quarta-feira, outubro 06, 2010

G4 ou G3

No dia 22 de setembro, a CBF surpreendeu muitos ao anunciar que, por decisão da Conmebol, somente os três primeiros colocados do Campeonato Brasileiro 2010 terão a participação assegurada na Libertadores 2011. O motivo seria a vaga dada ao campeão da Sulamericana.

O curioso é que, ainda no começo do agosto, Fernando Carvalho deu isso como certo, no programa Cadeira Cativa da Ulbra TV, e a notícia não ganhou repercussão.

Mas, a partir do anúncio da CBF, muito se discutiu sobre a questão. Talvez eu não venha a ser original neste post, mas alguns pontos precisam ser ressaltados.

O primeiro, e mais óbvio, é lembrar que o regulamento do Campeonato Brasileiro prevê 4 vagas à Libertadores. É assim desde o início do sistema de pontos corridos. Esse ano não foi diferente. Está no artigo 7º do regulamento:

Art. 7º – A classificação de clubes do campeonato para a Copa Libertadores de 2011 obedecerá aos critérios seguintes:

a) No caso da Copa Libertadores de 2010 ser conquistada por um clube brasileiro, estarão classificados os quatro primeiros colocados do campeonato, sendo que os 1º e 2º classificados acessarão a Copa Libertadores na sua 2ª Fase e os 3º e 4º classificados acessarão a Copa Libertadores na sua 1ª Fase (Fase Preliminar);


b) No caso da Copa Libertadores de 2010 não ser conquistada por um clube brasileiro, também estarão classificados os quatro primeiros colocados do campeonato, sendo que os três primeiros acessarão diretamente a 2ª Fase da Copa e o quarto classificado acessará a 1ª Fase da Copa (Fase Preliminar).


§ 1° – A contagem dos clubes classificados para a Copa Libertadores excluirá o campeão da Copa do Brasil de 2010, cuja vaga estará assegurada pelo regulamento da Copa Brasil.


§ 2° – A contagem dos clubes classificados para a Copa Libertadores também excluirá o campeão da Copa Libertadores de 2010, em sendo este um clube brasileiro.


Nesse meio tempo, o Grêmio começou uma campanha de recuperação no Campeonato Brasileiro. O G3 segue praticamente impossível, mas o G4 passou a ser uma meta alcançável. Com isso o debate sobre o número de vagas finalmente ganhou força aqui em Porto Alegre. E infelizmente a discussão ganhou ares de disputa Grenal. E não poderia ser assim.

O que deveria estar se questionando é a postura e a bagunça da Conmebol ( e da CBF por tabela), independente de serem Grêmio, Inter, Juventude ou São José os times beneficiados/prejudicados.

É certo que a CBF retire uma vaga do Brasileirão em meio a competição?

É justo que a Conmebol "puna" os afiliados da CBF por sua própria competência?

Contudo, o tema segue sendo tratado com clubismo e essas perguntas não são respondidas por quem vem tratando do tema na imprensa. No lugar, são feitas analogias descabidas com a questão da vaga da Sulamericana em 2008 e da mudança da janela de transferências nesse ano. Foram diversas as declarações infelizes, mas ninguém superou Francisco Novelletto:

"Não tem como inventar outra vaga. Isso aí é perda de tempo. A Conmebol abriu a vaga do campeão da Sul-Americana, e tirou uma vaga do país campeão da Taça Libertadores, que hoje é o Brasil. Não dá para tirar uma vaga da Venezuela. Já falei sobre isso com a CBF, mas é difícil voltar atrás." (GloboEsporte - 04/10/2010)

Só quem não acompanha os desmandos da FGF se supreendeu com a parcialidade do Novelletto. Sobre essa frase em especial, muita gente tratou o tema com propriedade nos blogs. Na mídia tradicional, não vi nenhum jornalista criticando a conduta do presidente da Federação. Não quero acreditar que o fato de uma empresa do Novelletto patrocinar diversos programas esportivos tenha algo a ver com isso.

Mas um ponto que precisa necessariamente ser refutado é essa falácia de que para incluir o G4 na Libertadores seria preciso tirar vaga de algum outro país. Alguns exemplos servem para derrubar essa afirmação estapafúrdia.

Neste ano, a Conmebol subiu de 3 para 5 o número de times mexicanos na Libertadores, como forma de compensar a saída forçada (em razão do vírus H1N1) de Chivas e San Luís da edição de 2009 .

Também é válido lembrar o que aconteceu na Champions League 2005–2006, quando a UEFA "inventou" uma vaga para o campeão europeu Liverpool, resolvendo um impasse entre a Federação inglesa, os "reds" e o Everton.

Por último, a solução mais simples para o "problema" foi dada pelo Felipe Silva, em um comentário no blog Impedimento:

- Hoje são 38 times que disputariam a Libertadores 2011. 26 clubes classificados diretamente para a fase de grupos e mais 12 equipes que disputarão 6 vagas através da Pré-Libertadores. Assim temos 26 + 6 = 32, que é o número necessário para montar 8 grupos de 4 equipes cada.

- Com mais um time, passaríamos para 39 equipes. Para chegarmos nos mesmos 32 times, só seria preciso reduzir o o número de classificados diretamente para 25, passando para 14 o número de times na pré-Libertadores. Assim teríamos 25 + 7 = 32

4 comentários:

Sancho disse...

Encaminhei essa sugestão do Catarina a CBF, Grêmio, Palmeiras e CAP. Até agora, ninguém me respondeu.

A solução é essa mesma, bem simples, e passa por três pontos:

a) considerar o campeão da Libertadores como vaga independente (e não com o n.º 1 do país do campeão);

b) passar BRA4 e ARG4 para a Pré-Libertadores, ao lado de BRA5 e ARG5;

c) fazer o campeão da Sul-Americana enfrentar o último classificado do seu país na Pré-Libertadores.

O Mário Marcos também publicou em seu blogue.

Abraço.

Diogo disse...

Mas o Estatuto do Torcedor não proíbe a mudança no regulamento?

Sancho disse...

O regulamento não mudou, Diogo. As vagas lá descritas dependem, obviamente, da disponibilidade.

Diogo disse...

Valeu, Sancho.