Um zagueiro tentando (e não conseguindo) tirar uma bola de letra é bem representativo do estado anímico que o Grêmio entrou em campo nesse Gre-Nal.
É claro que não poderíamos reduzir a explicação do resultado somente pelo maior vontade do Inter, mais me parece que muito da vitória colorada passa por aí, uma vez que o time de Argel foi sim superior, errou menos e criou mais, mas não teve uma imposição técnica e nem submeteu o time do Grêmio a um nó tático.
Uma pena que o Grêmio tenha decidido abrir mão de suas características justo no clássico. O time de Roger não procurou valorizar a posse de bola, não teve movimentação intensa dos homens de frente e não mostrou compactação entre suas linhas. Se via um grande espaço entre os meias e os volantes, e nesse espaço o Inter tinha tempo de sobra pra jogar. O tricolor só foi conseguir controlar as ações após tomar o gol, quando o técnico Argel empilhou volantes no seu time, trazendo o Grêmio para perto da sua área.
Mas não é justo tirar somente um atleta para Cristo quando o time foi mal coletivamente. Foi um pouco irritante notar a diferença da postura de atletas como Luan e Pedro Rocha (que se apresentavam pro jogo) em relação a outros como Giuliano e Douglas (que pareciam mais inertes).
Todo treinador precisa de suporte do seu entorno. Roger, por melhor que seja, não pode fazer tudo sozinho. Hoje no Grêmio ele é a única pessoa que fala sobre futebol (aqui entendido como é que acontece dentro das quatro linhas).
O jogo começou com uma certa pressão do Grêmio, mas não resultou em nenhuma grande opurtunidade. Na primeira "escapada" do Inter, D´alessandro cavou uma falta inexistente. Longe de ser um escandâlo, mas foi o primeiro de uma série de "equívocos" de Evandro Rogério Roman. Na cobrança, a bola é levantada da intermediária, a zaga do Grêmio corta, mas corta mal, e D´alessandro pega o rebote na entrada da área (ninguém do Grêmio por ali, erro de posicionamento) e acerta um belo voleio para abrir o placar.
O Grêmio não sentiou o golpe e foi para cima. Após tentativa de linha de impedimento mal executada pelo Inter, Pereira escorou de cabeça e Orteman cabeceou na trave, na sobre Leo chutou para fora (Um gol que não dava pra perder). O Inter respondeu em um rebote pego por Guiñazu, que chutou cruzado e com perigo.
Aos 18, Pico pega a sobra dentro da área gremista, com um toque sai jogando com Tcheco, que da intermediária defensiva arranca, passa por Edinho na velocidade. Ameaça abir na ponta com Pico, ganha espaço, ajeita-se e chuta, Bolívar se vira e Clemer não alcança. Partida empatada, e a perspectiva da continuidade de um bom jogo.
Mas Evandro Rogério Roman decidiu estragar tudo. Aos 28 deu toque de mão num lance em que Pico dominou a bola no peito. Mesmo que a bola tivesse tocado a sua mão, Pico não fez isso com intenção. Mas vamos ver o que diz a regra:
"REGRA 12 – FALTAS E INCORREÇÕES Um tiro livre direto também é concedido à equipe adversária se um jogador comete uma das seguintes quatro faltas: · toca na bola com as mãos deliberadamente (exceto o goleiro dentro de sua própria área penal)" Roman parolizou o jogo, e conversava com Pico, provavelmente explicando sua absurda marcação. Com o juiz de costas, Guiñazu jogou a bola no chão e D´alessandro chutou ela rolando, servindo Alex que mandou para o gol. Imaginava-se que o juiz apitaria, mandando voltar a jogada, e advertindo os jogadores colorados. Mas não, inexplicavelmente o juiz validou o gol ilegal.
"REGRA 13 – TIROS LIVRES Tipos de tiros livres Os tiros livres são diretos ou indiretos. Tanto para os tiros livres diretos como para os indiretos, a bola deve estar imóvel quando o tiro é executado e o executor não toca na bola pela segunda vez, até que essa toque em outro jogador."
Ainda:
Posição do tiro livre Tiro livre fora da área penal: o tiro livre é executado do lugar onde ocorreu a infração
O Grêmio sentiu golpe (dado por Evandro Rogério Roman). Não se recuperou e não voltou mais para a disputa para partida. Levou dois gols em cruzamentos, em erros defensivos clamorosos.
Aos 45, Edinho derruba Tcheco e pisa em cima do jogador gremista na queda. Tcheco reclama, mas não faz muito mais além disso. Uma confusão se segue, sem nada além de leves empurrões e atuação da turma do deixa disso.
Terminada a confusão, o Juiz expulsa o pior jogador do Inter por agressão, mas também expulsa o capitão do Grêmio por ter sido agredido.
Pouca coisa acontece no segundo tempo, O Inter trata de administrar, e consegue.
Registra-se ainda o Pênalti em Marcel cometido por Clemer, que como não poderia deixar de ser, não foi marcado.
Talvez o Grêmio tenha merecido mesmo a derrota. As falhas defensivas em 3 dos gols são imperdoáveis. Alex e D´alessandro tiveram uma movimentação interessante somadas as suas boas atuações individuais. Mas todas essas análises são prejudicadas pela terrível atuação do juiz. O segundo gol colorado, ilegal, acabou por definir o rumo do jogo, e a absurda expulsão de Tcheco acabou por sepultar qualquer chance de reação gremista.
Perder, ganhar, ter sorte, ter azar,jogar bem e jogar mal, tudo isso faz parte do jogo. O que não dá pra aceitar é arbitragem determinando o resultado. E feitas todas as ressalvas,foi isso que aconteceu, mais uma vez.
É curioso, no mínimo curioso, ver o clássico paulista entre Santos e Portguesa sendo apitado por um árbitro da federação paulista (PAULO CESAR OLIVEIRA/SP). Também é curioso ver o clássico carioca entre Botafogo e Fluminense ser apitado por um árbitro da federação carioca (PERICLES BASSOLS PEGADO CORTEZ/RJ). A lógica, seguindo critérios era termos um árbitro da federação gaúcha apitando o clássico gáucho. Mas isso não aconteceu, por razões que não sabemos. (Ou sabemos e preferimos não acreditar).
Faltas puníveis com advertência: Um jogador é advertido e recebe o cartão amarelo se comete uma das seguintes sete faltas: 3. infringe persistentemente as Regras do Jogo
Aparantemente tal texto não se aplica a Guiñazu. "trezentas" faltinhas cometidas (pra ser exato, fez 6 das 19 faltas cometidas pelo Inter) e nem sinal de advertência. Estranho o critério para amarelos dados por Roman.
Claro que não dá pra fazer de conta que nada aconteceu, A derrota foi ruim, há de se entender as razões dela e fazer as correções necessárias. Mas também é hora de lamber as feridas, erguer a cabeça, lembrar exemplos, como em 2007, quando o campeão São Paulo perdeu para o rebaixado Corinthians.
Lembrar também que o Grêmio divide a ponta do tabela com o Palmeiras (perdendo o 1ºlugar nos critérios de desempate), e que temos uma boa seqüência nas próximas 4 rodadas, com um forte perspectiva de se retomar a liderança isolada.
Talvez eles sejam tão ruins como os demais, e eu esteja pegando no pé deles pelo coloradismo dos mesmos, mas acho que dá pra merecer coisa melhor do que ter que aguentar Paulo Britto e o Batista falando por 15 minutos sobre uma impossível "quarta substituição" pelo time do Grêmio. Ou ouvir o comentarista de arbitragem da Gáucha falar que o lance entre Tcheco e Edinho "generalizou" uma confusão no gramado.
Fotos: ClicRBS e Grêmio.net Internacional 4 x 1 Grêmio D´alessandro 4´ Tcheco 18´ Alex 28´ Índio 39´ Nilmar 45´
INTERNACIONAL: Clemer; Ângelo (Danny Morais, 38'/2ºT), Indio, Bolívar e Gustavo Nery; Edinho, Magrão, Guiñazú e D’Alessandro (Taison 34/2ºT); Alex e Nilmar (Adriano, 44'/2ºT).Técnico: Tite GRÊMIO: Victor; Leo, Pereira (Jean,11'/1ºT) e Réver; Paulo Sérgio (Souza, intervalo), Rafael Carioca, Orteman, Tcheco e Anderson Pico; Perea (William Magrão, intervalo) e Marcel.Técnico: Celso Roth 27ª Rodada - Campeonato Brasileiro 2008Data: 28/09/2008, domingo, 18h10minEstádio: Beira-Rio, Porto Alegre (RS)Público: 42.590 (37.388 pagantes)Renda: R$ 718.200,00Árbitro: Evandro Rogério Roman (PR)Auxiliares: Roberto Braatz (PR) e Wilton Otaviano dos Santos (RN)Cartões Amarelos: Gustavo Nery (Inter); Orteman, Leo, William Magrão(Grêmio)Cartões Vermelhos: Edinho, 50'/1ºT (Inter); Tcheco, 50'/1ºT (Grêmio)
Gols: D'Alessandro 4'; Tcheco 18'; Alex, 28' ; Índio, 39' e Nilmar, 45' do 1ºtempo