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segunda-feira, janeiro 20, 2014

Gauchão 2014 - São José 1x0 Grêmio


 O time B do Grêmio não começou bem o Campeonato Gaúcho 2014. A equipe formada pelo time sub-20 tricolor teve uma atuação muita fraca, sendo derrotada no gramado sintético do Passo D´areia. É pouco prudente fazer qualquer análise mais profunda sobre o que foi visto ontem em campo, uma vez que além da habitual dificuldade da grama artificial, havia ainda a questão do forte calor que fazia em Porto Alegre na tarde de ontem. O próprio São José, habituado ao campo, não fez uma grande partida, apesar de ter sido superior no confronto. Aos 34 minutos do primeiro tempo, Jean aproveitou uma das poucas oportunidades surgidas no jogo e chutou uma bola com efeito (ou talvez com desvio na zaga) que Follmann não conseguiu cortar:1x0 que o Zequinha administrou até o final.

Eu acho muito triste que se permita, sem maiores debates, que um time de futebol profissional da 1º divisão do futebol gaúcho utilize grama sintética no seu estádio. Não temos aqui no estado uma condição climática/geográfica/financeira que inviabilize o uso de grama natural. Mas se é assim poderiam se mitigar as dificuldades. Ou se joga no gramado sintético, ou se joga com calor acima de 40º c. As duas coisas juntas não dá. O curioso é que um outro time da capital só teve que atuar nesse novo terreno do Passo D´areia no frescor da noite.

Imagino que a causa tenha sido o calor, mas achei o Grêmio muito frouxo na marcação. Um detalhe interessante é que foi o São José a equipe que mais cometeu faltas na partida (27 a 17, segundo o FootStats).

Não acho certo a mudança de planejamento tão cedo na temporada. Quero muito acreditar que a antecipação da estréia do time principal de fato não tenha nada a ver com o insucesso do time B. Aliás, não se pode fazer terra arrasada com os garotos que atuaram ontem. Um bom exemplo disso está no ano passado: Ramiro era um dos atletas que atuou nas vexatórias derrotas para o Canoas e São Luiz no início de 2013 e depois se firmou como titular, e um dos destaques, no Brasileirão.

Qual partida recebeu mais público: O jogo-treino do time A ou a estreia oficial do Grêmio no ano com o time B? O simples fato de poder se questionar isso revela a desvalorização do "produto" que é feita através desse excesso de jogos sem sentido.

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net) e Marcelo Campos (MCDEZ Comunicação)

São José-RS São José 1x0 Grêmio Grêmio

SÃO JOSÉ: Luiz Carlos; Bindé, Fernando, Júlio Santos e Brida; Jonas, Ramos, Felipe Guedes (Sander, 39'/2ºT) e Rafinha (Chiquinho Resende, 40/2T); Jean e Eraldo (Franciel, 14'/2ºT).
Técnico: Beto Campos

GRÊMIO: Follmann; Tinga, Rafael Thyere, Canavesio e Breno; Moisés, Matheus Biteco (Guilherme Amorin, 24'/2ºT) e Jeferson; Luan, Yuri Mamute (Everton, 15'/2ºT) e Everaldo (Angelo, 10'/2ºT).
Técnico: Marcelo Mabília



1ª Rodada - Campeonato Gaúcho 2014
Data: 19/01/2014, domingo, 17h00min
Local: Estádio Passo D'Areia, em Porto Alegre-RS  
Público: 823 pagantes
Renda: R$ 26.120,00
Árbitro: Luís Teixeira Rocha
Auxiliares: Marcelo Barison e Júlio César dos Santos
Cartões amarelos:
Jonas, Rafinha e Guedes (SJO) e Guilherme (GRE)
Gols: Jean, aos 34 minutos do primeiro tempo

quinta-feira, janeiro 16, 2014

Fórmula do Gauchão 2014



E depois de 5 temporadas, mudou a fórmula do Gauchão. Talvez não tenha mudado o suficiente, contudo ocorreram mudanças interessantes. Mas antes de analisar essa mudanças acho interessante fazer um breve histórico desse processo de troca no formato do campeonato:

- Em setembro de 2013, foi noticiado que os "clubes do interior" gostariam de mudar a fórmula do Gauchão para um turno único com oito classificados para a etapa eliminatória a resposta do presidente da FGF, Francisco Novelletto foi a seguinte: "Isso é uma loucura. Metade dos times não terá nada a fazer quando chegar a oitava rodada. Não há a menor possibilidade de que isso vá adiante"

- Ainda em setembro, Novelletto, disse, em resposta ao manifesto do Bom Senso FC, que "Não tem como enxugar o calendário porque ele já foi enxugado

- 8 dias depois, a Federação Gaúcha de Futebol anunciou  uma redução de quatro datas no Gauchão 2015. Em 10 de outubro Novelleto afirmou que fórmula teria "um turno único, que classificará os quatro melhores times às semifinais com dois jogos de mata-mata".


Parecia tudo muito bom. Novelletto, apesar de negar, abandonou a sua interpretação estapafúrdia do Estatuto do Torcedor, e, no seu costumaz exercício de voltar atrás naquilo que havia afirmado, realizou mudanças no sentido de uma racionalização do calendário. Contudo, a fórmula final não foi exatamente essa anunciada em outubro

De fato haverá um turno único. Só que para efeitos de classificação os times estão, inexplicavelmente, divididos em dois grupos. Os quatro primeiros colocados do Grupo A e os quatro primeiro colocados do Grupo B avançam as quartas de final, que será  disputada em jogo único, assim como as semifinais. Apenas a finalíssima é disputada em duas partidas.  Pois bem, colocada a fórmula, vamos tratar dos avanços que ocorreram e dos problemas que persistem ou que poderão existir

AVANÇOS
- Diminuição de datas. Agora são 19, contra 23 da formato usado entre 2009/2013.
- O campeonato passa a ter data certa para acabar. Anteriormente o vencedor de dois turnos era campeão antecipadamente e as duas datas reservadas para as finais eram desperdiçadas.
- Classificação em turno único. Permite maior flexibilidade na hora de possíveis adiamento ou antecipação de jogos.
- Uma única fase eliminatória. O formato anterior implicava em jogos decisivos muito cedo na temporada.
- Não existe mais a possibilidade do campeão ser rebaixado.


PROBLEMAS QUE PODERÃO EXISTIR
- A classificação se dá por grupos, o que poderá acarretar sérias distorções. Por exemplo: O chaveamento das quartas de final será o seguinte: 1º Grupo “A” x 4º Grupo “B” ;” - 2º Grupo “B” x 3º Grupo “A e vice- versa. Ocorre que o mando do jogo único das quartas de final é do 1º e 2º colocado de cada grupo. Contudo pode acontecer que o terceiro e o quarto colocados de um grupo tenham uma campanha melhor do que a do primeiro e segundo colocados do outro, e ainda assim terão que decidir fora de casa.
- Ainda pior poderá ser uma eventual situação do 5º colocado de um grupo ter mais ponto que o 4º do outro e mesmo assim ficar de fora das semifinais. Não há como entender porque a classificação não é feita num único grupo de todos os participantes.

PROBLEMAS QUE PERSISTEM
- Os confrontos se repetem na fase classificatória. Pelo 5º ano seguido o Grêmio enfrenta o Juventude fora. Pela 4ª temporada seguida o Grêmio recebe o Lajeadense.
- Quartas de final e semifinal em um jogo único. A sistemática dos jogos de ida e volta é consagrada no futebol de clubes. O jogo único dá muito vantagem para o time que decide em casa, e como vimos acima, o time mandante pode até ter uma campanha inferior a do visitante. E no caso do gauchão, o jogo único nessas fases pode implicar na ausência de um tradicional atrativo da competição, que é o time grande tendo que visitar um pequeno no mata-mata.
- A troca de critérios. Para definição do mando de campo nas quartas de final o que vale é a posição final dos times no seu grupo. Nas semifinais e finais esse critério não vale mais, sendo adotada a melhor campanha do geral. Não era melhor usar um único critério em toda fase eliminatória? Da mesma forma, as quartas de final e semifinais são disputadas em um jogo único, para depois a final ser jogada em dois jogos.
- Os jogos do mata também são considerados na contagem para estabelecer a melhor campanha, o que pode causar desequilíbrio. Na fase classificatória todos jogam contra todos, e depois disso passa-se a somar um novo confronto, ficando prejudicada a equiparação dos desempenhos, (uma vez que as equipes semifinalistas ou finalistas, enfrentaram equipes diversas em mais de uma ocasião).
- Ao final da fase classificatória os times terão jogados um números de partidas ímpar, o que significa que alguns jogaram mais em casa do que os outros. E isso pode ter efeito depois, na hora de estabelecer a melhor campanha. Este é um problema que persiste desde 2009. Abaixo pode se ver como foram distribuídos os jogos em casa da dupla Gre-Nal desde então. Nota-se um favorecimento do Internacional, especialmente pelo fato de que em 2012 a FGF não honrou o compromisso de "espelhar" a tabela de 2011.