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segunda-feira, dezembro 22, 2014

Médias de Público do Grêmio em 2014


Em 2014 o Grêmio fez 34 jogos como mandante. A média de público total foi de 23.302 e a média de pagantes foi de 20.916, o que representa um ligeiro acréscimo em relação ao ano passado. Achei importante colocar os números desde 2011 para estabelecer um comparativo (duas últimas temporadas no Olímpico e as duas primeiras temporadas na Arena)


Considerando apenas os jogos disputados na Arena a média da atual temporada é bem parecida com a de 2013. Contudo, é importante lembrar que no ano passado foram realizadas promoções em apenas 3 jogos (Vasco, Flamengo e Goiás), contra 11 partidas com algum tipo de promoção em 2014 (Lajeadense, Aimoré, Novo Hamburgo, Veranópolis, Passo Fundo, Fluminense, Chapecoense, São Paulo, Figueirense, Vitória e Flamengo)


Como se vê, a média de público na Libertadores aumentou. Em 2014 o Grêmio conseguiu sua segunda melhor marca nesse quesito na competição (ficando apenas atrás da participação de 2007). Contudo, mesmo na competição mais atrativa, a ocupação do estádio fica longe do máximo.


No Gauchão, o clube conseguiu a sua melhor presença de público desde 2008. Imagino que o fato de ter jogado dois Grenais com titulares na Arena tenha contribuído para tanto.


Quanto ao Brasileirão, acho importante mencionar o levantamento do Ricardo Araújo, que verificou que a o aumento da média de público de 2013 para 2014 foi acompanhado de uma queda na arrecadação:

"Vale ressaltar ainda, que em 2013, em 19 jogos, o clube arrecadou um total de R$ 15.388.480,00, com  público médio de 20.910, e TM de R$ 36,49. Esse ano, talvez para atender ao clamor dos “precistas”, apesar de baixarem o TM em 18%, o público cresceu apenas 6%, e a receita atingiu R$ 12.571.007,00, em 17 jogos. Mesmo projetando 2 jogos a mais, a receita total do Brasileiro de 2014 seria R$ 1,5 milhão menor que em 2013."




E na Copa do Brasil, infelizmente, o Grêmio só pode disputar uma partida em casa em 2014, o que prejudica as comparações.

sábado, fevereiro 22, 2014

Goleira "Padrão FIFA" ?!?


A rivalidade Gre-Nal tem características marcantes, com aspectos positivos e aspectos negativos. As vezes vejo nela uma polarização que me parece forçada, mas acreditava que justamente por conta dessa dicotomia o Grêmio iria acabar se afastando do famigerado "padrão FIFA"  como o diabo foge da cruz.

Pois então tive a infeliz surpresa de ler no site do clube uma notícia saudando a troca das goleiras da Arena por novas traves no "Padrão FIFA". Não tenho nada contra a substituição em si, cedo ou tarde o clube teria que aposentar o antigo equipamento (Muito embora pudesse questionar o abandono de um "símbolo" que há pouco mais de um ano foi considerado tão importante). Meu maior problema é ver o Grêmio embarcando com gosto num padrão pensado por alguém em Zurique e imposto goela abaixo do resto do mundo, padrão que sequer foi unanimidade no palco da final da Copa do Mundo.

O futebol passa por um triste processo de padronização, onde os jogos, campeonatos e estádios estão cada vez mais parecidos e "insossos". É muito estranho que o Grêmio, que sempre prezou por ter suas próprias características e peculiaridades, que teimosamente sempre fez as coisas do seu jeito, não se importando em estar na vanguarda ou em estar indo contra a corrente, faça parte desse processo.

quarta-feira, novembro 13, 2013

Não Pagantes 2012 x Não Pagantes 2013

Já abordei essa questão dos não pagantes em março desse ano e ao final do primeiro semestre, mas esse é um tema que merece atenção contínua. Para efeitos de comparação, acho importante lembrar dos números de 2012.

Nos 36 jogos disputados no Olímpico no ano passado a média de não pagantes foi de 5.123 (correspondente a 20,77% do público total). Se desconsiderarmos as seis partidas jogos onde ocorreram promoções que franqueavam entrada de torcedores (confrontos contra Novo Hamburgo, Avenida, Figueirense, Atlético-GO, Náutico e Ponte Preta) a média de não pagantes cai para 3.637 (correspondente a 15,24% do público total).

Até aqui em 2013 foram disputadas 28 partidas do Grêmio na Arena. A média de não pagantes é de 1.950 (correspondente a 7,77% do público total). É de se supor que essa diminuição ocorreu em virtude da mudança na política de ingresso de menores. No Olímpico, menores de 12 anos não pagavam para assistir os jogos no anel inferior. Na Arena, apenas as crianças de colo (menores de 2 anos) ficam isentadas de ingresso. Ainda assim, seria interessante saber quem exatamente são esses torcedores que não pagam ingressos para frequentar o novo estádio gremista.

Curiosamente o clube faz hoje a primeira promoção do tipo de liberar acompanhantes de sócios na Arena. Eu sou totalmente favorável a medidas que visem aumentar o público presente no campo, mas entendo que as promoções devam sempre prestigiar os sócios e/ou visar potenciais novos sócios. Dessa maneira, acho que a medida de liberar ingressos para mulheres é bem questionável, especialmente se considerarmos que elas representam um percentual significativo do quadro social do clube.

quinta-feira, setembro 05, 2013

Taxa de ocupação e assentos vazios

Um estudo da Pluri Consultoria analisou a venda de ingressos em partidas de 30 competições disputadas no Brasil em 2012 (Copa do Brasil, Séries A,B,C e D + 25 estaduais) e chegou a conclusão de que a "taxa de ocupação dos estádios Brasileiros é de 21,8%".

O economista Fernando Ferreira, responsável pelo levantamento, afirma que "Em uma temporada completa (estaduais+nacionais) vendem-se 15 milhões de ingressos e encalham 55 milhões" e questiona: "Em qualquer setor da economia, quando você tem um produto com tal nível de encalhe, é de se esperar que se tomem medidas visando a redução de seu preço e/ou a melhora da qualidade do mesmo, de forma a resolver tal problema. Por que no futebol tem que ser diferente?" Ainda que se considere as peculiaridades do esporte/futebol me parece que o questionamento é bastante válido.

Esse é um ponto que tem me incomodado na Arena em 2013, o espaço ocioso (e os ingressos que deixam de ser vendidos). O economista Ricardo Araújo, autor do blog sobre Novas Arenas na revista exame, fez um raio-x sobre a Arena tricolor e abordou o tema:

"A Arena, como projeto arquitetônico e execução, é muito boa. Funcional, possui ótimos espaços que podem ser aproveitados comercialmente (o número de lojas poderia ser maior), bem setorizada, bom acabamento geral, confortável para todos os públicos (público, atletas, e imprensa), visibilidade excelente de todos os setores (além de boa acessibilidade para cadeirantes), vagas internas de estacionamento em número razoável, boa quantidade de banheiros e pontos de alimentação, espaços de circulação amplos, áreas de hospitalidade muito confortáveis (bem decoradas e com metragem adaptável) e com bom espaço para ações corporativas.
Em relação à operação do estádio, ainda existem alguns desafios a vencer. Em termos de ocupação do mesmo, é preciso estabelecer rapidamente uma política de revenda dos ingressos não utilizados/confirmados pelos sócios do Grêmio. Lugar demandado e não ocupado, é prejuízo. Em termos comerciais, ainda existe dificuldade na venda dos camarotes, de estabelecer uma agenda mais profícua de eventos, na locação das lojas, e na venda dos direitos de nomeação. Além disso, ainda não foi encontrada uma solução tecnológica viável, em termos de custo x benefício, para permitir transmissão de dados suficiente para tornar a arena uma plataforma de negócios relevante
. "

E afinal, qual é a taxa de ocupação da Arena em 2013*? Abaixo segue uma tabela com os números da nova casa gremista, onde se vê que na média a ocupação nesses primeiros 19 jogos foi de 45,35%.


A maior ocupação ocorreu no Grenal (69,65%), a menor foi no jogo contra o Cerâmica (22,10%). Nunca é demais lembrar que a ocupação é um conceito relativo a capacidade do estádio. E capacidade da Arena oscilou no primeiro semestre de 2013. A capacidade máxima da Arena na partida contra a LDU era de 60.500 espectadores. Com o fechamento do setor da geral essa capacidade caiu para 52.000 torcedores (o que foi utilizada em todos os jogos do Gauchão e nas demais partidas da Libertadores). Com a readequação e liberação do setor da geral a capacidade máxima usada nas partidas do Brasileirão e Copa do Brasil foi de 57.500 pessoas. Mas para não ficarmos apenas em termos percentuais, podemos citar o dado de que  a média de público nesses primeiros 19 jogos foi de 25.102 espectadores (média de 23.134 pagantes por jogo).

E será que isso significa um acréscimo em relação a 2012? A média de público nos 36 jogos disputados no Olímpico no ano passado** foi de 24.55 (19.532 pagantes por jogo). Se considerarmos que a capacidade máxima do Olímpico em 2012 era de 47.000 lugares ***, a taxa de ocupação foi de 52,45%.


Ou seja, houve um ligeiro aumento na presença de público, mas o número de assentos vazios também aumentou. E o que fazer com essa capacidade ociosa? Será que esses lugares vagos não poderiam ser aproveitados para aumentar as possibilidades ofertadas hoje ao sócio-torcedor? É válido repetir que o já citado Ricardo Araújo afirmou recentemente no evento "IV Futebol em Debate": "A principal motivação do sócio é o acesso aos ingressos de forma fácil e com descontos".



* Importante lembrar que o Grêmio jogou 4 partidas no Olímpico em 2013 (Todas pelo gauchão). A média de público desses jogos foi de 7.644 (6.545 pagantes por jogo), constituindo assim uma taxa de ocupação de 16,26% 

**Ao contrário do que se possa imaginar, o ano de despedida do Olímpico não teve um público acima da média recente. Um estudo da INDG apresentado no Conselho Deliberativo no ano passado fez uma análise do público no Estádio Olímpico Monumental entre 2007 a 2011 e chegou a conclusão de que média de público no período fica na casa dos 26 mil espectadores por jogo. 

*** Segundo a CBF, a atual capacidade do Estádio Olímpico é de 45.000 lugares. Contudo, tivemos registros de públicos superiores a 46 mil no ano passado. Assim achei por bem arbitrar em 47.000 a capacidade do Olímpico em 2012 para fins do cálculo da taxa de ocupação. 
 

sábado, julho 13, 2013

Presença de público na Arena no 1º semestre de 2013


Na figura acima temos os números dos públicos dos 12 jogos disputados na Arena no primeiro semestre de 2013. A média de público pagante foi de 22.024 e a média de não pagantes foi de 2.042. É curioso que o estádio não chegou nem perto de ter uma ocupação máxima nessas primeiras partidas (Com a devida ressalva de que em o setor da Geral só esteve liberado nos confrontos contra LDU e São Paulo.) .

Ainda assim é possível afirmar que houve um acréscimo de pagantes em relação ao mesmo período do ano passado. Nos 17 jogos que o Grêmio fez como mandante nos 6 primeiros meses de 2013 a média de público total foi de 19.448 e a média de pagantes foi de 17.649. No primeiro semestre de 2012 o Grêmio igualmente fez 17 partidas em casa e a média de público total foi de 19.285 e a média de pagantes foi de 15.888. É importante lembrar que esse ano o Grêmio participou da Libertadores, fato que não ocorreu no ano passado, e talvez isso, juntamente com o elemento de "novidade" da Arena, explique o maior público de 2013.

De qualquer forma, eu esperava uma maior ocupação na Arena no seu primeiro ano de funcionamento. Penso que alguns ajustes que poderiam aumentar a média de público estão demorando demais para acontecer. No início de abril, o diretor da Arena Gilmar Machado disse que a administração do estádio já estava trabalhando com na criação de um projeto de "check-in". Até agora tal sistema não foi implementado. Da mesma forma, quando da renegociação entre Grêmio e OAS, se afirmou que seria estabelecida uma nova política de preços e descontos para os sócios-torcedores (aumentando a oferta de setores e os descontos dados), contudo para o próximo jogo, contra o Botafogo, essa promessa ainda não saiu do papel

terça-feira, maio 07, 2013

Presença de público no Gauchão (2007/2013)



E o Gauchão 2013 chegou ao seu esperado fim. Poderíamos aproveitar a ocasião para falar, mais uma vez, de assuntos como calendário, arbitragem e fórmula, mas por ora acho mais proveitoso tratar do tema da presença da torcida gremista nos jogos desta competição. Na análise dos números desse ano, o primeiro dado que salta aos olhos é o fato de o Grêmio ter tido a maior média de público pagante (Com 10.110 pagantes por jogo nos seus estádios), mesmo tendo feito somente um jogo decisivo em seu estádio.

Ainda que possa ser considerado bom, tal número fica abaixo da média tricolor nos últimos 7 estaduais. Em 65 jogos como mandante no Gauchão entre 2007 e 2013 o Grêmio tem uma média de pagantes de 12.266 e uma média de público total de 14.822 (tabela acima).  É sabido que o Brasileirão gera mais interesse que o Gauchão, ainda assim acho válido comparar os números antes citados com os dos jogos no Olímpico nas últimas 7 edições do campeonato nacional, onde a média de público pagante foi de 22.345 espectadores e a média de público total foi de 25.900 torcedores nos 130 jogos disputados em casa no período.




A grande questão de 2013 é saber qual o efeito da Arena na presença de público. Em abril passado os comandantes do clube e da Arena Porto-Alegrense se mostravam bastante satisfeitos com os números da torcida gremista no novo estádio:

"a presença de público nos primeiros três meses da Arena é comemorada, tanto por dirigentes gremistas, como pela Arena Porto-Alegrense — especialmente a média nas partidas do Campeonato Gaúcho, já que a presença alta na Libertadores era esperada.
Estamos espantados. Público assim para sábado à noite é fantástico. Ainda mais que a Geral está fechada”, comemora o integrante do Conselho de Administração, Nestor Hein. O Grêmio conseguiu levar 17.749 torcedores em um sábado, às 21h, diante do Caxias. “Estamos com uma média muito boa. É fora do padrão. Só mesmo a Arena, o time que o Grêmio montou para isso”, salienta o gerente de marketing da Arena Porto-Alegrense, Gilmar Machado. Isso que a Arena ainda não foi palco de um jogo no domingo, às 16h" (Correio do Povo - 07 de abril de 2013)


E quais seriam esses números? Nos 5 jogos disputados na Arena pelo Gauchão a média de pagantes foi de 12.963 e a média de público total foi de 15.070 (tabela acima) Na comparação com os últimos anos esses números de fato se mostram positivos, mas ainda não representam um aumento significativo em relação ao Olímpico.

Mas é importante lembrar que nenhum desses jogos foi disputado numa tarde de domingo, e apenas um deles era um jogo eliminatório. Nenhum era clássico ou mesmo final de turno, que costumam chamar mais público. Assim acho que o mais válido seria fazer a comparação apenas com a média dos jogos da fase classificatória, conforme se mostra na tabela abaixo.




Também é preciso lembrar que não tivemos nenhum Grenal na Arena ainda, de modo que talvez seja preciso desconsiderar o clássico nesse levantamento (tabela abaixo):



Outra questão palpitante é a questão sobre o dia em que o jogo é marcado. O levantamento abaixo demonstra que os jogos em finais de semana levam mais gente a campo do que os jogos de meio de semana. Uma conclusão parecida a que se chegou ao analisar essa questão nos números do campeonato Brasileiro.



Quando se exclui os clássicos Grenais do cálculo a média dos jogo de final de semana cai, mas segue sendo superior as das partidas disputadas durante a semana.



E mesmo que se exclua os jogos eliminatórios (quartas, semis, finais de turno e final de campeonato) e os grenais a média dos jogos realizados em fins de semana segue sendo maior.


quarta-feira, março 20, 2013

Os não pagantes na Arena

Um fato que me chamou a atenção nos primeiros jogos da Arena foi o baixo número de não pagantes em relação ao público total. Nos números divulgados se vê uma séria redução na comparação com os números Olímpico no ano passado.

Dos 36 jogos disputados na Azenha em 2012, apenas 3 tiveram um púbico de não pagantes correspondente a menos de 10% do público total. Nos dois primeiros jogos da Arena em 2013 esse número ficou abaixo dos 5%.

A suposição que eu fiz foi a de que tal mudança se deu em razão da alteração na política de ingresso de menores. No Olímpico, menores de 12 anos não pagavam para assistir os jogos no anel inferior. Na Arena, apenas as crianças de colo (menores de 2 anos) ficam isentadas de ingresso.

Contudo, já no jogo contra o Caracas o número de não pagantes praticamente dobrou, sem que houvesse um acompanhamento do número de pagantes. E contra o Lajeadense o percentual de não pagantes saltou para espantosos 14%, que era o costumeiro do Olímpico.


O que explica esse aumento? Quem são de fato os não pagantes? Esses números dos últimos jogos são registros pontuais ou efetivamente essa prática vai retornar ao patamar do Olímpico?

sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Quebra de promessa e Restrição


"Com os fatos que aconteceram, tivemos que compatibilizar as duas situações. A primeira, colocar as cadeiras. Não há outra alternativa. E segundo, evitar que um estádio de futebol como esse se torne privilégio para poucos. Vamos assegurar naquele local um ingresso popular" (Presidente Fábio Koff, 07 de fevereiro de 2013)

Esse anúncio da colocação de cadeiras no setor da geral me incomodou bastante. Nem tanto pela medida adotada (que é reversível), mas por que ela me remete a dois fenômenos negativos que vem se repetindo, e não exclusivamente no Grêmio ou no futebol, e sim na sociedade como um todo. São eles a quebra de promessas e o aumento das restrições.

- Quebra de promessa: Durante todo o período de idealização e construção da Arena, o Grêmio (aqui entendido no sentido amplo, no conjunto dos seus dirigentes e gestões) prometeu ao seu torcedor que o espaço da geral seria mantido, que haveria um setor para o torcedor acompanhar o jogo de pé e que a avalanche seguiria acontecendo no novo estádio. Agora, diante da primeira dificuldade essa promessa é quebrada.

- Restrição: Mais uma vez a solução para apresentada para um problema é uma medida restritiva. Uma restrição exagerada, que não guarada relação direta com a causa do problema. A segurança do torcedor não passa por ficar de pé ou sentado. A existência de um fosso no estádio não representa um perigo? Por que não averiguar se o número de pessoas no setor era o adequado? Será que não houve um erro no projeto ou mesmo uma falha na execução da obra?

quarta-feira, janeiro 16, 2013

Transição e Fator Local

O chamado "fator local" é um elemento importantíssimo no mundo dos esportes. Diversos estudos acadêmicos foram feitos sobre a existência de vantagem em jogar em casa em competições esportivas.  Sob os mais diversos enfoques, estes estudos tem, invariavelmente, verificado que de fato os times mandantes possuem vantagem em relação aos visitantes, tendo um percentual superior de vitórias/pontos conquistados.

Um caso interessante é o do Campeonato Brasileiro, onde as distâncias percorridas pelos visitantes parecem exercer forte influência sobre a vantagem do time da casa. É interessante notar que, nas edições do Brasileirão disputadas entre 2003 e 2007, o Grêmio conquistou 67,87% dos seus pontos em casa, o que é um percentual elevado na comparação com os demais clubes.



Mas o estudo que mais me chamou a atenção recentemente foi  um que avalia o efeito que uma mudança de estádio pode ter no fator local. Num trabalho entitulado "Evidence of a reduced home advantage when a team moves to a new stadium", publicado em 2002 (e atualizado em 2006), o professor Richard Pollard, da California Polytechnic State University, confrontou o desempenho por temporada de 40 equipes da NBA, NHL e MLB que trocaram de estádio. A sua conclusão é a seguinte:

"Uma queda significativa na vantagem em casa é verificada na primeira temporada no novo estádio. Entretanto, a vantagem em casa na segunda temporada no novo estádio é significativamente maior do que na primeira temporada. Ainda, a vantagem na segunda temporada não é diferente da última temporada no velho estádio."

Segundo Pollard, essa constatação é uma prova de que a familiaridade com o estádio/campo de jogo é um fator fundamental para explicar porque os times mandantes tem desempenho superior aos visitantes. Abaixo, os números que demonstram esse decréscimo na temporada inaugural dos novos estádios:



Bom, e o Grêmio está passando justamente por esse processo de mudança de estádio. E será que o tricolor também sofrerá uma queda de desempenho no seu primeiro ano na nova casa? Será que o processo de familiarização à Arena será demorado?

É justamente essa dúvida o que mais me incomoda em toda essa história envolvendo o anúncio de que o Grêmio voltará a jogar no Estádio Olímpico em 2013. Isso me preocupa mais do que qualquer outra discussão  de caráter técnico, político ou financeiro.

Será que, com essa medida, o Grêmio não corre o  risco é perder parte da empolgação inicial com a Arena  e prorrogar ainda mais o já complicado processo de transição do velho para o novo estádio?

terça-feira, outubro 02, 2012

Catracas, portões e acessos

 


O vídeo acima teve enorme repercussão ontem. Nele é possível ver uma série de pessoas tendo seu acesso liberado na catraca de um dos portões da social. Em nota oficial publicada no seu site o Grêmio explicou o episódio da seguinte forma:


"tratou-se de uma questão de natureza administrativa, em que foram remanejados torcedores adquirentes de ingressos que não conseguiram atravessar a boca do túnel nos portões 10 e 13, devido ao grande volume de pessoas no local que dá passagem para as arquibancadas da Geral do Grêmio.
Para solucionar o problema, os torcedores foram deslocados para o portão 5, onde houve a liberação da catraca, visto que os ingressos já haviam sido entregues anteriormente. A operação, também realizada no portão 17 onde os torcedores foram redirecionados para os portões 16 e 18, por não conseguirem ultrapassar a barreira humana que se formou nos acessos, foi acompanhada pelos profissionais da área de jogos e eventos, com o apoio da Brigada Militar e da Federação Gaúcha de Futebol (FGF)."

Posteriormente o autor do vídeo acrescentou alguns detalhes de como o vídeo foi feito e o que lhe motivou a publica-lo. Não obstante todas estas declarações, me parece que continuam sendo necessários maiores esclarecimentos sobe o ocorrido. Assim como seguem sendo necessários esclarecimentos sobre o que aconteceu no jogo contra o Atlético-GO no mês passado e no jogo contra o Cruzeiro em 2009.

Por óbvio que vídeo causou debates em diversas áreas, como as eleições no clube, a eleição para vereador em Porto Alegre, o respeito aos sócios, a administração do dinheiro  do clube.  E, excetuado o oportunismo, hipocrisia e incoerência de alguns penso que são temas válidos de se debater. Mas o que efetivamente me preocupa é a possível violação as normas da segurança.

Porque, no fim das contas,  o sócio pode ser indenizado/compensado, o dinheiro pode ser ressarcido, uma eleição pode ser anulada, uma candidatura pode ser impugnada, mas não há como repor uma vida perdida em um estádio super lotado. E, sim, as pessoas podem morrer num estádio super lotado.

Não é de hoje que eu questiono a questão dos portões de acesso ao estádio Olímpico. Para quem não sabe, um sócio contribuinte pode entrar em qualquer um dos portões do anel inferior do Olímpico. Uma carteirinha das cadeiras garante acesso tanto nas referidas cadeiras como também na arquibancada e na social. Como o clube controla o número adequado de pessoas por setor/portão?

Segundo a nota de esclarecimento, houve um remanejo de torcedores antes do jogo começar. Tal versão é questionável, mas mesmo que se admita ela como verdadeira fica a pergunta: Não é perigoso fazer esse remanejo poucos minutos antes da bola rolar?

O fechamento de um portão não pode causar revolta e correria no pátio do Olímpico? A superlotação de um setor não pode causar dificuldades numa eventual  evacuação de emergência?

Contam-se nos dedos os jogos que ainda restam no Olímpico e o Grêmio está bem no campeonato. A comoção é grande e tende a aumentar. Não seria hora de adotar medidas preventitvas na organização dos jogos?

quarta-feira, setembro 19, 2012

Como foi a inauguração do Olímpico



Hoje o Estádio Olímpico completa 58 anos. Talvez seja o seu último aniversário. Todos sabem que a partida de inauguração foi Grêmio 2x0 Nacional do Uruguai. Mas como foi a cerimônia de abertura? Qual era o clima da cidade no dia?

Eu fiz uma pesquisa nos jornais da época e encontrei alguns dados curiosos.

- O Grêmio tinha cerca de 11.000 sócios em 1954. Nenhum deles precisou pagar ingresso para ver o jogo inagural.

- Cinco dias antes da inaguração o estádio ainda estava em obras e última parte de arquibancadas estava recebendo o cimento. Os jogadores já treinavam no gramado do Olímpico.

- O estádio tinha somente 7 portões naquela época.

- O presidente Saturnino Vanzelotti deixou claro no seu discurso que o estádio não estava completo e que as obras deveria seguir nos anos que viriam.

Seguem abaixo algumas fotos e textos retirados dos jornais Correio do Povo e Folha da Tarde Esportiva:




"O PRIMEIRO SÓCIO

Às 12 horas em ponto o esportisita Hermínio Bitencourt, que estava no controle dos portões, distribuiu o policiamento e ordenou a abertura das sete entradas do Estádio. O primeiro associado tricolor a penetrar no Estádio Olímpico foi o dr. Dario Strasntassen.

[...]

GRANDES FILAS

Grandes filas organizaram-se em torno do Estádio, por volta do meio-dia, e até às três horas o movimento foi intenso. Somenta à noite a reportagem teve conhecimento dos dados oficiais sobre o numero de assistentes e o total da renda. O sr. Siqueira, chefe das arrecadações da FRGF, forneceunos os dados sobre este movimento.

SÓCIOS E CONVIDADOS

Nos portões de sócios e convidados os relógios acusaram 20.238 pessoas, não incluídos os menores. Estão incluídos nesta soma associados, convidados especiais, cronistas esportivos, etc.

10.848 GERAIS

Foram vendidas 10.848 entradas gerais, que renderam Cr$ 325.440,00. As bilheterias acusaram a venda de 2.222 meias-gerais, num total de Cr$ 44.440,oo. Foram vendidas 1.936 entradas colegiais, somando Cr$ 19.360.

APENAS 267 CADEIRAS VENDIDAS

Talvez devido ao preço altíssimo das cadeiras, que foram postas à venda a razão de 200 cruzeiros cada uma, a renda foi fraca, neste setor. Foram vendidas, apenas 267, que deram um renda total de Cr$ 53.400,00.
A renda total foi de Cr$ 442.640,00, não sendo quebrado o recorde total de assistentes: 35.511

SE OS SÓCIOS PAGASSEM

As entradas vendidas, em número de 15.273, acusaram a soma de Cr$ 442.640,00. Se os sócios do Grêmio houvessem contribuido com gerais, teríamos então quebrado todos os recordes, já que se teria recolhido Cr$ 1.049.780,00."
(Folha Esportiva - 20 de setembro de 1954)




"Dois triunfos espetaculares rubricou o Grêmio Porto Alegrense, na tarde de anteontem.

O primeiro deles, que constituiu, igualmente uma grande surpresa para o nosso público, foi a solene inauguração do Estádio Olímpico, situado à avenida Carlos Barbosa.

A nova Baixada suplantou em muito a imaginação popular, evindenciando um conjunto de linhas harmoniosas e as mais amplas e confortáveis instalações.

Com capacidade para cerca de 50.000 pessoas, todos os que compareceram ao Estádio ficaram otimamente situados, podendo torcer e vibrar perfeitamente instalados, sentados e sem o constraginmento habitual em nossas arquibancadas.

E foi um acontecimento impressionante e que perdurará por certo, na retina do público, o majestoso e bem organizado desfile que deu início às solenidades.

Via-se, inicialmente, um menino simbolizando o Mosqueteiro, que acompanhava, uma encantadora garota, a qual durante o longo desfile, executava repetidas acrobacias, sob aplausos entusiasticos.

Sob o dístico - O Grêmio de ontem - viam-se as bandeiras nacional, riograndense e do Grêmio conduzidas, respectivamente pelos atletas Ilse Gerdau, Pedro Mayerski e o veterano campeão dr. Augusto Maria Sisson. Seguiam-se os dirigentes gremista, destacando-se o grandes beneméritos da construção do Estádio: Saturnino Vanzelotti, Alfredo Obino e Silvio Toigo Filho, que constituem, hoje em dia, sem favor algum, o "tri de ouro" da família tricolor.

Sucederam-se atletas de todos os atuais departamentos tanto masculinos como femininos e o "Grêmio do futuro", onde se viam meninos e meninas, que estão dando os primeiros passos na senda esportiva.

Sócios fundadores, ex-presidentes, diretores antigos todo o Grêmio, emfim, estava presente na pista olímpica, acompanhados por delegações dos clubes co-irmãos, todos com os seus respectivos pavilhões.

Ao som do Hino Nacional, foi hasteada a Banderia Brasileira e , logo após, o general Ernesto Dorneles, governador do Estado, desmanchava o laço de fita tricolor, dando por inaugurado o Estádio Olímpico.

D. Vicente Scherer, arcebispo metropolitano, deu a bênção do ritual, seguindo-se diveros oradores, sendo o discurso oficial proferido pelo dr. Ari Delgado, ex-jogador, atualmente prestimoso membro da diretoria.

Todas essas solenidades foram muito aplaudidas, constituindo, em conjunto, um espetaculo grandioso e agradavel ao mesmo tempo.

[...]

A renda das bilheterias esteve aquém do calculo previsto.

Tão somente Cr$ 442.640,00 passaram pelos "bordereaux", acusando uma assitência de 35.511 pessoas.

Deve se ressaltar, entanto, que mais de 18.000 espectadores entraram gratuitamente, o que veio prejudicar em muito o montante da arrecadação.

Outro espetáculo magnifico era o representando pelas filas de torcedores, que, desde, o meeio-dia, se comprimiam ao redor da grandiosa Baixada.

Por vários quilometros se estendiam os esportistas, a esppera do instante de penetrarem no Estadio, indo as "bichas" desde a avenida Carlos Barbosa e rua da Azenha e José de Alencar, até além da Igreja do Menino Deus.

Nada mais será preciso escrevermos, para justificar o sucesso que alcançou a inaguração do monumental Estádio Olímpico do Grêmio Porto-Alegrense.
" (Correio do povo - 21 de setembro de 1954)
"Aproximadamente às 15 horas, começou o desfile no Estádio Olímpico. A frente vinha uma banda da Brigada Militar do Estado, cadencinado a marcha.

O público de pé, aclamou vibrantemente os atletas e diretores de agora e do passado. As manifestações chegaram em certos casos ao delírio, provocando emoções profundas a todos.

"O GRÊMIO DE ONTEM"

Sob este dístico, desfilaram os homens que defenderam o prestígio esportivo do Grêmio nas liças do passado. Como porta-bandeiras havia a atleta Ilse Gerdau, Pedro Mayesky e dr. Augusto Maria Sisson, jogador de football dos primeiros tempos do tricolor cinquentenário. Nas colunas seguintes, viam-se homens como Luiz Carvalho, Luiz Assunção, Telêmaco Frazão de Lima, Alfredo Day, Luiz Luz, Nenê, Augusto Teixeira (Tigre), Eduardo de Rose, Túlio de Rose e os mais velhos como Waldemar Karl, Schuback, Mordieck e Dorival Fonseca. Baskettballistas, atletas e tenista de outrora também formaram no pelotão de "O Grêmio de ontem"."
(Folha Esportiva - 20 de setembro de 1954)


"Foi, por isso, particularmente feliz o presidente tricolor quando, chamado a dizer algumas palavras ao microfone, acentuou que as obras do estádio aindão não foram completadas. E, cheio de confiança, declarou: "É tocar para a frente!" (Folha Esportiva - 20 de setembro de 1954)




"Com as deficiências naturais de uma inauguração, o espetáculo de ontem no Estádio Olímpico do Grêmio Pôrto Alegrense, mesmo assim, ficará inesquecível para aquelas trinta e três mil e tantas pessoas que o assistiram confortavelmente instaladas na nova praça de esportes, sem contar as outras dez mil e muitas que tudo apreciaram de cima dos morros circunvizinhos" (Amaro Junior - Folha Esportiva - 20 de setembro de 1954)





" A convite de Saturnino Vanzelotti e de Silvio Toigo, visitamos ontem, durante duas horas - que em menos tempo não é possível vêr tudo - o Estádio Olímpico do Grêmio Pôrto Alegrense.
[...]

O que ali estará plantado no dia 19 aos olhos do público, terá custado realmente 20.000.000 de cruzeiros. Mas valerá, sem exagero, algum, cinquenta milhões, na concretização do melhor negócio que um clube de futebol já fez em sua vida, no Brasil.

A TRANSCEDENCIA DA OBRA
Poderriamos dedicar ao estádio do Grêmio todos os adjetivos laudatórios em "oso" - fabuloso, grandioso, etc - que estariamos batizando condignamente o que nosso olhos viram.

Preferimos, porém, botar os olhos mais adiante. Que influência terá para o esporte, e desde já para o futebol de Pôrto Alegre, esse cenário modelar, que convidda, que atrai? Isso é o mais importante, o transcendente. Sabemos todos que o "bloco de choque" do futebol metropolitano, isto é, aquele corpo de assistentes mais ou menos permanente, que lhe dá vida, lotando os nosso exíguos estádios de até hoje anda oa redor das 15 000 pessoas. Excepcionalmente e sujeitand-se a sacríficos inauditos, tem chegado a 20.000. Não há em realidade possibilidade para mais. Daí a estagnação.

A importância maior do Estádio Olímpico, do ponto de vista do interesse e do bem coletivo, e abstraindo-se desde logo o que representará na vida privada da agremiação cinquentenária - a importância maior está reconheçamos, na influência decisiva que terá para o aumento da coletividade futebolística pôrto-alegrense. [...]
" (Cid Pinheiro Cabral - Correio do Povo - 15 de setembro de 1954)



"No Estádio Olímpico da Avendia Carlos Barbosa praticaram durante 90 minutos os players do plantel tricolor. Os profissionais abateram os reservas por 4x0, goals de Tesourinha, Camacho, Zunino e Torres. Os quadros treinaram com as seguintes formações:

TITULARES - Sérgio; Roberto e Orli; Silvio, Sarará e Mauro; Tesourinha, Vitor, Camacho, Zunino e Torres

RESERVAS - Vilson; Mirão e Celso; Hugo, Roni e Português; Milton, Delem, Chico Preto, Alvim e Jorginho"
(Correio do Povo - 15 de setembro de 1954)




"À esquerda, a última parte das arquibancadas que será posta em condições. Hoje receberá cimento e até domingo estará pronta. Trabalha-se a jato na Av. Carlos Barbosa: cerca de 300 operários
" (Correio do Povo - 15 de setembro de 1954)


"O Liverpool só amanhã entrará em ação na festa inaugural do Estádio Olímpico, embora também tome parte, hoje, no desfile de atletas que antecipará o grande jogo Nacional x Grêmio" (Correio do Povo - 19 de setembro de 1954)

"Visão panorâmica do pavilhão social, quando recebia ontem os últimos retoques. Poderá abrigar 20.000 sócios. Metade dessa cifar já está coberto, com o aumento vertiginoso nos últimso tempo do quadro social tricolor." (Correio do Povo - 15 de setembro de 1954)





 

 
 
 
 

sábado, setembro 15, 2012

109 Anos e as memórias do Olímpico

Hoje é um dia de festa. De comemorar 109 anos. De abraçar o Olímpico e automaticamente lembrar dos grande momentos do Estádio.

Em 1977 o clube deu início as obras para completar o anel superior do estádio, deixando conforme o previsto no projeto original. Para isso, voltou-se a sua torcida, vendendo títulos de sócios e cadeiras para custear a obra.

A campanha, veículada a partir de agosto daquele ano, apelava para as memórias das partidas memoráveis disputadas na Azenha. Abaixo alguns exemplos.

"O dia em que Ortunho jogou (e ganhou) um Grenal com a cabeça quebrada."

"O dia em que Volmir Massaroca entortou o famoso Djalma Santos."

"O dia em que Iura conquistou o mais rápido gol dos grenais."

"É para os jovens campeões que o Olímpico vai crescer, vai se tornar o maior, o mais completo e confortável estádio do sul do país"

"O presidente do Grêmio pediu a colaboraçao de todos para a obra"