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domingo, fevereiro 20, 2011

O Cruzeirinho é perigoso


O futebol repete ensinamentos ao longo da história. A lição revista nesse fim de semana é a de que o Cruzeirinho é um time perigoso, especialmente contra os grandes da capital.

O Grêmio passou por isso no Gauchão de 1960, quando foi surpreendido pelo estrelado em pleno Estádio Olímpico. 3x1 para o Cruzeiro.

Abaixo a matéria da Folha da Tarde sobre o jogo:



Fazia tanto tempo que o Grêmio não era vencido em jogos pelo certame local que o público já andava esquecido de que isso podia acontecer... O estupor da derrota parece ter atingido em cheio os meios esportivos. E os não esportivos também!

- Que vergonha! - ouve-se exclamar a dona da casa que apenas dá uma espiada no jogo pela televisão.

Depois de 12 partidas sem um empate sequer, dobrando o primeiro turno sem pontos perdidos, chegando assim quase no final do segundo, todo o mundo estava desacostumado com insucesso tricolor. Seria uma coisa anormal uma derrota do Grêmio.

Realmente, o clube do Olímpico trabalhando dentro de uma orientação mais do que acertada havia reunido elementos para que isso acontecesse. Depois de ganhar quatro campeonatos seguidos, tratara de corrigir as posições falhas, com a conquista de reforços como Suli, Marinho, etc, enquanto desenvolvia esforço para manter Aírton.

Agora, já próximo do fim da temporada, repete o esforço hercúleo e mantém em seu plantel Gessi e Elton, dando-lhes até automóvel para aplainar as dificuldades de uma reforma de compromisso.

Bem, assim é a vida, e esta formidável esquadra cai derrotada ante a "Fera do Velho Mundo" que já havia feito esquecer até a ferocidade dos seus rugidos que se fizeram ouvir no alvorecer do campeonato.

Como teria feita o Cruzeiro (a agora todos vão querer a fórmula!) para derrotar o Grêmio? Qual teria sido a misteriosa "chave"?

Responderemos simplesmente que não houve nenhuma chave misteriosa, nem "despacho", nem "feitiço", nada, nada deste jaaz.

Simplesmente, um Cruzeiro o football mais tradicional e despido de artifícios do mundo, procurando fazer a pelota rolar sobre a grama que este é o seu verdadeiro "habitat", e procurando assim envolver bater a defensiva inimiga.

E o que aconteceu em particular na primeira etapa foi isso. Caiu envolvida a retaguarda do clube do Olímpico, com Enio Rodrigues e Airton, e também Figueiró, sendo superados um instante sobre o outro pelos contendores.

Apenas sobrava Ortunho, multiplicando-se para conter Tesourinha, e procurando corrigir as situações criadas pelo três outros companheirosn de defensiva.

E foi assim que se estabeleceu a superioridade estrelada. Primeiro com o goal de Raul Tagliari, oriundo de uma jogada em que Figueiró foi claramente batido. Depois, com Airton contra aos 24 minutos, pouco depois do empate de Marino.

E finalmente. com o terceiro tento conquistado em plena segunda fase, quando a equipe gremista, nervos tentos buscava desesperadamente o empate. Lutava, conseguia estabelecer-se no campo estrelado, mas descia desordenamente, atiando de todas as distâncias e maneiras, e propicinado ao arqueiro Picasso a oportunidade para se redimir plenamento do insucesso no lance do goal gremista (que que foi culpado) até se tornar figura de proa na vitória de sua esquadra.

[...]

Finalmente o juiz. Laje Filho. A esta altura não seria mais necessário dizer nada, que o leitor já entende, quando a gente diz que o juiz foi Laje filho, que algo de errado andou acontecendo. Andou mesmo. Inverte faltas, engana-se, engana-se de novo, etc... Deixou de dar um penalty claríssimo de Nene sobre Marino. Poderia ter pegado bola na mão do lance de Carazinho, que os tricolores também pedem penalty. Mas, seus "enganos", são sempre clamorosos. Foi um mau juiz no Gre-Cruz de ontem.


terça-feira, fevereiro 08, 2011

Campeão Gaúcho - 1960

Há 50 anos, no dia 8 de fevereiro de 1961, o Grêmio se sagrava campeão gaúcho ao vencer o Pelotas por 7x0 no Estádio Olímpico.

Foi o último Gauchão dividido em regiões. Como campeão metropolitano, o Grêmio se juntou ao 14 de Julho de Livramento (campeão da fronteira), Nacional de Cruz Alta (Campeão da Serra) e Pelotas (campeão do litoral), disputando o campeonato gaúcho propriamente dito.

A curiosidade é que o quadrangular final só foi ser jogado nos primeiros meses de 1961. Grêmio e Pelotas chegaram empatados na última rodada, aonde se enfrentavam no Estádio Olímpico.

A goleada de 7x0 deu ao Grêmio o seu quinto título seguido do Gauchão

Abaixo seguem algumas matérias dos jornais da época sobre o esse confronto, bem como sobre os demais jogos do campeonato.


"O Grêmio, movimentada a bola, tratou logo de amassar o seu adversário, conseguindo o seiu intento, pois já aos 9 minutos o marcador acusava 3x0, com nítida superioridade dos pentacampeões. Elton, encontando um verdadeiro "corredor" pelo centro do gramado, fez misérias, passando pela defesa do Pelotas com uma facilidade imensa"

[...]

"O primeiro tempo foi corrido e os 22 atletas atiraram-se a luta com verdadeiro entusiasmo. O Grêmio visando assinalar tentos e o Pelotas procurando se defender. Os primeiros quarenta e cinco minutos terminaram com 5x0 para os campeões metropolitanos. Na fase derradeira o jogo decaiu bastante. O Grêmio não se interessou mais pelo marcador e o Pelotas, continuando apático apenas tratou de defender-se. Mas mesmo assim, os tricolores assinalaram ainda mais dois tentos, quase ao final do jogo."

[...]

"A vitória do Grêmio foi produto da melhor classe e do melhor preparo. O quadro todo esteve bem, repisando atuação de gala. Desde Henrique até Vieira , foi uma peça só"


Grêmio 7 x 0 Pelotas

GRÊMIO: Henrique; Sérgio, Airton e Ortunho; Elton e Enio Rodriges; Cardoso, Gessi, Juarez, Milton e Vieira
Técnico: Osvaldo Rolla

PELOTAS: Oscar; Cascudo (Dedê), Candiota e Jari; Cléo e Bide; Anito, Enio Souza, Waldir, Cesar e Bedeusinho

Data: 8 de fevereiro de 1961
Local: Estádio Olímpico, Porto Alegre-RS
Renda: Cr$ 637.000
Juiz: Romeu Rodrigues da Cruz
Gols: Gessi (3), Juarez (2), Élton e Cardoso.

Terceiro gol do Grêmio (marcado por Juarez), na vitória de 4x0 sobre o Nacional, em Cruz Alta


Juarez "tanque" cabeceando no empate por 2x2 em Pelotas


Aírton observa a saída do goleiro Henrique, interrompendo ataque do Pelotas

Gessi enfrentando o Cruzeiro, no campeonato metropolitano.

CAMPEONATO METROPOLITANO
1º Turno
26/Junho/1960 - Grêmio 2x0 Juventude
03/Julho/1960 - Floriano 1x3 Grêmio
10/Julho/1960 - Grêmio 3x0 São José
24/Julho/1960 - Grêmio 4x3 Cruzeiro
07/Agosto/1960 - Grêmio 2x0 Veronese
21/Agosto/1960 - Grêmio 5x1 Internacional
28/Agosto/1960 - Aimoré 1x3 Grêmio

2º Turno
11/Setembro/1960 - Grêmio 2x0 São José
21/Setembro/1960 - Juventude 1x4 Grêmio
09/Outubro/1960 - Veronese 2x5 Grêmio
16/Outubro/1960 - Grêmio 3x0 Aimoré
30/Outubro/1960 - Grêmio 3x1 Floriano
07/Novembro/1960 - Cruzeiro 3x1 Grêmio
20/Novembro/1960 - Grêmio 1x1 Internacional



3º Turno
28/Novembro/1960 - Grêmio 2x0 Juventude
1º/Dezembro/1960 - Grêmio 2x2 Floriano
13/Dezembro/1960 - Grêmio 4x1 Cruzeiro
19/Dezembro/1960 - Grêmio 2x1 São José
23/Dezembro/1960 - Internacional 2x1 Grêmio
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CAMPEONATO GAÚCHO - QUADRANGULAR FINAL
22/Janeiro/1961 - 14 de Julho 0 x 3 Grêmio
25/Janeiro/1961 - Gremio 5 x 1 Nacional
29/Janeiro/1961 - Pelotas 2 x 2 Grêmio
"Ninguém mais acreditava num resultado favorável ao Grêmio. Os locais vinham jogando bem e vencendo por 2 a 0. Mas, nos trinta minutos finais, o Grêmio reagiu com todas as suas forças. Fez das "tripas coração" para chegar a um resultado melhor. E, já os 29 minutos, por meio de Gessi conseguia estabelecer dois a dois"


01/Fevereiro/1961 - Gremio 6 x 0 14 de Julho
"Desde o início da contenda, o Grêmio predominou as jogadas, apesar de somente aos 20 minutos ter aberto a contagem. Suas linhas sempre estiveram mais harmoniosas, sendo amplo o seu domínio"

05/Fevereiro/1961 - Nacional 0 x 4 Grêmio
"Os tricolores pisaram o estádio do Morro dos Ventos Uivantes na condição de favoritos. E a confirmaram inteiramente."


08/Fevereiro/1961 - Gremio 7 x 0 Pelotas

terça-feira, janeiro 25, 2011

Grêmio Vs. Liverpool-URU em 1954


Como já bem lembrou o Blog Gremista Fanático, Grêmio e Liverpool de Montevidéu se enfrentaram apenas uma vez na história. Foi em 22 de Setembro de 1954.

Foi o segundo jogo do Grêmio no Estádio Olímpico e o confronto fazia parte do cronograma das atividades de inauguração da nova cancha tricolor. Liverpool e Nacional vieram do Uruguai no mesmo voo para Porto Alegre. Algumas fontes classificam o jogo como mero amistoso. Outras o incluem como parte de um triangular envolvendo também o Inter.

O Grêmio venceu por 4x0, marcando todos os seus gols nos últimos 20 minutos de jogo. Segundo a matéria do Correio do Povo "O Grêmio fez boa partida merecendo amplamente a expressiva vitória"

Sobre os atletas gremistas foi feita a seguinte análise na crônica da partida:

"Elementos como Aírton, Milton e Delem estiveram em uma tarde negra, pouco coadjuvando os companheiros e atuando com imperfeição e embaraço. Em compensação, enquanto Sergio mostrava-se firme nos momentos em que foi chamado a intervir, destacavam-se Enio e Sarará, na defesa, e Tesourinha e Zunino, no ataque."

O jornal considerou a renda "fraquíssima", "por se tratar de dia útil, frio e extremamente ventoso". Vale lembrar que o "prélio" foi disputado à tarde.

Outro detalhe do jogo foi Aírton Pavilhão escalado no meio de campo, o que aconteceu nos seus primeiros meses no Grêmio.


Grêmio 4 x 0 Liverpool - Uruguai


GRÊMIO: Sergio; Enio e Orli; Roberto, Sarára e Airton; Tesourinha, Milton, Camacho (Delem), Zunino e Delem (Victor)

LIVERPOOL: Silveira (Cancheiro), Fleitas e Traverso; Arsimendi, Hosiris Romero e Laraiti; Oliveira, Erley Perez, Oscar Abreo, Gonzalez e Orlandi

Data: 22 de setembro de 1954, quarta-feira, 16h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre-RS
Juiz: Fortunato Tonelli.
Gols: Tesourinha aos 26, Zunino aos 29 minutos, Vitor aos 36 e Delem aos 42 minutos do segundo tempo

terça-feira, janeiro 18, 2011

A cor do Carro do Renato


Atualmente, a cor do carro do Renato Portaluppi, não é um tema que mereça a atenção da imprensa (Achei apenas uma foto do Renato na frente de uma caminhonete prata). Bem diferente do que acontecia no início dos anos 80.

Em 1983, a revista Placar fez uma matéria (imagem acima) sobre os carros vermelhos de Renato e De León, que derrubavam um "tabu" vigente no Olímpico.

O "manjadíssimo" Passat vermelho voltou a ocupar o noticiário esportivo em 1984. Primeiro a Zero Hora fez uma entrevista com Renato, sentado no capô, com o pé enfaixado e seu inseparável óculos escuros. Poucos dias depois, surgiu o relato (imagem abaixo) de um diálogo entre Koff e o camisa sete, justamente sobre a cor do carro. A resposta de Portaluppi é genial:

Koff: "Não gostei da cor do teu carro. É vermelho."
Renato: "Ora presidente, meu coração é azul. A cor do carro é só para mexer com eles."


sexta-feira, dezembro 17, 2010

A camiseta mais rara


Outro dia conversava numa mesa de bar sobre qual seria a camiseta mais rara do Grêmio. Imediatamente lembrei de uma reportagem feita dentro do avião que trouxe o tricolor de volta de Tóquio em 1995 e nela era mostrado um modelo que havia sido preparado em caso de uma vitória sobre o Ajax.

Pois encontrei no Youtube a reportagem em questão e a camisa aparece muito brevemente, mas é o suficiente para se notar que ela se diferencia da camisa celeste da época não só pela inscrição inspirada nos ideogramas japoneses, mas também pela marca d´água e pelo detalhe da gola.

Será que ainda existe algum exemplar desta camisa?



sexta-feira, novembro 12, 2010

Grêmio com chuteiras da Mizuno em 1995


Um dado que me chama a atenção nessa foto* de Palmeiras 5 x 1 Grêmio (na Libertadores de 1995) é que todos os atletas gremistas estão calçando chuteiras da Mizuno. Bastante contrastante com o que se vê nos pés dos jogadores de hoje, onde já não é mais raro o uso de chuteiras personalizadas (até mesmo por jovens promessas).

Mas essa aparente uniformização das chuteiras do time de 95 não se explica somente pelo menor número de opções da época. Uma reportagem da revista Placar, de novembro daquele ano, fez um perfil de Mitiko Ogura, presidente da Mizuno no Brasil e explicou o modo de atuação da marca japonesa no futebol nacional.

O relação com time gremista de então se explica pelo fato de Mitiko ser sogra do Carlos Miguel. Abaixo alguns trechos desta matéria.


*A foto de Palmeiras 5 x 1 Grêmio foi retirada de uma galeria de fotos do Terra entitulada "Veja as camisas mais esquisitas do futebol brasileiro". Bom, não vou entrar na questão do "mais esquisitas", pois fica na questão da subjetividade.

O problema é a legenda da foto que diz "Em 1995, o Grêmio, que costuma ter camisas listradas com as cores azul, preta e branca, fugiu da tradição e criou uma camisa inteiramente azul clara". Afirmar que o Grêmio fugiu da tradição é um ato de tremenda ignorância da história do clube.

sábado, novembro 06, 2010

75 anos da morte de Eurico Lara


Neste 6 de novembro, completam-se 75 anos da morte de Eurico Lara. Talvez seja uma data completamente inútil, uma vez que se trata do "craque imortal".

Segundo a Placar, foi nesse dia que o Lara "deixou a vida para entrar na história". O chavão até é cabível neste caso, mas o mais importante é ressaltar que o arqueiro sempre foi um mito, mesmo antes de jogar no Grêmio.

As passagens da sua vida ganham ares de lenda. Começando pelo fato de ter se tornado goleiro por acaso. Logo virou "o goleiro que, quando joga, seu time não toma gol".

Ainda na sua Uruguaiana natal, mostrou-se arredio as investidas gremistas (feitas pelo futuro colega Luiz Assumpção), mas acabou vindo parar em Porto Alegre, para tornar-se uma representação do Gremismo dentro e fora do campo.

Para ele, não bastava defender a meta tricolor durantes os 90 minutos. Era preciso mais. Cuidava do gramado da baixada, da bola, do material esportivo e do treinamento dos juvenis. Para completar, morava dentro do estádio gremista. Isso tudo na mais pura acepção da palavra amadorismo.

Tinha autoridade e prestígio suficientes para demover a arbitragem de seus equívocos.

E o mais lendário e conhecido dos seus episódios foi justamente o seu último jogo. Onde as diversas versões não são capazes de dar conta da magnitude do acontecido.

quinta-feira, outubro 21, 2010

Gauchão 1986 - Grêmio 1 x 3 Internacional


O Vidarte postou em seu blog uma listagem (feita por Fábio Mundstock) dos Grenais que Renato jogou como jogador do Grêmio.

Entre esse clássicos, destaco um de 1986, o primeiro Grenal que Renato disputou após ser cortado por Telê da seleção que disputaria a Copa do México.

O jogo era válido pela nona rodada do segundo turno do Gauchão daquele ano. O placar final foi de 3x1 para o Inter. Renato marcou o gol gremista, mas acabou sendo expulso no início do segundo tempo.


Grêmio 1 x 3 Internacional

GRÊMIO: Mazarópi; Raul, Baidek, Luis Eduardo e Casemiro; Bonamigo, Osvaldo e Luis Carlos; Renato, Albeneir e Caio Junior (Sabella)
Técnico: Valdir Espinosa

INTERNACIONAL: Taffarel; Luis Carlos Winck, Pinga, Aloísio e Mauro Galvão; Marquinhos, Airton e Alcântara; Robertinho, Marcelo e Balalo.
Técnico: Otacílio Gonçalves

Data: 11 de maio de 1986
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre - RS
Público: 46.175 pagantes
Renda: Cz$ 802.694,00
Árbitro: Renato Marsiglia
Auxiliares: Celso Pastro e Carlos Kruse
Cartões Amarelos: Luis Eduardo, Renato, Mazaropi e Balalo
Cartão Vermelho: Renato
Gols: Renato, aos 15; Balalo, aos 20 e Aírton aos 42 minutos do primeiro tempo; Marcelo aos 27 minutos do segundo tempo.


Renato explicou o lance da expulsão e garantiu que o fato não tinha nada a ver com um trauma pós corte. Também comentou o seu duelo particular com Mauro Galvão (que era uma constante nos anos 80). Naquela tarde, Galvão foi deslocado para lateral-esquerda com a tarefa de parar o camisa sete gremista.

Em 2012, o juiz do jogo, Renato Marsiglia falou sobre o cartão vermelho para o jornal Zero Hora:

Você expulsou o Renato no clássico 278, em maio de 1986. Lembra?
Marsiglia – Ele tinha amarelo. Depois, empurrou o Robertinho, atacante do Inter, e o jogou no chão. Vermelho. Foi meu primeiro Gre-Nal e me marcou muito. Acho que os outros jogadores pensaram, “se ele expulsou o Renato, um superstar do futebol brasileiro, imagina a gente”. A repercussão no país foi enorme
.




Outro fato curioso foi a entrada de Alejandro Sabella no time do Grêmio na segunda etapa. O argentino sofria com as lesões e a falta de ritmo.


Mas, no fim das contas, Renato deu a volta por cima e o Grêmio se sagrou campeão gaúcho ao vencer o quadrangular final da competição. Renato aproveitou a ocasião para alfinetar Telê e comemorar o título em grande estilo:

"O ponta-direita, por sinal, ainda não se esqueceu de Telê. Nas comemorações nos vestiários, esperou que os microfones das emissoras de televisão e rádio se aproximassem dele. O discurso estava pronto. "O triunfo foi a prova de que time com ponta é campeão", afirmava. "Aquele treinador atrasou o futebol brasileiro em mais de uma década e não ganhou nada. Sou profissional há quatro anos e tenho igual número de títulos."

A bordo de seu Escort XR-3 conversível vermelho, Renato festejou o título estadual percorrendo alguns lugares da noite de Porto Alegre. Ao deixar o apartamento do amigo Moysés e levar para casa Maristela, a noiva e ex-amiga de infância em Bento Gonçalves, entregou-se às delícias da mesa no bem-locatizado e frequentado restaurante Barranco: "Sua carne de ovelha é impecável", sugere o craque." (fonte: Arquivo Gremista)

Link

domingo, setembro 26, 2010

Camisa reserva 1972



Uma das minhas áreas favoritas do memorial do Grêmio é aquela coluna onde estão estampadas diversas caricaturas de jogadores retratando os diversos fardamentos do clube ao longo da história.

Um uniforme que sempre que sempre me intrigou foi este da imagem abaixo. Uma camisa reserva com as três cores na horizontal:


Nas minhas pesquisas, acabei achando uma partida em que o Grêmio usou essa camisa. Foi na vitória de 1x0 contra o América-MG , em 22 de outubro de 1972, no jogo válido pela 13ª rodada do campeonato Brasileiro daquele ano.

O único gol do jogo foi marcado por Norberto "Catarina" Costa, pai de Eduardo Costa.


Grêmio 1 x 0 América - MG

GRÊMIO: Jair; Renato Cogo, Ancheta, Beto e Jorge Tabajara; Jadir e Ivo (Negreiros, intervalo); Mazinho (Norberto 30 do 2t), Lairton, Oberti e Loivo
Técnico: Daltro Menezes

AMÉRICA-MG: Elcio; Augusto, Vander. Luiz Alberto e Cláudio; Pedro Omar e Juca Show; Ely, Iaúca (Cândido 15 do 2T), Hélio e Tião
Técnico: Yustrich

Campeonato Brasileiro 1972
Local: Estádio Olímpico
Renda: Cr$ 72.344,oo
Juiz: José Mário Vinhas
Auxiliares: Luiz Torres Roque José Gallas
Gol: Norberto, aos 45 minutos e 30 segundos do segundo tempo



As imagens são da Zero Hora e da Folha da Tarde.

quarta-feira, novembro 14, 2007

Grêmio x Flamengo - Brasileiro 1982



A narração do lance, feita por Luís Roberto da Rede Globo, é por demais tendenciosa (Pra não dizer mentirosa) . Não só a bola entrou como também Andrade usou o braço para tentar salvar o gol. Na imagem da para ver o jogador do Grêmio que está mais perto da marca do pênalti pedindo o toque do mão. No vídeo da partida, com o som original, dá pra ouvir a torcida do Grêmio gritar "Ladrão" em uníssono.

No seu livro "Grêmio: Nada pode ser maior" Eduardo "peninha" Bueno relembra esse lance:

"Foi marcado, então, um jogo-extra. E o Grêmio trucidou de novo. Mas descuidou-se e levou um no contragolpe. Faz parte do jogo e, outra vez, o Grêmio não reclamaria. Mas depois que Andrade, tirou uma bola com a mão de dentro do gol e Scolfaro, o juiz zarolho, fez de conta que não viu, aí não deu mais para ficar calado. De novo, veja na TV e me diga se estou inventando"

O site da revista Mundo Estranho da editora abril, ouviu jornalistas e ex-árbitros que consideraram esse o 8º maior erro de arbitragem de todos os tempos:

"O tricolor gaúcho buscava o gol do empate — e do título — quando o centroavante Baltazar cabeceou no alto do gol flamenguista. Para impedir o tento, o rubro-negro Andrade meteu a mão na pelota. Pênalti? Não para o juizão Oscar Scolfaro, que mandou o jogo seguir dizendo que o toque foi do goleiro Raul. Mas, como a gente vê na imagem, o arqueiro estava caído na hora do lance.."



Andrade, deu a seguinte declaração em 2009: "Eu pensei em retirar a bola com mão" [...] "pra te dizer a verdade eu não sei o que aconteceu, eu não sei se eu levei a mão na bola ou se eu fui com a bola realmente de/com a cabeça"

Grêmio 0 x 1 Flamengo

GRÊMIO:Leão, Paulo Roberto, Newmar, De León e Paulo César; Batista, Paulo Isidoro e Vílson Tadei; Renato, Baltazar (Paulinho) e Tonho (Odair).
Técnico: Ênio Andrade

FLAMENGO: Raul, Leandro (Antunes), Marinho, Figueiredo e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes (Vítor) e Lico.
Técnico: Paulo César Carpegiani

Campeonato Brasileiro 1982 - Final
Data: 25/abril/1982
Local: Olímpico (Porto Alegre-RS);
Juiz: Oscar Scolfaro (SP);
Público Presente: 62.256 espectadores;
Cartão Amarelo: Newmar, Tonho, Nunes e Lico;
Gol: Nunes 10 do 1º tempo;



terça-feira, setembro 25, 2007

77 - Reconquista

30 anos do gauchão de 1977, Todo mundo sabe das histórias. Do sofreimento, do salto "quase" mortal de André Catimba, do Oberdan, da invasão de campo. O que pouco se fala é do treinador. Com justiça se diz que o Grêmio é identificado com técnicos gaúchos, alguns chegam a defender que só gaúchos deveriam treinar o Grêmio. Telê Santana, juntamente com Evaristo de Macedo, é um dos "extrangeiros" que marcaram época no Grêmio.

Yura deu um importante depoimento no livro "até a pé nos iremos" : "Aí mudou em 77, quando chegou o Telê. Foi um dos maiores treinadores. Tudo que o Grêmio tem foi graças ao Telê. O Telê modificou a alimentação, modificou os treinamentos, modificou o comportamento dos jogadores, o comportamento dos diretores. Ele mostrou que era preciso ser profissional. Antes, nós não tinhamos direito a discutir nada, era tudo de cima para baixo. E aí chegou o Telê e modificou tudo, começou a conversação, o Telê dava liberdade.

Éder e Yura voltam a dar depoimento parecido na Zero Hora de hoje, transcrevo aqui o texto coloco aqui as fotos do site da Zero Hora.

1977: O ano do renascimento
Gol de André Catimba determinou o fim da série de oito títulos gaúchos consecutivos conquistados pelo Inter

O apito do árbitro mal havia terminado de trilar e Tarciso chorava, as mãos para o céu em um misto de protesto e raiva. O Inter ganhara por 2 a 0 mais um Gre-Nal, o da decisão de 1976. Era campeão gaúcho pela oitava vez seguida. Situação insustentável, imaginou o flecha negra, o que justificava plenamente a heresia a seguir.

- Mas será que não tem justiça nessa vida? Eu treino, corro, apanho do Figueroa e não adianta? Será que eu nunca vou ganhar deles e ser campeão? Será que Deus existe mesmo?

Pelo que se viu no ano seguinte, em 1977, a ira santa de Tarciso deu resultado. Porque eles começaram a chegar: Éder, a bomba mineira de Vespasiano. Tadeu Ricci, parceiro de Zico do Flamengo. Ladinho, o maior lateral da história do Atlético-PR. André, centroavante experiente, matador, matreiro. Oberdã, o xerife que chegou fincando placa de propriedade na área do Grêmio. Todos estes se juntaram aos vaiados Ancheta, Iúra e Tarciso para formar um esquadrão lendário sob o comando do não menos lendário Telê Santana. E o Grêmio nasceu. Ou renasceu, para não arrumar briga com os historiadores. Sim, porque depois daquele 25 de setembro, há 30 anos, foi moleza: campeão brasileiro em 1981, da Libertadores e do Mundo em 1983, a fartura dos anos 90. Mas na década de 70, não. Era preciso suar sangue para ganhar do Inter. Era preciso recomeçar. Por isso nada era mais importante para o Grêmio do que o Gauchão de 1977.

- Com o Telê, o Grêmio adotou métodos profissionais. Os resultados apareceram - diz Iúra, um ex-vaiado convertido em símbolo de raça.

Eram 42 minutos do primeiro tempo quando Tarciso bateu falta pela direita. O Olímpico silenciou. A bola sobrou para Tadeu Ricci, que atraiu a marcação de Caçapava e Gardel e enfiou entre os dois. Quando André Catimba ajeitou o corpo, o tempo parou. De pé trocado, lado esquerdo da área, ele encontrou o ângulo direito. Grêmio campeão, 1 a 0, enfim.

André saltou de alegria. Era para ser um salto mortal, mas o baiano de olhos verdes se espatifou feito saco de batatas: abriu uma distensão, uivou de dor, saiu de campo. Mas e daí? Lá estava Benitez - o paraguaio cortejado pelo Grêmio meses antes - agachado, olhar perdido. Vencido. Jair, Batista, Marinho Perez, Valdomiro, Caçapava. Eles iam perder. André Catimba: foi ele quem fez os colorados sorverem o cálice de fel após oito anos.

Hoje, exatamente hoje, há 30 anos.


DIOGO OLIVIER

A mira de Éder e o salto de André

Trinta anos depois, ficaram as histórias fantásticas, algumas inéditas, de um time que se tornou uma família. Ancheta cansou de reunir os companheiros em casa, para um bom churrasco, enquanto ensaiava os primeiros agudos como cantor de bolero. O técnico Telê Santana pendurava um pneu em uma corda e mandava Éder atravessá-lo com seu míssil de canhota. Era preciso força e direção no chute, conforme ficou provado na estréia do Brasil na Copa de 1982, quando nem o vôo de Dasaev impediu o golaço de fora da área contra a União Soviética. Telê conhecia Éder muito bem. Trouxe a promessa do América-MG com 19 anos.

- Éder, o seu Telê está chamando - disse o supervisor Antônio Carlos Verardi, lá pelos idos, claro, de 1977.

- Mas agora, no meio do banho? - resmungou Éder.

- Só sei que ele mandou te chamar. Acho melhor tu ir - devolveu Verardi.

Trinta anos depois, Éder sorri com a lembrança.

- Eu não tinha treinado falta naquele dia. Saí do banho, fardei de novo e fui mirar o pneu. O seu Telê era assim. Por isso a gente ganhou daquele timaço do Inter - diz Éder.

E tinha também a concentração dois dias antes. Se o jogo era domingo, na sexta-feira estavam todos no Olímpico. Como havia rodada no meio da semana, o esquadrão de 1977 praticamente morava nas imediações da Azenha.

- É que o Éder dava muito trabalho. A gente tinha que ir atrás dele nas boates, aí o seu Telê nos trancava - diverte-se André Catimba, ex-motorista de táxi, ex-funcionário do Polo Petroquímico de Camaçari, ex-técnico e, agora, representante de vendas.

Pai de quatro filhos, André ganhou dinheiro no Olímpico. Comprou carro e apartamentos em Salvador, onde mora até hoje. Mas o espírito boêmio e a paixão pelo jogo criaram o ralo por onde escoou a estabilidade financeira conquistada graças aos gols e habilidade ímpar com a bola nos pés. O então presidente Hélio Dourado o convidava para tomar uísque na sala da presidência, disposto a mantê-lo, ao menos, dentro de casa.

- Não lembro de ter pulado tão alto em minha vida - suspira André.





Zerohora.com resgata a íntegra do texto publicado em Zero Hora no dia 26 de setembro de 1977.

Grêmio campeão com o gol de André

Os oito anos de sofrimento do Grêmio terminaram com o time de Telê Santana vencendo o Inter por 1 a 0, ontem no estádio Olímpico. Mas a festa que a torcida do Grêmio esperava fazer não pôde ser como ela queria. O jogo foi interrompido aos 42 minutos do segundo tempo, houve invasão de campo e o Inter acabou se retirando do estádio, depois de ter jogadores agredidos, alegando que não havia condições de segurança para a partida chegar a seu final.

O jogo não teve a movimentação técnica de outros Gre-Nais, nem chegou a ter jogadas, empolgantes, com freqüência. Teve duas características, ditadas pelo gol de André. O Inter começou mais cauteloso, fazendo questão de prender a bola e só indo à frente com segurança. O Grêmio mostrava mais força ofensiva, embora no início sentisse a marcação por pressão do adversário.


Como maior preocupação defensiva Gardel em cima de André (Marinho sobrava),
Vacaria matava Tarciso com a ajuda de Caçapava, enquanto o resto marcava por setor. Mesmo assim o Grêmio levava ligeira vantagem tática, pois a movimentação e postura de seus jogadores era melhor. Tanto que ia à frente com mais perigo do que o adversário. No entanto, o primeiro lance perigoso de gol só foi ocorrer aos 19 minutos. Caçapava demorou para sair com a bola da defesa, Éder recebeu um passe de Iura e chutou forte para Benitez fazer boa defesa.

Aos 22 minutos o Grêmio teve uma grande chance de abrir o marcador, quando Gardel colocou a mão na bola dentro da área, em jogada que sua defesa tinha dominado, assustado com a proximidade de André e Éder. O juiz assinalou, os jogadores do Inter reclamaram muito, fizeram catimba,
mas Luis Torres confirmou o pênalti. Tarciso, encarregado da cobrança, chutou forte, mas seu pé bateu no chão e a bola desviou para fora, pelo lado esquerdo de Benitez, que saltara para o canto direito.

O pênalti perdido deu moral ao Inter, sua torcida começou a gritar. Mas o Grêmio era melhor em campo e numa jogada rápida, acabou fazendo seu gol. Aos 42 minutos, Tarciso bateu uma falta pela direita, a bola veio para Tadeu que fez um "corta-luz" levando o seu marcador. Iura, com a bola, atraiu a marcação de Caçapava e Gardel e deu para o lado esquerdo onde entrava André. O centroavante ainda trocou de pé e chutou forte, bem colocado, no ângulo direito de Benitez que pulou inutilmente. Aí o trabalho do Grêmio foi só esperar terminar o primeiro tempo.

Para o segundo, em desvantagem, o Internacional voltou mais ambicioso, enquanto era a vez do Grêmio prender a bola, segurar o resultado. Buscando mais força, Gainete tirou Bereta (Batista foi para lateral), entrando Jair e Santos saiu para Dario entrar. O Inter foi cercando, Telê colocou Alcindo no lugar de André, que se lesionara na comemoração do gol. Depois foi a vez de Wilson substituir Iúra o Grêmio foi dando cada vez mais espaço ao adversário, enquanto esperava o tempo passar.

O clima do jogo ficou muito nervoso alguns jogadores já deixavam a bola para ir com mais violência no adversário. Mas Luis Torres ainda controlava as ações. Éder já tirava bola em sua área pelo lado direito, o Grêmio ia recuando, tentando jogar em contra-ataques, uma tática que sempre deu os melhores resultados contra mesmo adversário. A defesa do Inter avançava, procurando se juntar ao ataque. O tempo ia passando, entrou nos 15 minutos finais, quando começou, pouco a pouco, a invasão de campo pelos torcedores. Primeiro os do Grêmio, eufóricos com a vitória. E a invasão de campo aconteceu porque a torcida achou que a partida estava terminada, quando o juiz paralisou uma jogada aos 42 minutos. Houve invasão geral, alguns jogadores do Inter brigaram com torcedores, acabou abandonando o estádio a partida teve de ser suspensa. O Grêmio fez sua festa, só não pode complementá-la, embora a euforia dos torcedores fosse justa, o time jogou melhor, merecia sair vitorioso. Teve a melhor campanha do campeonato, foi o melhor no Gre-Nal da decisão. Agora a questão se transfere para os tribunais, o Grêmio com a garantia de ter vencido dentro de campo, enquanto o Inter desesperado vai tentar mudar o resultado no TJD. E só se consola em ter prejudicado a grande comemoração do adversário.

GRÊMIO: Corbo, Eurico, Cassiá, Oberdan, Ladinho, Vitor Hugo, Tadeu, Iúra (Vilson), Tarciso, André (Alcindo) e Éder.
Técnico: Telê Santana

INTER: Benitez, Beretta (Jair), Gardel, Marinho, Vacaria, Caçapava, Batista, Escurinho, Valdomiro, Luisinho, Santos (Dario).
Técnico: Gainete

Arbitragem: Luis Torres, auxiliado por Adão Alipio Soares e Paulo Serafim.
Local: Estádio Olímpico.
Público: 57.186 pagantes

Renda: CR$ 1.642.960,00


Paulo Sant'Ana

Enfim campeão

O Grêmio é o legítimo campeão de 1977. Venceu ont
em o quarto Gre-Nal deste ano. Marcou nas suas quatro vitórias incontestáveis sobre o Internacional 8 gols. Sofreu apenas 3 do seu adversário. Em apenas 3 minutos de jogo o Internacional não poderia ontem desfazer a vitória gremista. André acertou bem o pé e fez o que já é normal fazer este ano: gol da vitória do Grêmio sobre o Internacional.

Campeão o Grêmio, Luiz Torres esperou 30 minutos para que o Internacional voltasse. Foi pública a espera de Torres e outra coisa ele não poderia ter colocado na súmula senão o abandono do Internacional do campo de jogo. Apesar dos acontecimentos lamentáveis de ontem, o Grêmio é o campeão legítimo. Provou no campo.


Não ontem. Mas no quatro Gre-Nais que venceu: 3 a 0, 2 a 1 e 1 a 0.

Chega? Ou vão fazer o Grêmio jogar mais Gre-Nais? Não poderão haver outros resultados que não sejam vitórias do Grêmio. Porque aquilo que venho dizendo há meses é a única verdade: o Grêmio é melhor.


A invasão acontecida ontem no Olímpico é comum em todas as decisões. Em 1969 houve invasão no Beira-Rio. Em outros Gre-Nais aconteceram, por ocasião de decisões — e até mesmo em Inter x Gaúcho, invasões no Beira-Rio. Nem por isso os times visitantes, entre eles o Grêmio, se retiraram. Se Luiz Torres foi agredido, como sugere uma foto, aquela agressão só poderia ter partido de um torcedor do Internacional. Aos torcedores do Grêmio não interessava a paralisação da partida. O Grêmio vencia com um gol de André e com um pênalti perdido por Tarciso.

Mas o que interessa é o futebol. E o que se viu foi uma única equipe organizada em campo. O que se viu foi um único time à procura do gol. O Gre-Nal de ontem acima de tudo provou que não há remédio para o Internacional que seja a reconstrução do seu time, em cima da contratação de novos valores. Joguem-se quantos Gre-Nais quiserem jogar, o Grêmio os vencerá sempre. É mais time, tem mais estrutura. E só não vê quem não quer ver: só o Grêmio tem treinador à altura de um componente da dupla Gre-Nal

Terminou o campeonato. Venceu o melhor. Perdeu apenas um turno e assim mesmo aos 91 minutos de um Gre-Nal em que o Grêmio não teve o seu centroavante titular. Todas as quatro vezes que o Grêmio teve ou André ou Alcindo, venceu os clássicos. Perdeu um com os reservas. Mas time contra time, jogador por jogador, parece claro a todos a quem só interessa a discussão sobre futebol que o Grêmio é um oceano de diferença mais time que o Inter.


Ontem foi o coroamento da campanha mais especular de um time nos últimos anos em nosso campeonato. Defesa menos vazada, ataque mais positivo, marcando a impressionante soma de 65 gols, em tudo e por tudo a torcida merece a grande comemoração de ontem em todo o Estado e na capital, que ainda hoje é vista em todos os cantos. O Grêmio melhor e volta para o pedestal da vitória. Parabéns a Telê, a
Dourado, a Olmedo, aos jogadores e à torcida, que foi maior também em arrecadações. Vibra o Rio Grande gremista, o Grêmio se reencontra com o seu destino de grande campeão, uma equipe capaz do recorde de não ter contra sua meta ou sua linha de fundo uma bola sequer chutada pelo Internacional no Gre-Nal de 2 a 1, primeiro tempo, e uma só bola chutada por Valdomiro, assim mesmo de falta, na primeira etapa de ontem. O resto é conversa e reação, já esperada por mim, no sentido, de contestar o Grêmio. Mas não se pode contestar o melhor.