêmio, modelo de correção e disciplina na sua carreira de atleta, chega ao ponto de mandar o braço na cara do juiz, alguma coisa deve estar errada! É muito mais lógico a gente procurar a origem da atitude do atleta exemplar como o Everaldo, do que a punição pura e simples de um crime de que ele não é o unico autor" (João Saldanha - Zero Hora)
"Aos 25 minutos do primeiro tempo de Grêmio e Cruzeiro, Everaldo reclamou da marcação de José Favile Neto. O juiz não gostou, se irritou demais e acabou fazendo um grande cena para advertí-lo, apresentando uma nova tática ao puxar os cartões vermelho e amarelo ao mesmo tempo. Como o vermelho aparece muito mais, Everaldo levou um susto, pensando que Favile tinha lhe expulso" (Folha da Tarde - 19 de outubro de 1972)
Grêmio 1x1 Cruzeiro
GRÊMIO: Jair; Everaldo, Ancheta, Beto Bacamarte e Jorge Tabajara; Jadir e Ivo Wortmann; Buião (Renato Cogo), Oberti, Lairton e Loivo
Técnico: Daltro Menezes
CRUZEIRO: Hélio; Lauro, Darci Menezes, Fontana e Vanderelei; Piazza (Rinaldo) e Zé Carlos; Eduardo Amorim (Misael), Roberto Batata, Palhinha e Lima.
Técnico: Hilton Chaves
12ª Rodada -1ª Fase - Campeonato Brasileiro 1972
Data: 18 de outubro de 1972 Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS Público: 23.667 pagantes Renda: Cr$ 147.548,00 Árbitro: José Favile Neto Auxiliares: Jeferson de Freitas e Airton Bernardoni Cartões Vermelhos: Everaldo e Fontana Gols: Lima (pênalti) aos 41 minutos do primeiro tempo e Oberti, aos 47 minutos do 1º tempo
Interessante esse anúncio de venda de cadeiras cativas no ginásio do Grêmio publicado em outubro de 1972.
Curioso é que o local ainda era chamado de "Ginásio Olímpico", tendo recebido posteriormente o nome do presidente David Gusmão e que o endereço do clube ainda não era o "Largo dos Campeões"