

Semifinal de Libertadores, times de de grande e igual tradição, estádio lotado. Não vou me estender mais do que isto neste preâmbulo.
Taticamente se desenhava uma situação interessante no jogo, os dois times tinham problemas no mesmo lado do campo. Autuori “improvisou” Thiego na lateral-direita, Adílson colocou seu multifuncional homem de confiança, Marquinhos Paraná, na lateral-esquerda.
Como time de casa, Cruzeiro foi para cima, mas o Grêmio, bem postado, se defendia bem. A Raposa tinha dificuldades em ultrapassar sua intermediária ofensiva. Kleber era visto voltando para buscar jogo no meio campo. O Cruzeiro insistiu com a mesma jogada, bola enfiada na diagonal, da esquerda para a direita (normalmente de Paraná para Jonathan)
Mas o tricolor não só se defendia, contra-atacava também, e com bastante perigo. Aos cinco minutos, Maxi Lopez fez jogada pela ponta direita, cruzou rasteiro e Alex Mineiro, na linha da pequena área, furou em bola. Aos 14, nova jogada pela direita, Maxi para Souza, que lançou Túlio na linha de fundo. De lá, saiu um cruzamento perfeito para Alex Mineiro, que dá marca do pênalti, cabeceou fraco, no meio, facilitando a defesa de Fábio. Aos 22, Maxi roubou a bola de Tiago Heleno, arrancou em direção ao gol, cortou seu marcador, escolheu o canto, bateu de perna esquerda, mas a bola caprichosamente raspou a trave.
Voltava o fantasma dos gols perdidos em jogos anteriores,
da primeira fase da Libertadores e
do Fluminense no brasileiro. Mas lá eram adversários limitados ou desorganizados e o Grêmio escapou do castigo. Contudo, o Cruzeiro não é desorganizado e tampouco limitado, e fez valer a máxima do “
quem não faz, leva”.
Os “mineiros” já haviam tido duas oportunidades antes, mas as credito mais ao “abafa” naturalmente feito por um mandante. Na sua primeira jogada trabalhada, o Cruzeiro fez o gol. Até então o Grêmio não havia errado seu posicionamento defensivo (Fábio Santos guardava sua posição junto aos zagueiros). O gol nasceu dos pés de Wagner, na intermediária defensiva. Jonathan foi acionado na direita e pegou toda a defesa fora de lugar. Kleber recebeu na ponta direita e cruzou para área, Wellington Paulista se antecipou a Léo e, de cabeça, abriu o marcador.
O resultado da primeira etapa era pra lá de injusto (se é que se pode falar em justiça no futebol), até os “imparciais” jornalistas do Sportv afirmavam isto.

A volta para o segundo tempo foi marcada por uma ducha de água fria. Primeiro Marcelo salvou um gol olímpico. Novo escanteio, cochilo da marcação gremista, Wagner chuta do bico da área, a bola desvia em Tcheco e mata Marcelo. O Placar, era de um até ali exagerado 2x0.
O time sentiu bastante o golpe. Autuori tirou Alex Mineiro e colocou Herrera. O time não reagiu. Cruzeiro cresceu no jogo. Aos 22, em novo erro do Grêmio após escanteio, Marquinhos Paraná cruzou, Fabinho subiu livre, no meio da área gremista, e dali cabeceou para baixo fazendo o terceiro.
O 3x0 praticamente definia o classificado a final. Todos no estádio sentiam isso. Mas aos 30 veio a bizarra lesão do árbitro, que teve que ser substituído (confesso que não lembro de ter “presenciado” isto antes). A parada foi boa para o Grêmio, que se acalmou e finalmente voltou para o segundo tempo. O time passou a conseguir articular algumas jogadas no ataque. Aos 33, o quarto árbitro marca um falta no grito (ainda que existente). Souza se fez presente em campo pela segunda vez (primeira em chute no primeiro tempo) bateu magistralmente a falta. Gol que fazia retornar as esperanças. Foi a vez do Cruzeiro sentir o golpe, passando a segurar o resultado feito. O tricolor continuou no ataque, tendo algumas chances em cruzamentos e/ou bolas paradas. Na melhor delas, Herrera não achou ninguém com sua escorada de cabeça. Assim, o placar final foi mesmo o de 3x1.


O resultado é sim reversível, mas não podemos nos enganar. O Cruzeiro tem uma senhora vantagem.
O que me dá um pouco de esperança é que quando o Grêmio “quis”, conseguiu jogar. Ontem nenhum jogador teve uma atuação de superação. Espero ver isto na quinta.
Faltou maior participação do meio campo. Tcheco e, especialmente, Souza deveriam ter participado mais do jogo.
Juiz ruim e caseiro. Marcou muitas faltas (mal parecia arbitragem de Libertadores), mostrou poucos cartões, permitiu várias confusões. Teve sorte de não ter ocorrido um lance mais decisivo, se bem que o carrinho de Elicarlos era passível de vermelho direto.
Tirando a postura da delegação do Grêmio e do Delegado do estádio, achei muito mal conduzido este episódio entre Maxi Lopez e Elicarlos. Parece que não foi dimensionada corretamente a repercussão e as conseqüências da denúncia. Por que o atleta cruzeirense não falou nada no intervalo? A polícia mineira sempre age assim em casos de injúria?
É impossível que não ocorram desdobramentos deste fato aqui em Porto Alegre.
"Agora, o milagre poderá acontecer no dia 2, quando a torcida gremista terá que marcar dois gols para o time no Olímpico. "
Fotos: Uol, Terra, ClicrbsCruzeiro 3 x 1 GrêmioWellington Paulista 37´
Wágner 47´
Fabinho 67´
Souza 78´
CRUZEIRO: Fábio, Jonathan, Leonardo Silva, Thiago Heleno e Marquinhos Paraná; Fabinho, Elicarlos (Jeancarlos, 40'/2ºT), Henrique e Wagner (Bernardo); Kléber e Wellington Paulista.
Técnico: Adilson Batista.
GRÊMIO: Marcelo Grohe, Ruy, Leo, Réver e Fábio Santos; Adilson, Túlio, Tcheco e Souza; Alex Mineiro (Herrera, 13'/2ºT) e Maxi López.
Técnico: Paulo Autuori.
Libertadores 2009 - Semifinal - Jogo de IdaData: 24/06/09, quarta-feira, 21h50min
Estádio: Mineirão, em Belo Horizonte (MG).
Público: 51.296 pagantes
Renda: R$ 1.387.644,94.Árbitro: Henrique Osses (CHI), depois Jorge Osorio (CHI) aos 30 do 2ºtempo.Auxliares: Cristian Julio (CHI) e Osvaldo Talamilla (CHI).Cartões amarelos: Elicarlos (CRU); Marcelo Grohe (GRE) e TchecoGols: Wellington Paulista ( 37'/1ºT); Wágner ( 2'/2ºT); Fabinho ( 22'/2ºT); Souza, ( 33'/2ºT).