segunda-feira, maio 17, 2010

Taça Brasil 1963 - Grêmio 1 x 3 Santos


Em janeiro de 1964, Grêmio e Santos jogaram pelas semifinais da Taça Brasil de 1963. O Grêmio havia passado pelo Metropol (1x1 no Olímpico, 2x0 em Cricíuma) e pelo Atlético-MG (1x1 no Independência e 2x1 no Olímpico).

Os paulistas, assim como os cariocas, entravam direto nas semifinais.

Neste post está o material que coletei sobre o jogo de ida, disputado no Estádio Olímpico.

É interessante verificar a discrepância nos relatos dos jornais. Áureo foi elogiado pelo Correio do Povo, e criticado pelo Jornal do Brasil. Da mesma forma, a questão da organização do jogo foi vista de forma distinta pelos jornais.

GRÊMIO: Alberto; Valério, Airton, Aureo e Ortunho; Cleo e Milton; Marino (Madureira), Joãozinho, Paulo Lumumba e Vieira.
Técnico: Froner

SANTOS: Gilmar; Dalmo, João Carlos e Geraldino; Haroldo e Zito; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Batista.
Técnico: Lula.

Data: 16 de janeiro de 1964, quinta-feira.
Local: Estádio Olímpico - Porto Alegre (RS)
Renda: Cr$ 21.357.000,00
Público: 45.000
Juiz: Eunápio de Queiros
Gols: Paulo Lumumba 6', Coutinho 25', Coutinho 70' e Pelé 76'



"[...] O elemento que mais impressionou no Grêmio foi Paulo Souza no ataque. Seu trabalho agradou sempre. Deslocou-se bem e acompanhou todos os movimentos da dianteira do Grêmio,a a bem da verdade, não andou como se esperava [...]

[...] O grande valor do Grêmio foi Aureo, que na noite de ontem deixou para traz Aírton, em muitos pontos. Foi mais seguro e mais positivo, apesar da apresentação dos demais. [...]"


“A renda de Cr$ 21.357 mil quebra quase pelo dobro o recorde gaúcho, com 45 mil pessoas presentes”

“[...] Haroldo salvou atabalhoadamente, para, aos seis minutos, Vieira fazer excelente jogada, driblando dois defensores do Santos e lançando Paulo Souza em profundidade, para este marcar 1 a 0, num chute violento e cruzado, de baixo para cima, sem dar oportunidade ao goleiro Gilmar.”


[...] O movimento em Porto Alegre surgido com a realização do jogo Santos X Grêmio foi sem precedentes, chegando a causar, a exploração de cambistas, reclamações no plenário da Câmara Municipal, onde diversos vereadores protestaram contra a falta de combate aos aproveitadores que estavam cobrando Cr$ 500,00 por uma geral, diante da omissão total das autoridades. Três mil cadeiras especiais numeradas foram colocadas na pista e, como todas as demais localidades, integralmente vendidas.”



“O melhor lance do jogo nasceu com Coutinho, que deu um lençol em Áureo e empurrou para Pelé, que cobriu a Aírton e voltou de cabeça a Coutinho. O mesmo feitio de jogada foi feito até dentro da área gaúcha, mas faltou equilíbrio e só restaram os aplausos do público.”

O gol do Grêmio

Alberto Vs. Coutinho



"Realizando um total de 58 ataques durante a partida de quinta-feira, o Santos F.C. realmente esteve mais com a bola, mas atirou menos ao gol que o tricolor [...]"

"[...]O Grêmio, no primeiro tempo realizou 25 avançadas, desviou 3 bolas e acertou 4 vezes o arco. Obteve 1 gol. No segundo tempo, conduziu 28 ataques, desviou 5 bolas e acertou três na meta, exigindo defesas de Gilmar"


“As cadeiras colocadas no gramado tiveram garantia completa e o público correspondeu plenamente as solicitações da Polícia, pois tudo correu bem, sem nenhuma nota dissonante. O serviço de copa andou bem e o povo não usou foguetes e rojões, para dar expansão às suas alegrias”


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Fontes: Correio do Povo, Folha da Tarde e Jornal do Brasil

4 comentários:

Sancho disse...

A tabela de cabeça entre Pelé e Coutinho, segundo Calvet

postado por Divino Foseca, Futebol Gaúcho, Lance!

Maior quarto-zagueiro das histórias de Grêmio e Santos, Raul Donazar Calvet (1934-2008) voltou para sua Bagé (RS) ao deixar o futebol. Nas rodas de chimarrão, o sempre bem-humorado Calvet gostava de lembrar de uma história que, se não inventou, aumentou bastante – mas que de qualquer forma ilustra bem o que foi a espetacular tabelinha de cabeça entre Pelé e Coutinho naquele Grêmio 0 x 3 Santos de 1963 no Olímpico, pela Taça Brasil.

Segundo Calvet, antes do jogo ele chamou seu ex-parceiro de zaga no Grêmio, o grande Aírton Ferreira da Silva, deu-lhe um forte abraço e o preveniu: “Está vendo aqueles dois negrinhos ali? Te posiciona de modo a não ficar entre eles. Tchê, eu hoje estou do outro lado, mas continuo teu amigo”.
Quando aquele encantamento de lance se desenhou – Pelé e Coutinho trocando passes de cabeça, do grande círculo até a meia-lua do Grêmio – Calvet, sempre segundo ele próprio, gritou lá da defesa do Santos: “Sai daí, Aírton, eu te avisei”. E teria ouvido a resposta irada: “Vai pra p...”.

Eu estava na arquibancada naquela noite e posso testemunhar que não foi só Aírton, foi meio time do Grêmio que se entreverou, atrapalhado, enquanto os dois gênios brincavam de não deixar a bola cair.

Não terminou em gol, mas foi uma das mais belas jogadas que aquela dupla executou. Não ficou registro, mas a versão de Calvet ajuda a reproduzi-la no campo da nossa imaginação. Dificilmente se verá algo igual, mas rememorá-la é uma forma de desejar voltar ao Olímpico nesta quarta-feira.

Prestes disse...

Grande post!

luís felipe disse...

meu pai jogou a preliminar desse Grêmio x Santos, com a camisa do Grêmio.

me emocionei agora.

Eder S Scain disse...

Meu sempre me disse que jogou uma preliminar, acho até que foi essa. LuizFelipe pode confirmar contar quem foi essa preliminar.