quinta-feira, maio 12, 2011

Segurança?

Eu me surpreendi com o baixo público do último Grenal, mesmo levando em conta o mau momento da dupla e que o domingo em questão era dia das mães. 23.391 torcedores representam muito pouco num universo de mais de 150.000 associados.

Eu sigo achando que o melhor lugar para se ver futebol ainda é o estádio. Mas ir a campo tem cada vez mais se tornado tarefa de gincana. Piores são os clássicos, quando passa a vigir um "estado de sítio" na cidade, onde as mínimas liberdades, direitos e garantias são solenemente ignorados.

Era praticamente impossível um gremista chegar ao Beira-rio neste último do domingo sem ser obrigado a se juntar a escolta. E aí era forçado passar por diversas barreiras, e a entrada da torcida no estádio era liberada a conta-gotas, mesmo faltando poucos minutos para o jogo.

Mas a pior parte foi a revista final. Feita entre o Gigantinho e o centro de eventos do beira-rio, onde ninguém pode ver nada. Ali fizeram todos os torcedores gremistas tirar os tênis, e alguns ainda tiveram que tirar as meias. Como se não fosse o bastante, a torcida era obrigada a andar uns 30 metros de pés descalços antes de poder colocar o tênis de volta.

E não faltou gente da imprensa elogiando o desempenho da Brigada Militar (Justiça seja feita, o único repórter que eu vi no estádio questionou toda a operação, mas parece ser voz solitária). Todos exageros da "rigorosa" revista se justificariam pela segurança no campo. Mas lá dentro, se viu um festival de rojões jogados pela torcida da casa. Um jogado na direção de Paulo Odone e Raul Régis, outro estourou perto dos integrantes do Departamento de futebol gremista, e mais uns tantos caíram próximos a grade que separava as torcidas.

E na saída, depois da já tradicional espera (que até é compreensível), o torcedor era novamente forçado a seguir a escolta até o Olímpico, tolhido do seu direito de ir e vir.

A ida a um estádio deveria ser um lazer, um divertimento, e não um desafio, uma aventura. Do modo como se apresenta hoje, a situação beira o insustentável. Eu temo pelo próximo passo que seja dado em nome da "segurança". Até que ponto é possível aguentar esses abusos?

A solução tem que ser maior do que as continuadas proibições e cerceamento de direitos. Futebol não pode virar um evento de torcida única. Ou virar um evento exclusivamente televisivo, sob pena de perder sua essência.

16 comentários:

Vinícius Antunes disse...

Isso tudo é devido aos marginais toscos e retardados que frequentam as torcidas de todo o país. Na Europa as torcidas se misturam, e nem quero que isso aconteça aqui, mas gostaria eu de poder ir à um jogo no Beira-Rio, andar tranquilamente com a minha camisa do Grêmio e me dirigir ao meu portão de acesso sem restrições, xingamentos e violência (que hoje, certamente aconteceria).

Nosso país possui seres com capacidade mental inferior à animais de pouca inteligência. Apoio este tipo de revista para os dias de hoje, com MUITOS ajustes e trazendo os direitos do torcedor ao foco principal, mas que os baderneiros inconsequentes sejam BANIDOS dos estádios, que são um dos poucos prazeres que ainda temos.

Guto disse...

Vinicius, isso que tu falaste da Europa é uma tremenda bobagem. Não é possível fazer isso de forma alguma.

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André, eu parei de ir ao Beira-Rio justamente por isso. Cansei da brutalidade e da ignorância da BM que ainda é aplaudida pela imprensa. Nos tratam como animais, e nos agridem verbal e fisicamente sem pudor algum. Não vou nem de graça.

Vinícius Antunes disse...

"Na Europa as torcidas se misturam, e NEM QUERO QUE ISSO ACONTEÇA AQUI"

Não é bobagem, uma civilização, ou seja, feita de possoas CIVILIZADAS, sabem conviver com o "adversário". Coloco novamente, não quero que aconteça aqui, mas lá SIM, eles sentam ao lado do adversários, em TODOS os esportes. Nos EUA é assim na NBA, MLB, NFL e todo o resto!

Podemos ser apaixonados, porém, civilizados. Não precisamo agredir para ganhar jogos...

perin1979 disse...

Acho que as medidas mais rigorosas foram adotadas em virtude do caos ocorrido na saída do último Gre-Nal, quando marginais infiltrados na torcida Tricolor (não são torcedores)s derrubaram os cavaletes e foram para cima dos torcedores que saíam da rampa da superior.

Por exemplo minha irmã teve que correr 4 quadras para fugir dos incidentes e outros colorados foram agredidos no Menino Deus em incidentes relatados na mídia.

Infelizmente, o comportamento de marginais infiltrados torcida do Internacional (igualmente não são torcedores) é igualmente deplorável.

Sou contra as escoltas, sou contra os "bretes" que fazem a torcida do Grêmio passar em Gre-Nais do Beira-Rio. Se tu trata mal o torcedor, não pode exigir bom tratamento.

Sou a favor de punições rigorosíssimas para os bandidos de sempre, que todos conhecem, são os mesmos que invadem campo em treino, que ameaçam pela internet, que ganham barbadinhas dos dirigentes de ambos os clubes para viajar para o exterior, em detrimento dos sócios pacíficos e atuantes.

Desculpa o desabafo, mas enquanto não tratarem todos com civilidade, vai só piorar.

João Inácio da Silva disse...

Bom eu nunca fui ao estádio beira rio para ver jogos, não sei de que tantas revistas estão falando. E até por isso o meu comentário pode ser injusto. Mas acredito que as próprias torcidas criaram esse clima. Ah... mas dirão que são uma minoria. Pois eu direi que todos são omissos. Os marginais estão na torcida, fazem confusão, geram brigas inclusive dentro da torcida e ninguém faz nada, pelo contrário estão sendo cúmplices. É lamentável ver que não podemos ir aos estádio e passear mostrando o clube pelo o qual torcemos. A intolerância em todos os sentidos fez com que chegassemos nessa situação. Apenas dizer que a BM está rígida é contar somente uma parte da verdade. Reflitam.

João Inácio da Silva disse...

Vinicius, não vamos longe... não é possível ir ao estádio para ver o jogo. É obrigação de quem ir ao estádio cantar e pular. Isso está errado!! Eu sou adepto de ir atráz do gol...e cantar...e pular... MAs sei que pessoas que o fazem e são chingadas..ofendidas e as vezes agredidas por não quererem cantar! Isso tudo na mesma torcida. Convenhamos temos muito o que amadurecer para nos comparar com Europa... mas poderíamos ter mais tolerância inclusive dentro da própria torcida. Começando pela EXPULSÃO E EXCLUSÃO dos marginais das torcidas. Claro que não será possível fazer isso como disse, mas se maioria for mais tolerante E menos omissa e passiva, teremos grandes mudanças. Sem passar por "constrangimentos" para entrar nos estádios.

João Inácio da Silva disse...

perin1979 disse muito bem... não é o lema da popular do inter..."beber, 'não sei o que' e brigar"?

pois bem... incluo na passividade os dirigentes dos clubes... em especial os dirigentes TRICOLORES.

Vinícius Antunes disse...

Exatamente João! Não quero nos comparar à Europa, apenas mostrar que é possível conviver assim. Podemos ter um estádio pacífico, sem violência, e de rivalidade apenas esportiva.

Alexandre Perin disse...

Ficando claro que estes idiotas são compartilhados entre todas as torcidas. O que eu defendo é uma CIVILIZAÇÃO do trato com o torcedor. Teremos problemas no início, mas depois tudo melhora.

Lembram dos arames farpados do lado do estádio? Agora não tem mais isto e as invasões nunca mais ocorreram

Victor Silva disse...

Meus caros,

Sempre que este assunto vem a baila faço algumas perguntas:
Qual foi o grenal que deu alguma confusão que justificasse escolta?
Escolta não é para presos?
Colocar o torcedor para passar em bretes não parece coisa que se faz para o gado?
Notem que o torcedor é tratado como um animal, qual o comportamento que devemos esperar de alguém que é tratado como animal?

Anônimo disse...

Boa parte disto é culpa do nosso presidente, que financia bandidos. Não faltam relatos de "torcedores" do Grêmio brigando no Beira-Rio, no interior, em outros Estados e até no Exterior (como no jogo na Bolívia, por exemplo). É por causa destes "torcedores" que os demais, cidadãos de bem, são obrigados a passar por situações como estas. O pior é saber que ainda teremos de aguentar isto por 1 ano e meio... Espero q seja a última vez!!!

Fernando disse...

Aff, esqueci de assinar. O comentário "Anônimo" que inicia com "Boa parte disto é culpa do nosso presidente, que financia bandidos..." foi feito por

Fernando - Máfia do Apito
http://www.mafiadoapito.com.br
http://twitter.com/mafiadoapito

Anônimo disse...

Inicialmente, parabéns pelo post. Foste o único bloguero a comentar esse absurdo.
A questão é: os torcedores do inter passaram por essa revista?
A direção do Grêmio soube disso? O que fez quanto a essa arbitrariedade provocada contra seus sócios?

Esperamos, gremistas, no mínimo, reciprocidade de tratamento.

Tudo isso pra Rainha de Roma não ver BOLINHAS DE TÊNIS LANÇADAS PARA SI.

João Inácio da Silva disse...

Opa Victor Silva, acha que a ordem certa é essa? Nos tratam "mal"...tratamos mal qualquer um... Pois é...são esses pensamentos confusos que acabam gerando confusões dentro dos estádios..

O que quero frisar é que isso é um ciclo... onde se há torcedores brigões haverá restrição e advertência da BM... e dae... os brigões se revoltam...e dae a BM age...e dae.. ja viram ...

Com toda a certeza existe torcedores que querem ver o GRÊMIO vencedor novamente e que não precisam criar tumulto, vandalismo, brigas para mostrar que querem isso. Esses que continuem nos seu intuito...com uma diferença. NÃO SEJAM PASSIVOS E CÚMPLICES dos bandidos infiltrados. TODOS SABEM QUEM SÃO. Esses bandidos ja saiem de casa para arrumar confusão. ELES SE BENEFICIAM DE SER ANONIMOS.

Além de revistas... perdemos muitas coisas por esses. Cerveja nos estádios, levar a famnília, bandeiras, bumbos... o que + precisa?!?... E ainda acham que as ações da BM são sem motivos??

cabe o velho deitado: O pior cego é o que não quer ver...

Diogo disse...

Falta uniformidade nos sistemas de segurança nos estádios. Ora rigorosos ao extremo, ora complacentes demais.

Ainda bem que ainda não inventaram aí o clássico de torcida única como ocorre em Seven Lakes. Mas pelo visto não vai demorar a acontecer.

martina disse...

Pra mim falta é critério.

Ora, quem vai ao estadio toda semana sabe quem são os torcedores que arrumam encrenca. Os tais dos "poucos marginais" citados por todo mundo.
Se um torcedor comum consegue identificá-los, quem dirá a brigada, que teoricamente deveria ter sido treinada para isso.

Mas na prática o que acontece é: a brigada trata todo mundo igual, se julgar necessário baixa o cassetete indiscriminadamente, e no fim, deixa todo mundo entrar no estádio junto - inclusive que já deu problema desde a saída da escolta - e provavelmente vai dar problema dentro do estádio também.