terça-feira, dezembro 11, 2012

Transmissões Brasileirão 2012 - Final


Durante todo o Campeonato Brasileiro 2012 eu fui realizando um levantamento de como foram televisionados os jogos do Grêmio. O resultado final, com as 38 rodadas, pode ser visto na tabela acima. Para minha surpresa este é um assunto pouco discutido em outros locais.

O curioso é que, pouco mais de um ano atrás, quando da assinatura do novo contrato entre os clubes e Rede Globo, o tema causou grande comoção. No Grêmio quase se viu uma "guerra civil", da noite para o dia muitos viraram especialistas em contratos de televisão, nas políticas do CADE, nas regulações anti-monopólio, em como evitar tratamento desigual entre os grandes clubes do Brasil. Na Azenha, muitos defendiam seu ponto de vista de forma ardorosa sob o argumento de queriam "o bem do Grêmio". Mas passados alguns meses ninguém tocou mais no assunto. O "bem do Grêmio" deixou de ser uma preocupação? ou foi a disputa política do clube e a concorrência entre emissoras que arrefeceu e fez com que o assunto se tornasse desinteressante?

Talvez as energias tenham se voltado para outros locais, mas o tratamento diferenciado para certos clubes segue acontecendo. Um exemplo claro disso está na nossa cidade. No Brasileirão 2012, o Inter teve quatro partidas a mais que o Grêmio televisionadas em TV aberta (quadro abaixo). Como se explica isso?


Certamente não é pelo critério técnico/esportivo. Como é sabido, o Grêmio acabou em 3º lugar, 19 pontos na frente do Inter (que ficou na 10ª posição). O Inter só esteve na frente do Grêmio em 5 das 38 rodadas,e a partir da 10ª rodada o Grêmio tomou a frente, ingressou no G4 e de lá não mais saiu (conforme pode ser visto nos gráficos abaixo, retirados da ZeroHora.com e da Gazeta Esportiva).

E não é injusto? Por que não se fala mais nisso? Onde estão aqueles que bradavam contra os descritérios da Rede Globo?




segunda-feira, dezembro 10, 2012

Inauguração da Arena - Grêmio 2x1 HSV


 

A semana passada foi bastante corrida para mim. Até por isso tentei não embarcar na ansiedade do aguardo da inauguração da Arena. Mas não tem muito jeito, no sábado esse era o único assunto no estado.

Eu estive algumas vezes na obra e já tinha ficado impressionado, mas nada se compara ao ver a Arena recebendo um público de jogo. Por sorte o público se distribui e a chegada no Humaitá não foi tão caótica quanto se imaginava, muito embora boa parte do povo tenha se aglomerado em uma das rampas de acesso. Mas na esplanada o clima era bem agradável, e grande quantidade de portões facilitava tudo. Quando vi o gramado e as arquibancadas cheias tive, por breves segundos, aquela sensação de uma criança que vai ao estádio pela primeira vez.

Achei muito legal que, assim que entrei no meu setor, um funcionário do estádio me perguntou/orientou sobre a localização do meu ingresso. Acho que isso ajuda muito na organização. É óbvio que ainda faltam alguns detalhes, algumas finalizações (as mais sentidas no sábado foram os bares e banheiros), mas a experiência de ir em um jogo na Arena é completamente diferente de qualquer outro estádio em Porto Alegre.

Eu achei a cerimônia de inauguração muito bonita. O anunciado show do Blue Man Group talvez tenha sido a parte menos empolgante de toda a festa. Os fogos, as coreografias, os jogos de luzes foram bem impressionantes. Não tinha visto nada parecido em matéria de inauguração de estádio. Gostei da temática gaúcha das apresentações, só que aí foi pouco coerente colocar o Ivan Lins para cantar o hino.


 

O jogo em si foi tão emocionante como uma partida festiva pode ser. O Grêmio pareceu um pouco mais animado e tomou a iniciativa. Conseguia atacar bem pelo lado direito, foi dali que Leandro carimbou o travessão e foi dali que foi cobrado o escanteio que resultou no gol de André Lima, inaugurando o placar da Arena. O tricolor teve algumas chances para ampliar mas aos poucos o cansaço de final de temporada foi aparecendo. Zé Roberto era, como de costume, o destaque ao esbanjar técnica.

No segundo tempo as mudanças não fizeram muito bem ao Grêmio, que passou a ter alguma dificuldade para tramar jogadas. O Hamburgo podia não ter uma atuação das mais interessadas, mas era um time extremamente disciplinado (colocava 11 jogadores na área nos escanteios) e chegou ao empate numa jogada ensaiada concluída por Westermann. O Grêmio seguiu meio perdido, até que Saimon arrancou, acionando Marquinhos, que por sua vez cruzou para Marcelo Moreno marcar o 2x1 final.




É triste, mas muito triste, que tenha acontecido aquela briga na Geral no jogo de inaguração. Justamente no momento que se discute essa transição e possibilidade de manter uma torcida pulsante num estádio moderno. Mas não podemos superdimensionar o fato. Quantas pessoas se envolveram na briga? 50? 500? O que isso representa num universo de mais de 50.000 espectadores?  Ficou claro que o silêncio no campo no segundo tempo é um bom indicativo de que a festa da torcida é muito importante.

Eu não gostei da camisa que o Grêmio usou na partida. Parece ser uma alternativa inferior ao modelo usado em todo 2012. Não me agrada os punhos e parte da gola em azul. Os patrocínios em dourado são um expediente já ultrapassado de tentar colocar um tom de ocasião especial no uniforme, e ainda por cima prejudicam a visualização. O uniforme não remete ao usado na inaguração do Olímpico em 1954 e muito menos lembra o usado contra o Hamburgo no mundial de 1983.

É certo que o estádio não estava lotado. Tá certo que muita gente deixou o estádio antes do apito final, mas já no intervalo se viam diversas fileiras de cadeiras vazias. O que é estranho, porque teve muito sócio tentando comprar ingresso nos últimos dias.

Outra questão que me pareceu estranha. Só tinha bebida alcoólica nos camarotes e nas cadeiras gold. Não posso concordar com isso. As permissões/proibições devem valer para todo o estádio.

No mais faltam pequenos ajustes e ainda vai precisar de algum tempo para que o torcedor gremista sinta-se em casa na Arena.

Fotos: Jefferson Bernardes (Lance) e Lucas Uebel (Grêmio.net)

Grêmio 2x1 HSV

GRÊMIO: Marcelo Grohe, Pará, Werley (Saimon, 18'/2ºT), Naldo e Anderson Pico (Tony, Intervalo); Fernando (Marco Antonio, Intervalo), Souza, Elano (Marquinhos, Intervalo) e Zé Roberto (Léo Gago, Intervalo); Leandro (Rondinelly, 18'/2ºT) e André Lima (Marcelo Moreno, Intervalo)
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

HAMBURGO: Drobny, Bruma, Paul Scharner, Rajkovic (Diekmeier, 19'/2ºT), Aogo (Westermann, Intervalo), Sala, Rincon, Tesche (Arslan, 19'/2ºT) Ilicevic (Skjelbred, 36'/2ºT), Marcus Berg, Rudnevs (Son, Intervalo)
Técnico: Thorsten Fink.

Data: 08/12/2012, sábado, 22h15min
Local: Arena do Grêmio, Porto Alegre (RS)
Público: 51.901 (46.969 pagantes)
Renda: R$ 8.599.614,00 
Árbitro: Carlos Amarilla (Fifa-PAR)
Auxiliares: Milcíades Saldivar/PAR e Cesar Franco/PAR.
Cartões amarelos: Leandro e Saimon (GRE); Tesche (HAM)
Gols: André Lima, 9'/1ºT, Westermann, 25'/2ºT e Marcelo Moreno, 42'/2ºT

 
 

terça-feira, dezembro 04, 2012

Brasileirão 2012 - Classificação Final


Times P J V E D GP GC SG %
1 Fluminense Fluminense
77 38 22 11 5 61 33 28 67
2 Atlético-MG Atlético-MG
72 38 20 12 6 64 37 27 63
3 Grêmio Grêmio
71 38 20 11 7 56 33 23 62
4 São Paulo São Paulo
66 38 20 6 12 59 37 22 57
5 Vasco Vasco
58 38 16 10 12 45 44 1 50
6 Corinthians Corinthians
57 38 15 12 11 51 39 12 50
7 Botafogo Botafogo 
55 38 15 10 13 60 50 10 48
8 Santos Santos
53 38 13 14 11 50 44 6 46
9 Cruzeiro Cruzeiro
52 38 15 7 16 47 51 -4 45
10 Internacional Internacional 
52 38 13 13 12 44 40 4 45
11 Flamengo Flamengo
50 38 12 14 12 39 46 -7 43
12 Náutico Náutico
49 38 14 7 17 44 51 -7 42
13 Coritiba Coritiba
48 38 14 6 18 53 60 -7 42
14 Ponte Preta Ponte Preta
48 38 12 12 14 37 44 -7 42
15 Bahia Bahia 
47 38 11 14 13 37 41 -4 41
16 Portuguesa Portuguesa
45 38 10 15 13 39 41 -2 39
17 Sport Sport
41 38 10 11 17 39 56 -17 35
18 Palmeiras Palmeiras
34 38 9 7 22 39 54 -15 29
19 Atlético-GO Atlético-GO
30 38 7 9 22 37 67 -30 26
20 Figueirense Figueirense
30 38 7 9 22 39 72 -33 26


Classificação primeiro turno (Fonte: Futdados)
Classificação segundo turno (Fonte: Futdados)

ARTILHEIROS 
20 gols - Fred (Fluminense) 
17 gols -Luís Fabiano (São Paulo) 
14 gols - Aloísio (Figueirense), Barcos (Palmeiras), Bruno Mineiro (Portuguesa) e Neymar (Santos) 
13 gols - Vágner Love (Flamengo) e Kieza (Náutico) 
11 gols - Bernard (Atlético-MG) e Elkeson (Botafogo) 
10 gols - Jô (Atlético-MG), Wellington Paulista (Cruzeiro), Marcelo Moreno (Grêmio) e Alecsandro 
(Vasco)

 



segunda-feira, dezembro 03, 2012

Brasileirão 2012 - Grêmio 0x0 Inter



E o tão aguardado dia chegou. A despedida do Olímpico. Uma data que por sí só entra na história. Mas pra mim o jogo em si e os eventos ocorridos nas horas anteriores e posteriores a partida não tiveram nada de memoráveis.

A tarde começou com uma homenagem a ex-atletas do Grêmio. A idéia é muito legal, mas era praticamente impossível enxergar os homenageados no meio de uma mar de jornalistas, fotográfos e bicões que ocupavam o gramado do Olímpico. Não fosse isso suficiente, Paulo Santana dava sua anunciada e patética volta olímpica (o que será que Marcelo Grohe achou disso?). E pra piorar, enquanto tudo isso tudo acontecia, uma dúzia de torcedores do Internacional ingressou no campo via o túnel dos visitantes e ficaram saltando e tirando fotos dentro das 4 linhas.






Mas então o jogo propriamente dito começou. E começou truncado, como costumam iniciar os Grenais. As duas equipes estavam espelhadas num 4-3-2-1. Aos poucos o Grêmio foi ocupando o campo de ataque, mas atuava de maneira pouco inspirada, o jogo pouco fluía e o tricolor só chegava perto do meta adversária em cruzamentos e escanteios. No outro lado, Marcelo Grohe foi um espectador privilegiado durante todo o primeiro tempo, uma vez que o Inter praticamente não conseguiu atacar nos 45 minutos iniciais.

No segundo parecia que veríamos mais ação em campo. Parecia. Logo aos 2 minutos Saimon lançou Elano e Muriel colocou a mão fora da área para evitar o gol. O arqueiro colorado recebeu o cartão vermelho, mas o jogo demorou uma eternidade para ser re-iniciado (Nesse meio tempo Vanderlei Luxemburgo foi expulso por ingressar no gramado para retirar seus jogadores da confusão). Alguns minutos depois do recomeço, Leandro Damião, centroavante da seleção brasileira, que até ali não tinha visto a cor da bola, foi expulso por acertar um cotovelaço em Saimon. Novamente o jogo ficou um bom tempo parado, dessa vez sem nenhuma explicação, pois o atleta expulso já se encontrava fora do gramado. Aí o Grêmio teria, na teoria, pouco mais de 20  minutos de bola rolando para marcar um gol num adversário nove jogadores em campo. Na prática a bola pouco rolou nesse período. E quando rolou o tricolor não soube fazer valer a sua vantagem, não abriu o campo, não rodou a bola. Insistiu em uma jogada de pivô na frente da área. E o pior é que quase marcou assim. Mas o mais inacreditável é que o Inter quase abriu o marcador quando já jogava com dois jogadores a menos.

E jogo foi encerrado com "chave de ouro". Já nos descontos, Saimon foi buscar uma bola na lateral, Osmar Loss jogou a bola longe e os dois saíram no tapa. Os relatos dão conta que o treinador e sua diretoria ficaram orgulhosos de tal ato. (Num grenal anterior foi o técnico do Grêmio que brigou com um gandula). No meio da confusão alguém joga um rojão para dentro no campo ( o que é muito grave) e um auxiliar do Inter simula ter sido atingido (o que é muito feio). Mais uma vez se enxerga um número excessivos de pessoas no gramado. Mais uma vez o jogo demora uma eternidade para ser reiniciado. Reiniciado não é o termo correto porque, pela última vez, Heber Roberto Lopes tinha a chance de fazer uma arbitragem decente no Olímpico, mas ele decidiu acabar o jogo sem repor o período de acréscimos.





Depois do apito final, alguns atletas do Internacional, que fizeram uma copa do mundo nesses 90 minutos (por que não jogaram assim antes?) comemoraram como tivessem vencido um campeonato, quando na verdade somente obrigaram o Grêmio a disputar dois jogos a mais na Libertadores (No ano passado era o Grêmio que tentava "tirar" o Inter dessa mesma pré-libertadores)

E na despedida, além de uma bonita e espontânea avalanche, só foi possível ver alguns poucos vídeos no telão, alguns pronunciamentos e músicas no sistema de som. Enquanto isso parte da torcida aguardava a oportunidade de pilhar objetos do Estádio Olímpico, numa estranha exibição de carinho a um local que muitos consideram sagrados.

No geral o se viu ontem foram diversas demonstrações de mediocridade, mesquinharia e pequenez que não combinam com a magnitude do evento.

Eu já sinto e certamente sentirei muitas saudades do Olímpico, mas não de partidas como a de ontem.

Fotos: Tiago Baldasso (Tiago Baldasso),  Lucas Uebel (Grêmio.net)  e Guilherme Testa (Guilherme Testa)

Grêmio 0x0 Inter

GRÊMIO: Marcelo Grohe, Pará, Werley (Saimon 32'/1ºT), Naldo e Anderson Pico (Leandro 17'/2ºT); Fernando (Marquinhos 22'/2ºT), Souza, Léo Gago, Elano e Zé Roberto; André Lima
Técnico: Vanderlei Luxemburgo.

 INTERNACIONAL: Muriel, Edson Ratinho (Renan 4'/2ºT), Rodrigo Moledo, Índio e Fabrício; Ygor, Josimar, Guiñazu, Fred (Cassiano 17'/2ºT, depois Folrán 42'/2ºT) e D'Alessandro; Leandro Damião
Técnico: Osmar Loss.

 38ª Rodada - Campeonato Brasileiro 2012
Data: 2/12/2012, domingo, 17h00min
Local: Estádio Olímpico, em Porto Alegre (RS)
Público: 46.209 (43.104 pagantes)
Renda: R$ 1.549.230,50
Árbitro: Héber Roberto Lopes (Fifa-PR)
Auxiliares: Carlos Berkenbrock (Fifa-SC) Ivan Carlos Bohn (PR)
Cartões amarelos: André Lima (GRE); Fred e Renan (INT)
Cartões vermelhos: Vanderlei Luxemburgo, 4'/2ºT (GRE) e Saimon 47'/2ºT (GRE); Muriel 2'/2°T (INT), Leandro Damião 13'/2ºT (INT) e Osmar Loss, 47'/2ºT (INT)

quarta-feira, novembro 28, 2012

O último Gre-Nal da Baixada


 

Estamos na semana que antecede a última partida do estádio Olímpico. Não fosse isso um fato importante por si só, o jogo marca também o último clássico Gre-Nal na Azenha. Certamente será bem interessante poder vivenciar um evento histórico, um marco na história do clube.

Diante disso, eu me pergunto, o que efetivamente será lembrado desse evento nos próximos anos? O que será esquecido? O que aconteceu em situações parecidas com esta?

Pesquisando um pouco eu acabei encontrando fotos e uma crônica do último Gre-Nal disputado no estádio da Baixada. O jogo foi realizado em novembro de 1953, e foi vencido pelo Inter, que aquela altura já era campeão citadino. O evento em si parece não ter gerado maior comoção na época.

Eu confesso que fiquei um tanto surpreso com a Baixada retratada nessas fotos. Sabia que era um estádio acanhado (segundo o relato o campo estava lotado com pouco mais de 8 mil pessoas), mas além disso podemos ver claramente que as arquibancadas careciam de alguma manutenção (assim como também vemos um curioso placar manual e torcedores com sombrinhas). Talvez seja um retrato fiel da época; talvez não seja. E o que será que as pessoas iram "enxergar" daqui há 50 anos nas fotos do Olímpico?

"O SEGUNDO TENTO MARCADO PELOS RUBROS foi de autoria do winger esquerdo Canhotinho. Acima vemos um flagrante do Gre-Nal de ontem, apanhando justamente na metade do lance que terminaria nas redes de Sérgio. Canhotinho, que se vê à esquerda, aproveitou a oportunidade para consolidar a vitória de sua equioe. Na foto vê-se ainda Mirão, Sérgio, Hugo, Bodinho e Zé Ivo." (Folha da Tarde Esportiva - 02 de novembro de 1953)


"Internacional Manteve a Invencibilidade!
A FALTA DE TÉCNICA NO GRE-NAL FOI COMPENSADA PELA COMBATIVIDADE DOS JOGADORES

Com o clássico Gre-Nal do foot-ball porto-alegrense, encerrou-se ontem o campeonato do ano em curso. As tradicionais dependências do "fortim" da Baixada apanharam, por esta ocasião, uma grande assistência, que as lotou completamente, em que pese a tarde cálida, que não animava o afeiçoado deter-se várias horas sob um sol causticante.

Não obstante, o velho campo da Baixada reviveu uma de suas horas mais animadas; pois o público, presente, como dissemos, em grande número, manteve-se sempre entusiasta e vibrante.

O match em si, como soe acontecer nos confrontos entre as equipes do Grêmio e do Internacional, não foi dos mais brilhantes, no que tange ao aspecto técnico. Mas não faltou combatividade aos jogadores, de modo que, em momento algum, o cotejo entrou em monotonia.

O E.C. Intenacional, que já ingressou em campo, com as honras de campeão, indiferente ao resultado do Gre-Nal, logrou triunfar mais uma vez, fechando assim com chave de ouro sua temporada oficial, durante a qual não sofreu nenhuma derrota. Encontrou ontem no Grêmio um adversário bem mais capacitado do que, no fundo, calculava; mas, mesmo assim, galgou bem o obstáculo, completando sua campanha com mais uma vitória, justa, sem dúvida, e merecida; tanto mais que seu adversário, superando-se a si mesmo, mais que lhe dignificou a conquista.

De fato, o Grêmio, que vinha de uma decepcionante derrota frente ao Cruzeiro, capacitou-se de sua responsabilidade, como participe nato do mais importante choque do foot-ball porto-alegrense, e, se bem não tenha conquistado a vitória, reabilitou-se em parte, atuando bem melhor do que nas vezes anteriores. Mormente sua defensiva, sem embargo das vezes que foi vencida, se constituiu num sector bastante sólido e eficiente, considerando-se ainda que atuou sem dois titulares: Orli e Pipoca. Pôde assim o quadro tricolor impor séria resistência aos comandos de Bodinho, fazendo que as ações durante grande parte da contenda se equilibrassem e desta maneira emprestassem ao clássico uma feição emocionante.

O Internacional fez jús á vitória particularmente por duas circunstâncias: contou além de uma defesa soberba e coêsa, com uma linha, que se bem menos brilhante, muitas vezes mesmo tolhida pelo adversário, foi suficiente prática para aproveitar as excassas opôrtunidades que se lhes ensejaram. E nisso vai o melhor elogio de um sector que encontrou difícil barreira pela frente mas, que a despeito disso, ainda fez prevalecer sua classe, construindo um triunfo laborioso, todavia brilhante.

Os primeiros cinco minutos do embate caracterizaram-se pelo equilíbrio das ações: ambos bandos alternaram-se na ofensiva, ensaiando estabelecer o primeiro predominio territorial. Numa de suas investidas, o Internacional marcou, mas o juiz anulou o tento por estar Jeronimo, seu autor, em posição ilegal. Sucedeu-se um período breve de mais insistência do Grêmio na ofensiva; mas o Internacional revidou energicamente, colocando em sério perigo o arco de Sérgio. Houve então uma fase de indecisão, durante a qual os dois teams não conseguiam firmar-se no ataque, em face do melhor trabalho das defensivas. A partir do 20º minuto, o Internacional passou a apresentar mais agressividade, controlando melhor as ações e ameaçando mais amiudamente o último reduto tricolor. Aos 32 minutos, Canhotinho,de pois de fintar Mirão, desejou atirar violentamente ao arco; mas falhou e o arremate se converteu num passe a Jeronimo, que recém ingressara na área: o insider encheu o pé e surpreendeu Sérgio, cujo salto sobre a bola foi tardo: estava marcado o primeiro tento da partida:

Internacional .. .. .. .. . 1
Grêmio .. .. .. .. .. .. ..  0

Depois da conquista desse goal, quando se acreditou que o Grêmio reagiria, viu-se pelo contrário, mais animado e tranquilo, o Internacional a aumentar o seu volume de ações, procurando a todo pano consolidar a vantagem com novo tento

Desta maneira, o restante do período pertenceu nitidamente aos rubros, cuja dianteira contudo, não obstante o maior número de investidas, não conseguia suplantar a vigilância dos defensores da Baixada.

Entretanto, aos 41 minutos, originou-se uma confusão diante do arco do Grêmio: Solis e Bodinho dela se aproveitaram, para alvejar, mas, em ambas oportunidades o couro foi devolvido, sendo que na segunda vez pelo arqueiro Sérgio, defendendo parcialmente: a bola derivou para a esquerda, onde Canhotinho, entrando oportunamente, entre dois defensores gremistas, logrou impulsionar a bola para dentro do arco estabelecendo o escore definitivo

Internacional .. .. .. .. . 2
Grêmio .. .. .. .. .. .. ..  0

No segundo período, viu-se o Internacional ainda predominando nas jogadas, durantes os primeiros minutos; mas a seguir o Grêmio repontou um pouco e carregou com alguma insistência sobre a área colorada. Nada de prática porém faziam os dianteiros do Grêmio, que não coordenavam as tramas, deixando-se desarmar pelos rubros com relativa facilidade. Camacho e Paulinho, ainda no início dessa etapa, machucaram-se, retirando-se ambos por alguns instantes da cancha. O atacante gremista contudo não mais conseguiu recuperar-se. foi deslocado para a ponta, onde passou a fazer mera figura. Jogou o Grêmio assim praticamente o restante do match com apenas dez homens válidos.

Podia por isso o Internacional, valendo-se dessa circunstância, assenhorar-se definitivamente do terreno e das ações, impondo ao adversário duro castigo. A dianteira colorada, porém, cada vez mais dominada pelos tricolores, não colaborou o suficiente para isso: de modo que o match foi-se arrastando, já agora com o Internacional mais preocupado em fazer passar o tempo, e conservar a vantagem inicial, do que mesmo alardear sua superioridade técnica.

Era virtualmente impossível, de resto, ao Grêmio, recuperar o terreno perdido; seu quinteto avançado já era uma peça nula, mas inoperante ficou depois que Camacho resumiu sua atividade a intervir em lances esporádicos .

O foot-ball, que já não era dos melhores, com  Internacional agora a conformar-se com os 2x0 e o Grêmio impossibilitado de reagir, decaiu ainda mais; e teria resvalado definitivamente para a completa pasmaceira, não fosse a ação enérgica e laboriosa de alguns elementos, que não deixaram o jogo "morrer" de todo.

Não se registrou porém nenhum contraste nessa segunda fase, findando o match com o placard da fase inicial: 2x0, pró Internacional.

Ao terminar o cotejo, os jogadores, dando bonita demonstração de cavalheirismo, abraçaram-se amigavelmente, encerrando-se assim com exemplar cordialidade mais uma página do clássico eterno: o Gre-Nal.

[...]

Foi juiz do prélio o sr. Fortunato Tonelli, que em geral marcou bem as faltas, com erros de pequena monta. As vezes, querendo resguardar sua autoridade, excedeu-se nas repreensões, desagradando a torcida e os jogadores. Mas conseguiu levar a bom termo sua espinhosa missão.

"Na preliminar, bateram-se os quadros de aspirantes das duas agremiações. Alardeando grande superioridade técnica, os rapazes do Grêmio levaram a melhor, por um escore que não refelete sua inconteste supremacia nas jogadas: 1x0  [...] Ao encerrar-se o match, demonstrando cabalmente o inconveniente, injustificavelmente não repremido, de soltar rojões em campos de foot-ball, um deles estourou junto às vistas de um player gremista, somente por grande sorte não se registraram consequências lamentáveis." (Folha da Tarde Esportiva - 2 de novembro de 1953)

Fotos: Folha da Tarde Esportiva - 2 de novembro de 2012

Grêmio 0x2 Internacional

GRÊMIO: Sérgio, Hugo e Noronha; Mirão, Laerte e Zé Ivo; Tesourinha, Bebeto, Camacho, Mujica e Torres

INTER: Milton; Lindoberto e Oreco; Paulinho, Salvador e Odorico; Luizinho, Solis, Bodinho, Jeronimo e Canhotinho

Data: 1º de novembro de 1953, domingo
Local: Baixada, em Porto Alegre-RS
Público: 8.955 (6.287 pagantes)
Renda: Cr$ 163.740,00
Árbitro: Fortunato Tonelli
Auxiliares: Belo e Sroka
Gols: Jeronimo aos 32 minutos e Canhotinho aos 41 minutos do primeiro tempo