domingo, julho 21, 2013

Brasileirão - Criciúma 2x1 Grêmio



 O Grêmio teve mais um atuação irregular no campeonato na partida de ontem. O time começou mal no confronto, entrando na correria promovida pelo time da casa. Apesar do tricolor ter conseguido três conclusões nos minutos iniciais (as três de Matheus Biteco) era o Criciúma que dominava as ações, tendo inclusive marcado um gol, que foi (corretamente) anulado. Mas na metade da primeira etapa Matheus Biteco foi expulso por tentar acertar um adversário que o acossava com insistência, mesmo após o apito do juiz. Na sequência, Wellington Paulista colocou os mandantes em vantagem, ao tomar a frente de Cris e cabecear no canto de Dida. O cenário não era bom para o Grêmio, mas o time reagiu e passou a ter outra atitude em campo. Aos 37 minutos, Ramiro aproveitou uma bola recuperada no campo de ataque e lançou Zé Roberto, que com categoria tirou do goleiro para anotar o gol de empate.

No segundo tempo o Grêmio parecia não sentir a desvantagem numérica e dava a impressão que poderia chegar a virada. Mas essa sensação durou até os 8 minutos, pois Vargas foi expulso por uma agressão vista pelo bandeirinha, num lance em que o próprio "agredido" deu as costas e saiu caminhando da suposta confusão. Com 11 contra 9 o Criciúma conseguiu voltar a se impor e passou a jogar exclusivamente no campo de ataque. O Grêmio se defendia bem, mas não tinha desafogo em razão da inferioridade numérica. Bressan salvou uma bola em cima da linha, mas aos 29 minutos não houve como a defesa do Grêmio impedir que Matheus Ferraz marcasse o 2x1 para o Tigre. Nos minutos finais o tricolor voltou a atacar e conseguiu pressionar, obtendo uma série de escanteios, faltas laterais e perdendo uma grande chance com Kléber, aos 44 minutos do segundo tempo.

Numa simplificação, poderia dizer que o Grêmio jogou mal com 11 jogadores, jogava bem com 10 e fez o que foi possível com 9 em campo.


As atitudes de Matheus Biteco e Vargas foram bobas, lances que poderiam e deveriam ter sido evitados. Mas qual era a punição correta para as jogadas?

A regra do jogo impõe o cartão amarelo para o jogador que "for culpado de conduta antidesportiva". Já o cartão vermelho é a medida aplicável para o atleta que "for culpado de jogo brusco grave ou de conduta violenta". Em quais dessas hipóteses se encaixam os lances de Vargas e M. Biteco?

Segundo as atuais recomendações da Fifa, disponibilizadas no livro de regras publicadas pela CBF, o  conduta violenta ocorre quando o jogador emprega "força excessiva ou brutalidade contra um adversário com a bola fora de disputa". Houve força EXCESSIVA na jogada? Houve BRUTALIDADE?

Outra orientação interessante do livro de regras é a seguinte: "No caso de contato físico, o árbitro deverá considerar atentamente a alta probabilidade de que tenha sido cometida uma conduta antidesportiva" (página 87).

Não quero isentar os jogadores de responsabilidade, mas creio que as expulsões foram uma medida exagerada (diante do contexto do jogo de chuva e campo pesado) e pouco criteriosa (Daniel Carvalho deu uma gravata em Pará e sequer foi advertido verbalmente).


O campeonato brasileiro não é sério. Estamos apenas na 8ª rodada e já temos interferência indevida do STJD e roubalheira na arbitragem. E vemos esses elementos presentes em todas as edições da competição. Mas estranhamente, aqui no Rio Grande do Sul só se costuma lembrar do Zveitaço/Márcio Rezende de Freitas em 2005.

E são esses pontinhos tirados na mão grande que acabam decidindo o título. Teorias conspiratórias à parte, é revoltante que não se invista mais tempo e dinheiro para resolver o crônico problema da arbitragem no Brasil. Não é possível que alguém esteja contente com o status quo.

Acho curioso que o mesmo bandeirinha que não viu (ou viu e ficou quieto) um desvio numa conclusão de M. Biteco aos 19 do primeiro tempo tenha conseguido enxergar e interpretar tudo o que aconteceu entre Vargas e Amaral no segundo tempo.

Renato pode ter razão em reclamar do local do hotel e do deslocamento da delegação gremista. Contudo, creio eu que ele deveria fazer essa crítica internamente. Acredito que nesse momento o mais importante é que o treinador se concentre em ajustar os problemas vistos  dentro do campo. 

Espero que os demais atleta compartilhem da indignação e da insatisfação que o Kleber demonstrou no pós jogo.

Fotos: Lucas Uebel (Grêmio.net)

Criciúma 2x1 Grêmio

CRICIÚMA: Bruno; Sueliton, Matheus Ferraz, Fábio Ferreira e Marlon; Amaral (Fabinho, 26'/2ºT), Elton (Daniel Carvalho, 12'/2ºT), Leandro Brasília e Ivo (Gilson, 43'/2ºT); Cassiano e Wellington Paulista
Técnico: Vadão

GRÊMIO: Dida; Pará, Werley (Cris, 22'/1ºT), Bressan e Alex Telles; Ramiro, Matheus Biteco, Elano (Gabriel, 25'/2ºT) e Zé Roberto; Vargas e Barcos (Kleber, 32'/2ºT)
Técnico: Renato Portaluppi

08ª Rodada - Campeonato Brasileiro 2013
Data: 20/7/2013, sábado,  18h30min
Local: Heriberto Hülse, em Criciúma (SC)
Público: 12.719 pagantes
Renda: R$ 325.590,00 
Árbitro: Felipe Gomes da Silva (PR)
Auxiliares: Bruno Boschilla (PR) e Luiz Henrique Santos Renesto (PR)
Cartões amarelos: Elton e Fábio Ferreira  e Pará
Cartões vermelhos: Matheus Biteco, 23'/1ºT  e Vargas, 8'/2ºT
Gols: Wellington Paulista, aos 25'/1ºT, Zé Roberto, 37'/1ºT  e Matheus Ferraz, aos 29'/2ºT 

sexta-feira, julho 19, 2013

30 anos da Libertadores de 1983 - America de Cali 0x0 Estudiantes




O jogo que colocou o Grêmio na final da Libertadores de 1983 não teve a participação de nenhum atleta Grêmista. Foi o empate em 0x0 entre América de Cali e Estudiantes em 15 de julho de 1983. Como vimos no post anterior, após o 3x3 em La Plata no Grêmio, para avançar a final, precisava torcer para que o Pincha não vencesse o seu último jogo na Colombia. O problema é que, como sói acontecer em triangulares, o América já estava eliminado antes mesmo dessa última rodada e a preocupação era a motivação dos escarlatas  para este compromisso.

O presidente do clube colombiano enviou um telegrama (imagem acima) para o Presidente Koff, o convidando para  a partida, prometendo empenho total. O treinador Gabriel Ochoa Uribe disse que não facilitaria a vida de ninguém, especialmente a do Estudiantes.

Na época, Fábio Koff declarou aos jornais locais que não iria oferecer um bicho extra ao América. Mas posteriormente deu um depoimento contando que levou a Cali "numa daquelas guaiacas vinte e cinco mil doláres", quantia que foi educadamente recusada pelos colombianos.

Outro tema que gerou polêmica foi a participação dos jogadores argentinos do América, uma vez que se suspeitava que eles pudessem favorecer os seus compatriotas. O meia Alfaro e o atacante Teglia foram retirados do time titular. Apenas o goleiro Falcioni permaneceu na equipe, sendo um dos principais responsáveis pelo 0x0 que colocou o Grêmio na sua primeira final de Libertadores de América.

Um fato pouco lembrado é que em fevereiro de 1984, o Grêmio voltou a Cali para realizar um amistoso contra o America, no que ficou conhecido como "jogo da gratidão". O resultado foi um empate em 1x1, com gols de La Rosa para o time de casa e Osvaldo para o Grêmio.




Fontes: Zero Hora, Folha da Tarde e  "Até a Pé Nos Iremos" de Ruy Carlos Ostermann

America de Cali 0x0 Estudiantes de La Plata

AMERICA: Falcioni; Valencia, Espinoza, Reyes e Chaparro; Caicedo, Gonzales e Sierra (Penagos); Bataglia, Ortiz e De Ávila (Cassales)
Técnico: Gabriel Ochoa Uribe

ESTUDIANTES: Bertero; Malvarez, Herrera, Gette e Gugnalli; Russo, Sabella e  Aguero; Monzon (Rezza), Trama e Gurrieri
Técnico: Eduardo Manera

Libertadores 1983
Data: 15 de julho de 1983, sexta-feira, 22h45min
Local: Estádio Pascoal Guerrero, em Cali -Colômbia
Árbitro: Elias Jacone (Equador)
Auxiliares: Guillermo Quirola e Jorge Orelana (Equador)
Cartão Vermelho: Espinoza aos 19 do 1º tempo e Aguero aos 7 minutos do segundo tempo


segunda-feira, julho 15, 2013

Brasileirão 2013 - Grêmio 2x1 Botafogo



O Grêmio fez uma partida de enorme disposição e conseguiu uma importante vitória contra o Botafogo ontem na Arena. O começo de jogo tricolor foi muito de bom, de movimentação intensa, de marcação na saída de bola, de trazer a torcida para dentro do campo. Logo aos 12 minutos Alex Telles usou Kleber como pivô, foi a linha de fundo e cruzou para Vargas, que de primeira abriu o marcador. Elano teve chance de ampliar pouco depois, mas aos 19 Seedorf fez bela jogada e empatou o jogo num golaço de fora da área. O Grêmio sentiu um pouco o golpe e o Botafogo passou a controlar as ações, ficando com a bola próximo a meta defendida por Dida. Contudo, aos 33 minutos, Souza arrancou pelo lado direito e foi parado com falta. Alex Telles ergueu a bola na área, a zaga botafoguense afastou, Souza ganhou o rebote e Vargas completou para as redes. O time alvinegro pediu a anulação da jogada, alegando que o bandeirinha havia marcado impedimento de Kléber.

Eu entendo as reclamações do Botafogo e concordo com elas. No meu modo de ver a regra, Kléber, que estava impedido, participou da jogada (seja fazendo menção de ir na bola, seja obstruindo a visão um adversário). Contudo, esse não é o conceito vigente de participar da jogada na Fifa/International Board e para os ex-árbitros/comentaristas o gol foi legal.

No segundo tempo o Grêmio esperou o Botafogo, crendo que poderia liquidar o jogo em um contra-ataque puxado por Vargas, mas o time pouco se aproximou do arco adversário nos 45 minutos finais. A partida passou a ser jogada quase que exclusivamente no campo de ataque do Botafogo. Os visitantes tiveram 4 boas oportunidades de empate, mas o Grêmio se defendia de forma enérgica, e conseguiu segurar o 2x1 até o apito final.


O Grêmio claramente teve um posicionamento mais recuado no segundo tempo. Diante de tal fato ficam algumas questões: O time fez bem em recuar? Recuou por um comando do treinador? Por falta de preparo físico? Por imposição do adversário?

Maxi Rodriguez mais uma vez entrou bem na partida. E, para mim, Alex Telles teve uma atuação excelente, tanto na parte ofensiva como defensiva.

Assim como Barcos já havia feito, Vargas trocou o número da camisa que vinha jogando. Não acho muito certo abandonar a numeração fixa no meio da temporada. E me parece que tal procedimento não é correto com o torcedor que adquiriu a camisa com o nome e o número do jogador (Não é exatamente o mesmo caso, mas vale a pena ler sobre o que fez o New England Patriots com as camisas vendidas com o nome de Aaron Hernandez).

Eu sigo achando que um jogo de futebol também se ganha nos detalhes. A direção do Grêmio fez muito bem em intervir no processo de liberação dos instrumentos musicais das torcidas. E achei bem interessante a iniciativa do Vice-Presidente Nestor Hein de assistir o jogo no setor da geral. É um belo gesto. Só lamento que não tenha sido possível fazer isto nos jogos da Libertadores. Mas as lideranças do Grêmio e da Geral poderiam aproveitar o exemplo e convidar algumas autoridades e membros da imprensa para visitar aquele espaço durante um jogo. Ajudaria a acabar com alguns dos mitos sobre o local.

Antes da partida, muitos torcedores do Botafogo circulavam tranquilamente pelos arredores da Arena e uns tantos tiravam fotos do estádio. Inegavelmente a nova casa gremista é uma atração de Porto Alegre. Os relatos dos visitantes só engrandecem a obra. Deveríamos levar isso em consideração antes de se cogitar em banir/restringir as torcidas adversárias.

Fotos: GrêmioFotos e Grêmio.net

Grêmio 2x1 Botafogo

GRÊMIO: Dida, Pará, Werley, Bressan e Alex Telles; Adriano, Souza (Matheus Biteco - 36'/2ºT), Zé Roberto e Elano (Maxi Rodríguez - 24'/2ºT); Vargas (Cris - 48'/2ºT) e Kleber 
Técnico: Renato Portaluppi

BOTAFOGO: Jefferson, Lucas (Gilberto - 15'/2ºT), Bolívar, Dória e Julio Cesar; Marcelo Mattos, Renato, Lodeiro (Elias - 21'/2ºT), Seedorf e Vitinho (Henrique - 30'/2ºT) ; Rafael Marques
Técnico: Oswaldo de Oliveira

7ª Rodada - Campeonato Brasileiro 2013
Data: 14 de junho de 2013, domingo, 16h00min
Local: Arena do Grêmio, em Porto Alegre-RS
Público: 30.395 (28.014 pagantes)
Renda: R$ 1.335.155,00
Arbitragem: Paulo Cesar Oliveira (SP)
Auxiliares: Marcelo Carvalho Van Gasse e Carlos Augusto Nogueira Júnior (trio de São Paulo).
Cartões amarelos: Adriano e Kléber (G); Vitinho e Marcelo Mattos (B)
Gols: Vargas, aos 12min e aos 33min, e Seedorf, aos 19min do primeiro tempo


sábado, julho 13, 2013

Presença de público na Arena no 1º semestre de 2013


Na figura acima temos os números dos públicos dos 12 jogos disputados na Arena no primeiro semestre de 2013. A média de público pagante foi de 22.024 e a média de não pagantes foi de 2.042. É curioso que o estádio não chegou nem perto de ter uma ocupação máxima nessas primeiras partidas (Com a devida ressalva de que em o setor da Geral só esteve liberado nos confrontos contra LDU e São Paulo.) .

Ainda assim é possível afirmar que houve um acréscimo de pagantes em relação ao mesmo período do ano passado. Nos 17 jogos que o Grêmio fez como mandante nos 6 primeiros meses de 2013 a média de público total foi de 19.448 e a média de pagantes foi de 17.649. No primeiro semestre de 2012 o Grêmio igualmente fez 17 partidas em casa e a média de público total foi de 19.285 e a média de pagantes foi de 15.888. É importante lembrar que esse ano o Grêmio participou da Libertadores, fato que não ocorreu no ano passado, e talvez isso, juntamente com o elemento de "novidade" da Arena, explique o maior público de 2013.

De qualquer forma, eu esperava uma maior ocupação na Arena no seu primeiro ano de funcionamento. Penso que alguns ajustes que poderiam aumentar a média de público estão demorando demais para acontecer. No início de abril, o diretor da Arena Gilmar Machado disse que a administração do estádio já estava trabalhando com na criação de um projeto de "check-in". Até agora tal sistema não foi implementado. Da mesma forma, quando da renegociação entre Grêmio e OAS, se afirmou que seria estabelecida uma nova política de preços e descontos para os sócios-torcedores (aumentando a oferta de setores e os descontos dados), contudo para o próximo jogo, contra o Botafogo, essa promessa ainda não saiu do papel

segunda-feira, julho 08, 2013

30 anos da Libertadores de 1983 - Estudiantes 3x3 Grêmio

 

Há 30 anos, Estudiantes e Grêmio empatavam em 3x3 pelo triangular semifinal da Libertadores, na partida que  antes  mesmo de ser realizada já era chamada de "Batalha de La Plata".  Em 30 anos muitas histórias foram contadas, recontadas, inventadas e desmentidas sobre esse jogo. Penso que é importante ressaltar alguns pontos:

- Argentina e Brasil viviam um crise diplomática. No final de junho de 1983 o jornal Zero Hora fotografou aviões militares ingleses, que se dirigiam as ilhas Falkland, sendo abastecidos em Canoas e Florianópolis. Tal fato serviu para reavivar o boato de que o Brasil deu guarida as aeronaves britânicas na guerra das Malvinas, ocorrida no ano anterior.

- Desde o final da década de 1960 o Estudiantes gozava de uma má reputação, especialmente pelo anti-jogo que promovia nos seus domínios. Em 1983 a fama persistia. O América de Cali havia alertado ao Grêmio que recusasse o ônibus fornecido pelo time de La Plata aos visitantes, uma vez que os colombianos foram submetidos a um trajeto especialmente demorado, com duração de mais de 3 horas, visando atrasar o preparo da equipe. Devidamente avisada, a direção gremista tratou de providenciar o seu próprio transporte na Argentina.

- O juiz uruguaio Luis de La Rosa foi muito elogiado pela sua coragem em expulsar diversos atletas do time da casa. Contudo, um detalhe pouco lembrado é que ele anulou, sem nenhum motivo aparente, um gol de César para o Grêmio quando o placar era de 3x2 para o tricolor.

- O Grêmio, com apoio da FGF e CBF, pediu a Conmebol que eliminasse o Estudiantes da competição em razão de todos os incidente ocorridos. Fábio Koff encaminhou tal solicitação com descrença. Descrença essa que só aumentou após o presidente da Conmebol, o peruano Teófilo Salinas, anunciar que o adiamento da decisão para depois do último jogo entre America e Estudiantes, justificando o atraso em um suposta dificuldade técnica de analisar o video-tape da partida.

O empate manteve o Grêmio na frente da tabela, mas na incomoda situação de poder ser superado caso o Estudiantes vencesse o já eliminado América em Cali.
 



Texto do site do Gremio:


"No dia 08 de julho de 1983, o Grêmio viveu um dos momentos mais dramáticos de sua história. Era uma sexta-feira à noite e o Tricolor enfrentava os argentinos do Estudiantes em busca de uma vaga na decisão da Copa Libertadores. O acanhado estádio de La Plata estava repleto de torcedores fanáticos e raivosos. Além da tradicional rivalidade futebolística entre os dois países, no ar ainda pairava o ressentimento pelo fato dos gaúchos terem permitido o pouso de jatos ingleses na Base Aérea de Canoas quando a Argentina lutava pela posse das Ilhas Malvinas no ano anterior. A raiva canalizada para os jogadores e dirigentes gremistas criou um clima insuportável de tensão desde a chegada do Tricolor ao estádio até o término da partida. Antes mesmo do início do jogo, o árbitro uruguaio Luis de la Rosa apresentou cartão amarelo para o atacante Trobbiani, um fato inusitado


Empurrado pela torcida mas sem nenhuma obediência tática, o time argentino dominou a partida nos minutos iniciais. Passado os primeiros 15 minutos de pressão, o Grêmio começou a fazer prevalecer seu toque de bola e chegou com perigo em contra-ataques puxados por Tarciso.


Aos 30 minutos, o mesmo Trobbiani que havia levado cartão amarelo antes do início da partida agrediu China com um pontapé revidando uma falta feita pelo volante gremista e foi expulso. Raivosos, os jogadores do Estudiantes partiram para a reclamação. Ponce empurrou o árbitro uruguaio e acabou recebendo cartão vermelho.


Com nove em campo, os argentinos abriram o marcador na cobrança de falta: Gurrieri aproveitou falha na defesa gremista e mandou para as redes.Com mais espaço para jogar, o Tricolor chegou ao empate no último minuto da primeira etapa: Osvaldo concluiu dentro da área um passe de Tarciso


A violência dos argentinos continuou até mesmo no intervalo de jogo. Na saída para os vestiários, em um túnel único para as duas equipes, Caio foi covardemente agredido por jogadores e dirigentes do time da casa. Resultado: não conseguiu retornar para a segunda etapa.

O castigo veio logo aos 8 minutos: Cesar, que havia entrado no lugar de Caio, virou o jogo para o Grêmio depois de grande jogada de Renato
Com a vantagem no marcador, o time tratou de tocar a bola com o único objetivo de fugir das divididas mais fortes onde os argentinos nem faziam questão de esconder o desejo de tirar algum jogador gremista da partida na base da violência

Mesmo assim, aproveitando os espaços, o Tricolor ampliou o marcador com Renato, depois de uma grande jogada individual. O gesto de Renato que, depois do gol, mandou a torcida calar a boca, foi o que faltava para que os argentinos enlouquecessem de vez. Três minutos depois do gol de Renato, aos 21, o auxiliar Ramón Barreto foi agredido com uma pedrada na cabeça. Estirado no gramado, coberto de sangue, o auxiliar uruguaio teve que ser atendido pelo médico gremista, Dirceu Colla. Na confusão, Camino recebeu cartão vermelho e deixou o gramado. Mesmo destino de Tevez, expulso 4 minutos depois ao agredir Renato

Mesmo com apenas 7 jogadores em campo e se aproveitando da excessiva cautela dos jogadores gremistas que evitavam as divididas o Estudiantes descontou aos 31 minutos com Gurrieri. Logo depois, o até então corajoso árbitro uruguaio Luis de la Rosa, anulou um gol legítimo marcado por César ao atender o aceno de impedimento do bandeirinha Ramón Barreto. Naquelas circunstâncias de jogo, ninguém reclamou.


Só mesmo quem esteve presente nesta inesquecível passagem de história centenária do Grêmio poderia explicar o que se passou lá. Seja como for, a famosa partida de La Plata pela Copa Libertadores de 1983 foi um dos acontecimentos responsáveis pelo surgimento do estilo guerreiro, sanguíneo com que o Grêmio joga futebol e que, de certa forma, está enraizado dentro do espírito de cada gremista." 
(Texto: Márcio Neves da Silva, Assessoria de Comunicação Social )









 





A Batalha de La Plata

A inesquecível Batalha de La Plata mereceia um capítulo todo especial para contar esta trajetória que levou o Grêmio a seu primeiro título sul-americano.

Fatores muito além do futebol estiveram envolvidos na partida decisiva do dia 8 de julho de 2008 na cidade argentina de La Plata.

O país vizinho vivia a realidade da guerra das Malvinas contra a Inglaterra. A inferioridade diante do exército bretão atingia em cheio uma das mais exacerbadas características do povo argentino: o orgulho.

Em meio a tudo isso, surgiu a notícia de que aviões ingleses haviam recebido auxílio do Brasil possibilitando que pousassem na Base Aérea da cidade de Canoas para reabastecimento. A informação, procedente ou não, revoltou os argentinos justo às vésperas do Grêmio desembarcar no país.

Com pouco tempo de descanso após a vitória da quarta-feira contra o América, a delegação optou por mudar o vôo para a capital portenha: ao invés de descer no aeroporto de Ezeiza, na grande Buenos Aires, o grupo preferiu o vôo com escala em Montevidéu e pouso no Aeroparque, quase no centro da cidade. Por incrível que pareça, o Grêmio ganhou duas horas a mais chegando ao hotel por volta das 20h ao invés das 22h como apontava a programação anterior.

Líder do grupo, o Grêmio desembarcou em La Plata com 4 pontos ganhos contra 2 pontos de América e Estudiantes. A vitória garantia o Tricolor na grande decisão da Libertadores. Um empate, por sua vez, deixaria o Grêmio dependente da última partida da fase entre América e Estudiantes, na Colômbia.

As hostilidades começaram antes mesmo do ônibus que levava a delegação estacionar ao lado do acanhado estádio Jorge Luis Hirschi. Várias pedras atingiram o veículo. Jogadores e dirigentes tiveram dificuldades para entrarem no vestiário.

Já no gramado, a pressão e as hostilidades vinham de todas as partes: cânticos racistas contra brasileiros e torcedores atirando pedras.

Antes do início da partida, o árbitro uruguaio Luis de La Rosa (que substituiu Martinez Basan em cima da hora) apresentou cartão amarelo para o atacante Trobbiani. Uma pequena amostra do que ele viria a enfrentar durante os 90 minutos.

Com a bola rolando, o Estudiantes buscava tirar proveito de todos os fatores locais: com uma agressividade descontrolada, distribuíam patadas nos brasileiros e pressionavam a arbitragem.

Aos 32 minutos, China cometeu falta em Trobbiani e foi chutado pelo argentino. O árbitro apresentou cartão vermelho para o atleta do Estudiantes e amarelo para o gremista. Revoltados com a decisão, os jogadores do time dono da casa passaram a empurrar o árbitro até que Ponce também foi expulso.

Mesmo com dois jogadores a menos em campo, foram os argentinos que abriram o marcador justamente na cobrança da falta que originou toda a confusão. Gugnale aproveitou falha da defesa tricolor e chutou forte na saída de Mazarópi. Eram 38 minutos.

Tocando bem a bola no péssimo gramado, o Grêmio chegou ao empate aos 44: Osvaldo, pela esquerda, chutou cruzado de dentro da área. 1 a 1.

A violência dos jogadores argentinos seguiu até mesmo durante o intervalo da partida. No túnel que levava os jogadores aos dois vestiários, o atacante Caio foi agredido com socos e chutes tendo fratura da tíbia. César voltou para o segundo tempo em seu lugar.

E foi o mesmo César que virou o placar para o Grêmio aos 8 minutos. Grêmio 2 a 1.

Logo após o Estudiantes ter mais um jogador expulso, Renato desceu em velocidade pela direita, driblou dois adversários e chutou na saída do goleiro. Grêmio 3 a 1 aos 18 minutos.

Aos 31 minutos, Gurrieri marcou o segundo gol dos argentinos para delírio da torcida.

Completamente descontrolados, os jogadores se atiraram com tudo para frente acuando os gremistas.

Logo depois, o Grêmio chegou ao quarto gol que foi inexplicavelmente anulado por um impedimento inexistente de Osvaldo.

Faltando apenas quatro minutos para o final, Russo conseguiu o que parecia impossível: o gol do empate.

O resultado trouxe de volta um pouco do orgulho argentino e impossibilitou ao Grêmio a classificação para a final de forma antecipada.

Mais do que a vergonha de ceder o empate contra apenas sete jogadores em campo, para o Grêmio restou o consolo de deixar La Plata com vida.

O Tricolor passou a depender de pelo menos um empate do eliminado América de Cali contra este mesmo Estudiantes para garantir vaga na final.

Fábio Koff tratou de trabalhar nos bastidores. (Site do Grêmio)



Depoimento do Valdir Espinosa sobre o jogo:

"Na Libertadores de 83,um dos jogos mais difíceis foi em La Plata ,jogando contra o Estudiantes. Muito mais do que as dificuldades de campo ,o clima de guerra que envolveu aquela partida ,nos fazia temer por nossas vidas ,receando não sairmos sãos e salvos de lá!
O jogo ,só para lembrar,estava 3x0 para nós e o Estudiantes com apenas 7 jogadores,conseguiu empatar. Mas isto é assunto para outro dia ,pois o que quero é relatar os acontecimentos do intervalo do jogo.
Terminado o primeiro tempo, as 2 equipes foram para os vestiários .Este caminho era tão estreito que obrigava-nos a andar em fila indiana. Do campo até o vestiário ,muitos gritos e xingamentos. Entramos ,fechamos a porta e o nosso segurança encostado nela ,disse:

-"Fiquem tranquilos, que aqui ninguém entra"
Enquanto os jogadores tomavam água, lavavam-se e trocavam o material molhado ,a porta parecia que viria abaixo com pancadas de socos e pontapés. E o nosso segurança, encostado na porta já com os braços abertos, continuava afirmando:
-"Tranqüilos! Aqui ninguém entra"!
Jogadores sentados para ouvirem as instruções do intervalo. Começo ,então,a falar e quando vou corrigir o ataque , pergunto:
-"Cadê o Caio"?
Todo mundo se olha ,observa o vestiário e...nada do Caio! Então ,imediatamente olhamos para o segurança e eu grito:
-"Abre esta porta"!!!
Nosso Super-Homem abre e quem entra? O Caio! Chorando ,com o tornozelo inchado e cheio de hematomas pelo corpo. Ele havia ficado para trás, e durante todo aquele tempo em que batia na porta, estava apanhando dos argentinos! Seu tornozelo estava tão inchado ,que tive que substituí-lo no intervalo.
Como voces podem ver ,nosso segurança realmente não deixou ninguém entrar, nem mesmo o Caio!" (Valdir Espinosa)







CAIO: "Foi incrível. Algo que eu jamais poderia imaginar que fosse acontecer, apesar do clima de guerra que havia lá. Eu ia para o vestiário, quando fui cercado por três jogadores, que passaram a me agredir. Levei um chute tão forte no tornozelo que não pude voltar para o jogo e não está dando nem para caminhar direito. Dói muito. Não dá pra aceitar um túnel apenas para os dois times e também para o árbitro. É incrível isso, reclama Caio.

 
Reportagem do Jornal Clarin sobre os 20 anos daquela partida nesse link. Destaque-se as declarações do hoje treinador Miguel Angel Russo sobre aquele jogo:

"Fue el partido que más grabado me quedó en toda mi carrera. Mirá que salí campeón varias veces, pero aquella noche fue incomparable, imborrable" (Russo)
"El Gremio pasó de ronda y ganaron todo, Libertadores e Intercontinental. Yo estoy convencido que si pasábamos nosotros, Estudiantes era otra vez campeón de la Libertadores" (Russo)



 





Fontes: Correio do Povo, Folha da Tarde, Grêmio.net, Placar e Zero Hora

Estudiantes 3x3 Grêmio

ESTUDIANTES: Bertero; Camino, German (Teves), Aguero, Gugnali, M.A. Russo, Sabella, J.D. Ponce, Trama, Trobbiani e Gurrieri
Técnico: Eduardo Manera

GREMIO: Mazaropi, Paulo Roberto, Leandro, De Leon, Casemiro, China, Osvaldo, Tita, Renato, Caio (César), Tarciso (Tonho)
Técnico:Valdir Espinosa
Reservas: Beto, Newmar , Róbson, Tonho e Cesar


Triangular semifinal - 4° jogo - Libertadores 1983

Data: 08 de Julho de 1983, sexta-feira, 22h00min
Estádio: Jorge Luis Hirschi, em
La Plata (Argentina)
Juiz: Luis de la Rosa (Uruguai), 
Auxiliares: Ramón Barreto e Artemio Sension
Cartão Vermelho: Ponce e Trobbiani aos 33 do 1ºt; Camino aos 24 e Tevez aos 30 do 2ºt
Gols: Gurrieri aos 39min, Osvaldo aos 45 do 1ºtempo ; César aos 7, Renato aos 18, Gurrieri aos 31 e Gugnali aos 42 do 2º tempo.