quinta-feira, março 11, 2010

Copa do Brasil 1995



A Copa do Brasil de 1995 evoca diversas lembranças. Foi o ano que o SBT comprou os direitos da competição, passando a valorizá-la ao exibir diversos jogos em horário nobre.

Lauro Quadros suspeitou da tabela que favorecia o Flamengo. 10 anos depois Socrátes fez, na sua coluna na revista Carta Capital, revelações estarrecedoras sobre a montagem dos jogos para favorecer o Rubro-negro.

O Grêmio tinha um caminho bem complicado. Nas oitavas, Danrlei fechou o gol no Parque Antártica e garantiu um heróico 2x2 com 8 jogadores em campo. Nas quartas, Jardel pulou mais alto que Zetti e liquidou o São Paulo. Nas semifinais, a lendária briga de Felipão e Luxemburgo.

Na final, cansado pela maratona de jogos daquele primeiro semestre, o Grêmio não teve forças para superar o Corinthians. Contudo, no final do 2º jogo, aconteceu uma das cenas mais bonitas da história do estádio Olímpico, quando a torcida cantou o hino em uníssono para reconhecer o esforço do time no gramado.


PRIMEIRA FASE
Jogo de Ida - 14/02/1995 - Terça-feira - 20:30
Desportiva-ES 0 x 1 Grêmio
Local: Estádio Engenheiro Araripe - Juiz: Carlos Elias Pimentel
Gol: Jardel

Jogo de volta - 28/03/1995 - Terça-feira - 20:30
Grêmio 2 x 1 Desportiva-ES
Local: Estádio Olímpico - Juiz: Dalmo Bozzano
Gols: Paulo Nunes e Magno (GRÊ); Mário (DES)


OITAVAS DE FINAL
Jogo de ida - 11/04/1995 - Terça-feira - 20:45
Grêmio 1 x 1 Palmeiras
Local: Estádio Olímpico - Juiz: Antonio Pereira da Silva(GO)
Gols: Rivaldo (PAL), Dinho [pen](GRÊ)


Jogo de volta - 18/04/1995 - Terça-feira - 20:45
Palmeiras 2 x 2 Grêmio
Local: Parque Antártica - Juiz: Wilson de Souza Mendonça-PE
Gols: Goiano e Paulo Nunes (GRÊ); Lozano e Rivaldo (PAL)


QUARTAS DE FINAL
Jogo de ida - 05/05/1995 - Sexta-feira - 20:45
São Paulo 1 x 1 Grêmio
Local: Pacaembu - Juiz: Sidrak Marinho dos Santos-SE
Gols: Bentinho (SP) Paulo Nunes (GRÊ)



Jogo de volta - 12/05/1995 - Sexta-feira - 20:45
Grêmio 2 x 0 São Paulo
Local: Olímpico - Juiz: Márcio Rezende de Freitas-MG
Gols: Arílson e Jardel


SEMIFINAL
Jogo de ida - 23/05/1995 - Terça-feira - 20:45
Flamengo 2 x 1 Grêmio
Local: Maracanã - Juiz: Lincoln Afonso Bicalho-MG
Gols: Sávio [2] (FLA); Jardel (GRÊ)



Jogo de volta - 31/05/1995 - Quarta-feira - 20:45
Grêmio 1x0 Flamengo
Local: Olímpico - Juiz: Márcio Rezende de Freitas-MG
Gol: Jardel





FINAL

Jogo de ida - 14/06/1995 - Quarta-feira - 20:45
Corinthians 2 x 1 Grêmio


CORINTHIANS
: Ronaldo, Vítor, Célio Silva, Henrique e Silvinho; Bernardo (Ezequiel), Marcelinho Paulista e Souza; Marcelinho Carioca, Viola e Fabinho (Elivélton).

Técnico: Eduardo Amorim.

GRÊMIO: Danrlei, Arce, Rivarola, Luciano e Carlos Miguel; Dinho (Gélson), Adílson, Luís Carlos Goiano e Alexandre; Paulo Nunes (Vágner Mancini) e Jardel.
Técnico: Luiz Felipe Scolari.

Local: Pacaembu (São Paulo-SP);
Público: 25.281
Renda: R$ 415.212,00
Árbitro: Antônio Pereira da Silva (GO)
Cartões Amarelos: Silvinho, Célio Silva, Marcelinho Paulista,Carlos Miguel, Rivarola, Luciano e Adílson
Cartão Vermelho: Vágner Mancini
Gols: Viola 41' do 1º; Luís Carlos Goiano 20' e Marcelinho Carioca 26' do 2º



Jogo de volta - 21/06/1995 - Quarta-feira - 20:45
Grêmio 0 x 1 Corinthians

GRÊMIO : Danrlei, Arce, Rivarola, Adílson e Carlos Miguel; Dinho (Alexandre), Gélson, Luís Carlos Goiano e Arílson; Paulo Nunes e Jardel.
Técnico: Luiz Felipe Scolari.

CORINTHIANS: Ronaldo, André Santos, Célio Silva, Henrique e Silvinho; Zé Elias, Bernardo e Souza; Marcelinho Carioca, Viola e Marques (Tupãzinho).
Técnico: Eduardo Amorim

Local: Olímpico (Porto Alegre-RS)
Público: 47.352
Renda: R$ 740.415,00
Árbitro: Márcio Rezende de Freitas (MG)
Cartões Amarelos: Jardel, Rivarola,Gélson, Adílson, André Santos e Bernardo
Cartões Vermelhos: Paulo Nunes e Silvinho.
Gol: Marcelinho Carioca 26' do 2º


------------------------------------------------------------------------------------
Fontes: Bola na área, CBF, Placar, Zero Hora e Jornal do Brasil

10 comentários:

Vicente Fonseca disse...

Sensacional. Sem mais.

cristiano disse...

boas lembranças! muito legal

abraços

Gustavo disse...

Não digo que tenha sido "salto alto", mas o fato do Grêmio ter marcado um gol na partida de ida deixou-o muito confiante na volta. Realmente ninguém esperava que a estrela do Marcelinho brilharia tanto naquela noite...

Aliás, eu estive presente em outro 1x0 do Corinthians no Olímpico, nos "playoffs" do Campeonato Brasileiro de 1998. Tinha grande expectativa naquele campeonato, especialmente depois que o Inter guardou carinhosamente nossa vaga. O mais impressionante foi ter conseguido ganhar deles de 2x0 no segundo jogo, com dois gols impressionantes de ITAQUI e CLÓVIS (duas baitas NABAS, por assim dizer).

Gustavo disse...

Ainda sobre o C.Brasileiro de 1998 e 1999, confesso que sempre fui simpático à ideia do playoff, pois realmente dá uma grande vantagem ao time de melhor campanha, ao poder jogar tanto a segunda como a terceira partida (se necessária) em sua casa.

Não pra menos, nos dois anos que isso aconteceu o Corinthians, realmente tendo tido a melhor campanha na primeira fase, levou o caneco.

André Kruse disse...

Itaqui tinha seu valor.

Nao me pareceu ter sido salto alto. O Gremio chegou muito cansado naquela decisao.

Pro meu gosto a vantagem do Playoff era absurda. Ate se justificaria no confronto do 1° com 8°, mas nao em caso de partidas entre o 4° e 5°, que terminaram separados pelo saldo de gols.

Eduardo disse...

"Itaqui tinha seu valor."

Manja muito.

Maninho Fragoso disse...

André, faltou o jogo da volta contra o Flamengo.

André Kruse disse...

https://web.archive.org/web/20080618101325/http://cms.cartacapital.com.br/carta/edicoes/2005/10/365/3259/

CartaCapital

PROMISCUIDADE PURA
por Sócrates

Há dez anos, numa reunião da cúpula do Flamengo com um diretor da CBF, tratava-se de ajeitar uma tabela de campeonato de acordo com os interesses do clube

Sócrates
Ainda tenho uma pendência financeira com o Flamengo que vem desde o tempo em que lá joguei – há exatamente 20 anos, eu chegava ao clube. Depois de muito tentar um acordo, joguei a toalha e decidi apresentar as minhas razões à Justiça. Os passos estão sendo dados, ainda que lentamente, e um dia se decidirá pelos meus direitos não atendidos.

André Kruse disse...

Pois foi em uma dessas tentativas de buscar uma solução amigável com o clube que vivenciei um quadro que diz bem como se processa a relação entre clubes e confederação quando existe um interesse comum. Eu marcara uma reunião com o então presidente do Flamengo, Kléber Leite (hoje ocupando um cargo informal no clube), e, na hora determinada, cheguei à nova e suntuosa sede do clube – no meu tempo, a administração era embaixo das arquibancadas da Gávea. Na ante-sala da presidência me pediram para esperar um pouco, pois ele estava em meio a uma reunião muito importante e que logo após me receberia. Recebi o recado com naturalidade e procurei uma cadeira para aguardar.

Foi até bom, porque, nesse período em que permaneci ali na sala de espera, pude rever muitos e bons amigos que entravam e saíam daquela pequena saleta sem ter chances de ser atendidos. Relembrar com eles os anos em que lá passei foi muito prazeroso e me fez desprezar o tempo que perdi naquele ambiente. Finalmente, fui chamado para entrar no gabinete presidencial. Surpreendi-me, pois não vi ninguém sair e imaginei que deveria haver uma outra porta por onde os presentes ao encontro pudessem retornar aos seus afazeres normais. Fui levado à sala de reuniões em que, ao redor de uma grande mesa retangular, se postavam várias figuras conhecidas e alguns, para mim, estranhos. Percebi então que a reunião não terminara e que dali em diante eu estaria assistindo ao final da mesma.

André Kruse disse...

Depois de cumprimentar todos, sentei-me relaxadamente como sempre e passei a observar o ambiente. A princípio, notei que de alguma forma eu estava incomodando algumas daquelas pessoas, mas não a maioria. Eu nem mesmo havia entendido a causa de me terem convidado para participar daquela roda – o que eu tinha para falar com o presidente nem de longe poderia interessar aos demais –, mas busquei entender o que se passava pela cabeça de cada um deles. O técnico Luxemburgo, naquele momento, era o que mais falava e, inclusive, me argüiu sobre o que eu achava de Djalminha e Amoroso e qual dos dois serviria para ser o que eles chamavam de arco e flecha – aquele que arma a jogada e que também define, faz gols. A resposta, de tão óbvia, saiu como um reflexo da minha boca.

Acho que, talvez, eles também estivessem discutindo a possível contratação do
atual atacante do São Paulo. Mas, com certeza, este não era o assunto principal daquela confraria. E isso ficou claro depois do primeiro impacto que a minha presença provocou, quando eles retornaram ao tema principal que, inacreditavelmente, me teve como testemunha. Um senhor que eu não conhecia era nada mais nada menos que um diretor da CBF encarregado de formular as tabelas dos campeonatos – pelo menos na Copa do Brasil daquele ano, 1995, ele parecia ter plenos poderes. Os demais estavam com as datas do torneio nas mãos e com o quadro de confrontos, que ainda não fora definido, deitado sobre a grande mesa.

Todos os aspectos eram expostos nos mínimos detalhes e discutidos pela alta cúpula do clube ali presente. Qual a data mais interessante para jogar, já que, concomitantemente, o Flamengo disputava o Campeonato Carioca. Onde seria menos desgastante se apresentar – no interior do Pará ou de Goiás, por exemplo. Quais os adversários que exigiriam menos. Discutiu-se, inclusive, qual time poderia atrapalhar os seus mais tradicionais rivais do estado do Rio de Janeiro – particularmente o Vasco da Gama.

Tudo o que se definia era anotado pelo senhor em questão. Como um vassalo, ele se prestava a dar qualquer esclarecimento que fosse do interesse dos demais. Depois de pouco mais de uma hora, definiu-se o que se queria. A partir daquele instante, todos ali, de comum acordo, já sabiam o que poderia ser a caminhada do Flamengo rumo ao pretenso título – que, apesar de todos aqueles cálculos, acabou não sendo conquistado.

Por essas e outras é que sempre duvidei de qualquer ato das federações e/ou confederação. É muita promiscuidade. Quando o árbitro, réu confesso de ter manipulado resultados no atual Campeonato Brasileiro, aponta alguns dirigentes como agentes de pressão para proteger determinados clubes, não tenham dúvidas de que mais uma vez ele está dizendo a verdade. E tenho certeza que muito mais podridão há debaixo do tapete.