sábado, fevereiro 08, 2014

Torneio início 1963 - Grêmio 0x0 Inter



Amanhã teremos o primeiro Gre-Nal de 2014. Pro meu gosto, o clássico foi mais uma vez marcado demasiadamente e desnecessariamente cedo na temporada. Importante lembrar que os titulares do Grêmio farão apenas a sua quarta partida no ano, enquanto a equipe principal do Inter entrará em campo pela segunda vez desde o início do campeonato. Entendo que assim se corre o risco de banalizar o clássico, que já não é a única ou principal preocupação das equipes. Grêmio e Inter tem objetivos maiores para o ano, e desse modo, é perigoso deixar o Gre-Nal perdido entre outros compromissos.

Claro que a situação nem sempre foi assim. Houve um tempo que boa parte do calendário das equipes era ocupada pelos confrontos regionais e não era nenhum absurdo termos um Gre-Nal amistoso sem uma ocasião especial. Pesquisando imagens para o futebolgaucho.tumblr.com eu me deparei com um clássico válido pelo torneio início de 1963. Pra quem não sabe, os torneios início eram comumente  disputados num único dia, num único estádio, em jogos de curta duração para celebrar o começo dos campeonato estadual.

O torneio início de 1963 foi disputado no Olímpico no dia 2 de junho. Grêmio e Inter fizeram a final num jogo de apenas 40 minutos, que terminou em 0x0. O Grêmio ganhou nos pênaltis, com um detalhe curioso. O sistema de cobranças era diferente do habitual de hoje em dia. Um jogador de cada time executava três cobranças. O colorado Paulo Araújo errou todos os seus chutes (Alberto fez duas defesas e uma cobrança foi pra fora). O meio campista tricolor Alexandre conseguiu converter uma das suas 3 cobranças e deu a vitória ao Grêmio, num clássico que não costuma entrar nas contagens "oficiais".


"A mediocridade dominou o espetáculo, em suma, para a estupefação de quantos a ele assistiam, sabedores todos que havia dentro do campo jogadores que, somados, representavam centenas de milhões de cruzeiros, para não falar nos milhões que se sentavam nos bancos de reservas de um e outro lado do campo!

O jogo na verdade, não chegou a tomar feição, definindo-se a favor de uma ou outra das equipes. Tão fracionado, tão truncado andou por um juiz que se constituía na sua maior "vedete" que sobre tempo, nas suas duas partes de vinte minutos, para que os conjuntos chegassem a desenvolver um futebol que permitisse ao crítico a formação de um juízo criterioso em torno e seus valimentos e de suas deficiências." (Lourival Vianna, Folha Esportiva, 3 de junho de 1963)

Grêmio 0x0 Inter (Nos pênalti, Grêmio 1x0)

GRÊMIO: Alberto; Renato, Airton, Altemir e Ortunho; Alexandre e Milton; Madureira, Joãozinho, Lumumba e Vieira
Técnico: Sérgio Moacir Torres Nunes

INTER: Beno; Zangão, Ari, Osmar e Gilberto; Paulo Araújo e Gaspar; Sapiranga, Hélio, Flávio e Gilberto Andrade
Técnico: Antônio Carlos Mendes Ribeiro

Torneio Início 1963
Data: 2 de junho de 1963
Local: Estádio Olímpico
Juiz: Bernardo Torres

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

Gauchão 2014 - Grêmio 1x0 Veranópolis


E o time titular do Grêmio fez mais uma partida fraca pelo campeonato gaúcho. Ainda é muito cedo na temporada, ainda faz muito calor no Rio Grande do Sul, mas ainda assim o tricolor foi demasiadamente apático contra um Veranópolis que, na melhor das hipóteses, mostrou alguma competência para defender. O time gremista até buscava o gol, mas fazia isso sem velocidade ou força. Ademais a equipe carecia de maior movimentação. Um exemplo disso ficou claro num lance do primeiro tempo, quando Edinho tentou uma virada para Pará, mas o volante acionou o colega no ponto futuro, enquanto o lateral permaneceu no mesmo local que se encontrava. Durante boa parte do jogo o Grêmio se limitou a irritantes chuveirinhos na área, sem que houvesse ao menos um posicionamento para aproveitar o rebote, visto que os defensores do VEC costumavam afastar o perigo.

O panorama só foi alterado após as entradas de Jean Deretti e Luan, que deram um mínimo de velocidade e ímpeto ao ataque do Grêmio. Aos 28, Luan partiu para o contra-ataque, passou pelo goleiro Rodrigo Rocha que havia abandonada a meta, mas demorou muito para definir a jogada (últimas duas fotos abaixo). No lance seguinte, Zé Roberto cobrou falta na área, Rhodolfo desviou de cabeça e Barcos completou para as redes. 1x0, que talvez tenha sido muito mais do que o Grêmio merecia.


Talvez seja prematuro fazer diagnóstico, mas me parece que falta velocidade ao time do Grêmio. Fica muito difícil competir no futebol moderno com a cadência que o tricolor vem apresentando. Mas é importante lembrar que o jogo rápido não é atingido somente com atletas que corram em alta velocidade. Ex: Kléber,  que tem se arrastado em campo e foi duramente vaiado ontem, formou um ataque bastante veloz com Thiago Ribeiro e W.Paulista no Cruzeiro em 2009/2010.

Muito legal essa iniciativa de dar desconto no estacionamento para carros com mais passageiros. Se justifica pela greve dos rodoviários, mas poderiam estudar a manutenção dessa promoção (talvez em outros patamares) para o restante do ano.

Uma das grandes vantagens da Arena é facilidade para ingressar e sair do estádio. Entendo que queira se poupar custos em jogos de menor público, mas não faz o menor sentido bloquear a metade das rampas (que se reduza o nº de funcionários por rampa então) e fechar boa parte dos portões (esses sem qualquer aviso anterior). Tal medida antes de ser econômica, é um subaproveitamento do estádio,  lembrando aquela velha analogia de querer colocar um motor de Fusca numa Ferrari.

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net) e André Kruse

Grêmio Grêmio 1x0 Veranópolis Veranópolis

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Rhodolfo, Bressan e Wendell; Edinho (Riveros, 22'/2º), Ramiro, Zé Roberto e Maxi Rodríguez (Jean Deretti, intervalo); Kleber (Luan, 14'/2º) e Barcos.
Técnico: Enderson Moreira

VERANÓPOLIS: Rodrigo Rocha; Fininho (Gasparetto, 27'/2º), Léo Dagostini, Douglas Assis e Romano; Marcos Rogério (Juninho, 35'/2º), Glauber, Bruno Coutinho (Soares, 24'/2º) e Eduardinho; Lê e Juba.
Técnico: Julinho Camargo

06º Rodada - Campeonato Gaúcho 2014
Data: 05 de fevereiro de 2014, quarta-feira, 19h30min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre-RS
Público: 7.283 (5.895 pagantes)
Renda: R$ 156.767,00
Árbitro: Fabrício Neves Corrêa
Auxiliares: José Antônio Franco Filho e José Eduardo Calza
Cartões amarelos: Marcos Rogério, Léo Dagostini (V), Rhodolfo (G)
Gol:
Barcos, aos 29 minutos do segundo tempo.

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Nem Tudo é Gre-Nal - 4º Curta - "Além do Rio Grande"



No sábado passado a RBS TV passou o quarto e último capítulo da série "Nem tudo é Gre-Nal". O tema dessa vez foi "Além do Rio Grande", que aborda a relação do futebol gaúcho com a seleção brasileira e pode ser visto nos vídeos acima ou no seguinte link.

Achei muito acertada a escolha dos fatos históricos contados no programa. De fato o Pan-americano de 1956 e o jogo entre a seleção Gaúcha contra a seleção do Zagallo em 1972 são os exemplos mais extremos dessa relação atribulada, conflituosa que o futebol gaúcho tem com a CBF.



"Renato comentou o fato de que em cinco jogadores afastados três são gaúchos afirmando que, infelizmente "a gente mora no cantinho do País"" (Zero Hora 3 de maio de 1986)


"Telegrama do prefeito Alceu Collares para o presidente da CBF, Otávio Pinto Guimarães: "Lamentamos profundamente o corte de Gilmar, Renato e Mauro Galvão. Caracteriza-se inaceitável discriminação contra o vitorioso futebol do Rio Grande". (Zero Hora 3 de maio de 1986)


"o técnico Rubens Minelli também critica a dispensa de Renato: Ele foi um dos principais articuladores das jogadas que nos deram os gols contra a Bolívia e Paraguai nas eliminatórias.

[...]

Hans Hening, um dos principais colunistas espanhóis, escreveu: "agradeço a Telê, em nome dos espanhóis, o corte de Renato" (Zero Hora 3 de maio de 1986)



"O treinador Telê Santana deu ontem as primeiras justificativas para os cortes, mas sem entrar em detalhes individuais. Entretanto, deu a entender que a dispensa de Renato não se deve unicamente a motivos técnicos: "O afastamento de um jogador não se dá apenas por critérios técnicos" - afirmou, sem referir-se respectivamente a nenhum jogador. Esclareceu, apenas, que o corte de Gilmar foi determinado pela opinião do treinador de goleiro, Valdir Moraes." (Zero Hora 3 de maio de 1986)


segunda-feira, fevereiro 03, 2014

Gauchão 2014 - Juventude 1x1 Grêmio


Depois da estréia no domingo passado, os titulares do Grêmio voltaram a campo contra o Juventude em Caxias. Contra o Aimoré o tricolor deixou boa impressão, mas o mesmo não aconteceu ontem, quando a atuação, na melhor das hipóteses, pode ser classificada como irregular. Nos primeiros lances o time chegou no ataque e deu a falsa impressão que poderia ter o controle da partida. Mas o Juventude abriu o placar cedo, no desvio de cabeça de Zulu no chute Diogo Oliveira, que tinha apanhado sozinho o rebote de um escanteio.

A partir daí o Grêmio esteve muito mal, não conseguindo articular jogadas, se vendo uma sucessão de jogadas bisonhas dos atletas gremistas. Pra completar o quadro ruim, o time parece sem força o suficiente para parar o Juventude. Por sorte o placar permaneceu no 1x0 até a meia hora final do jogo, que foi onde o tricolor de fato a mostrar algum empenho futebolístico. O time parece ter aguardado ter sombra no gramado para começar a jogar e assim conseguiu ocupar o campo de ataque.  Aos 30 minutos, Wendell fez boa jogada pelo meio, servindo Jean Deretti e aparecendo dentro da área para pegar o rebote do goleiro Fernando. No final o Grêmio chegou a ensaiar uma pressão, tendo Bressan acertado o travessão numa cabeçada, mas o 1x1 acabou sendo mais justo pela apatia e desencontro mostrados pelo time durante toda a primeira hora de partida.

 

É demasiadamente cedo na temporada e por isso as oscilações são esperadas. E nesse verão parece ser justo encarar o "torcedor compreensivo" e dar um desconto devido ao calor.

Gostei da autocrítica feita pelo Enderson Moreira. Pode ser pouco, mas já é um começo.

Kleber esteve abaixo da crítica. Demorou a ser substituído.

Wendell apareceu bem (não na jogada do gol) e Deretti consegui ajudar o time com sua entrada. E penso que, por uma questão de ritmo, preparo e movimentação que os atletas apresentam nesse momento, o Riveros não pode ser reserva.

O arremesso de rojões para dentro de campo se constituem num fato muito grave. Um fato para policia investigar. E, ainda que se reconheça que se possa ter implicações em outras esferas, não consigo entender porque sempre se cogita primeiro (ou apenas se cogite) a punição desportiva para o clube. As medidas mais rápidas nem sempre são as mais justas e eficazes. A propósito, como anda a questão do torcedor que jogou um rojão no Olímpico no Gre-Nal do Brasileirão de 2012? Ele foi investigado? Foi processado? Segue integrando o quadro social do Grêmio? Tem frequentado estádios? Está pagando pelo prejuízo que o Grêmio teve? 

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net)

Juventude Juventude 1x1 Grêmio Grêmio

JUVENTUDE: Fernando; Rafael Pereira, Héverton, Diogo e Julinho; Leandro Melo, Mika, Jardel e Diogo Oliveira (Juliano, 20'/2ºT); Douglas e Zulu
Técnico: Geraldo Delamore

GRÊMIO: Marcelo Grohe; Pará, Rhodolfo, Bressan e Wendell; Edinho (Riveros, 26'/2ºT), Ramiro; Zé Roberto e Maxi Rodríguez (Jean Deretti, 20'/ºT); Kleber (Paulinho, 41'/2ºT) e Barcos
Técnico: Enderson Moreira

5ª Rodada - Campeonato Gaúcho 2014
Data: 02 de fevereiro de 2014, domingo, 17h00min
Local: Estádio Alfredo Jaconi, em Caxias do Sul.
Arbitragem: Francisco dos Santos Neto
Auxiliares:  Tatiana Jaques de Freitas e Marcelo Oliveira e Silva.
Cartões amarelos: Rhodolfo, Bressan (G); Diogo Oliveira (J)
Gols: Zulu (J), aos 13 min do primeiro tempo; Wendell (G), aos 30 min do segundo tempo.

sábado, fevereiro 01, 2014

Nem Tudo é Gre-Nal - 3º Curta - "Peleia Gaúcha"



No dia 25 de janeiro, sábado passado, a RBS TV exibiu o 3º curta da série "Nem tudo é Gre-Nal". O tema desse episódio é "Peleia Gaúcha" e pode ser visto no vídeo acima (ou neste link). Eu sempre acho interessante observar como o time treinado por Foguinho foi paradigmático na história do Grêmio e do próprio futebol gaúcho.

Creio que é importante frisar que a idéia de time que Foguinho aplicou no Grêmio nos anos 50 não era a mera repetição do que ele fez na sua época de jogador. Houve uma nítido aprimoramento nos seus conceitos, com um importante intercâmbio. No final de 1953, início de 1954, Foguinho era o treinador do Cruzeiro de Porto Alegre que excursionou pela Europa. Lá ele conseguiu absorver importantes evoluções nas equipes europeias (algo que, segundo ele, os seus pares no Brasil não conseguiram ver nos atletas "cansados do pós-guerra" que se apresentaram na Copa de 1950).


 E a partir dessas observações é que ele acabou revolucionando o futebol local. Destaquei algumas declarações que sintetizam que ideias eram essas:

Frase de Foguinho, resumindo que características esperava ver nos seus jogadores:

"Precisamos de jogadores que resistam a todos os choques, que sejam velozes do primeiro ao último minuto." (Revista Grandes Clubes Brasileiros - Grêmio - nº 7 - 1971)

Outra depoimento interessante é a de Milton Kuelle sobre o estranhamento inicial que o conceito de futebol do Foguinho teve no estado:

"Ninguém estava preparado no início para o novo tipo de futebol proposto pelo Foguinho, realmente, nem mesmo o próprio Grêmio. Mas aquele tipo de jogo - forte, de muita velocidade, movimentação constante e até o fim, marcação mais severa - era o único jeito de desmoronar com a técnica do Inter, que de fato era superior"

 "O fato é que o Foguinho fez um selecionamento de mão-de-obra a partir das suas ideias pessoais sobre futebol, escolhendo aqueles jogadores que pudessem assimiliar, aceitar e realizar seu esquema de jogo, sempre com muito sacrifício pessoal" (Depoimento de Milton Kuelle a Cláudio Dienstamann publicado na Zero Hora em julho de 1983)

Um outro elemento que eu acho muito curioso, é o fato de que o maior ícone desse time de força e velocidade Foguinho ter sido Airton Ferreira da Silva, um zagueiro que se destacava pela técnica e pelas jogadas de efeito. Um exemplo  típico dessa característica do Grêmio de ser singular e não se importar em ir contra a corrente.