quarta-feira, janeiro 07, 2009

Patrocínio Conjunto?

Hiltor Mombach - Correio do Povo - 6 de Janeiro

"O Grêmio teria recebido de uma indústria automobilística proposta de R$ 15 milhões anuais para patrocinar a camiseta. Teria enviado a proposta para o Banrisul, que possui prioridade para renovação, que teria coberto. Escrevo tudo assim, no condicional, pois não pude checar com o marketing do banco e porque há informações contraditórias.
A contradição começa quando ouço alguém do marketing colorado. Se o Grêmio recebeu proposta de uma empresa automobilística, o Inter também deveria ter recebido, e no mesmo valor, por uma questão cultural. Nenhuma empresa brigaria com metade do Rio Grande do Sul. O Inter não recebeu e procura alternativas. Mais: no Inter, o valor de R$ 15 milhões é considerado alto. Não pela exposição que as marcas Grêmio e Inter vêm garantido, mas porque em São Paulo, onde os investimentos em marketing são os maiores do Brasil, São Paulo e Corinthians recebem pouco mais de R$ 15 milhões por ano de patrocínio nas camisetas.
Do lado colorado, a informação é de que dificilmente o Banrisul aumentará, se é que irá renovar, os R$ 3,6 milhões anuais, mesmo que, pelos cálculos do clube, tenha tido um retorno em mídia de R$ 50 milhões em 2008. Se não aumentar, a tendência será o fim da parceria."


Temos que dar um desconto para a dor-de-cotovelo. Mesmo assim a percepçao do marketing colorado, embora baseada na tradição, é conflitante com a pesquisa feita pela TNS Sport:

"Pesquisa da TNS Sport aponta que mais de 95% dos fãs de futebol não deixariam de comprar algum produto ou serviço por ele ser patrocinador de um clube rival.

Para a maioria dos torcedores, conquistar o coração de uma torcida ao firmar um patrocínio esportivo não significa figurar na lista negra da torcida adversária. Pelo menos é o que aponta uma pesquisa da TNS Sport. De acordo com o levantamento, apenas um a cada 22 torcedores (4,47%) afirma que não compraria um produto ligado a um time adversário. Já 95,53% dos entrevistados responderam que não deixariam de comprar algum produto ou serviço por ele ser patrocinador de um clube rival.

A pesquisa, que ouviu 7.001 pessoas em 14 estados do país e tem margem de erro de 1,1 ponto percentual, também indicou as empresas com maior recall entre os torcedores." (Blog Momento do Futebol, 10 de setembro de 2008)


Em sua coluna seguinte Hiltor Mombach faz esclarecimentos, e faz uma válida lembrança sobre o fornecedor de material esportivo, que desde a segunda metade da década de 80 nunca fui o mesmo para a dupla:

"Talvez eu tenha provocado um equívoco. Ouvi de um dirigente colorado a frase de que nenhuma empresa brigaria como metade do RS. A conclusão não é minha. A Tramontina anuncia nos dois. O Banrisul, também. Porém, as empresas de material esportivo são diferentes. Sobre material esportivo. Além de um valor determinado por ano, Grêmio e Inter recebem 8% de royalties sobre cada camiseta comercializada" (Hiltor Mombach - Correio do Povo, 7 de janeiro de 2009)


Ainda sobre esta questão sobre patrocínio conjunto da dupla o Gustavo, do Cabeça Dinossauro, fez algumas considerações interessantes.

Sobre o baixo valor recebido pelo Grêmio da Puma e do Banrisul é opurtuno lembrar o post feito pelo Minwer, no Grêmio Libertador.

3 comentários:

Gustavo disse...

Obrigado pela citação, André.

Esse feriadão de ano novo tive uma experiência interessante: meu sogro, colorado, não queria usar um calção da Kappa que havia ganho. A alegação é que a Kappa ERA DO GRÊMIO.

Fiquei meio espantado com a absurdez do comentário, já que ela não é mais fornecedora do tricolor desde 2004. E me lembrei do meu post a respeito desse assunto.

Mas ainda acredito que este tipo de comportamento seja uma exceção. Porém, aqui no Estado não faltam exemplos da absoluta falta de racionalidade quando se trata da rivalidade. Creio que as empresas temem ser prejudicadas caso não patrocinem os dois clubes simultaneamente.

Francisco Luz disse...

Eu estou entre esses menos de 5% aí. Nunca usei nada da Pênalti nem da Kappa, e só uso um tênis da Puma porque ganhei da minha namorada, e aí fica brabo argumentar. Mas sei que sou caso perdido.

O que o diretor do Inter pareceu esquecer é que em 95, 96 e 97, Grêmio e Inter tinham patrocínios diferentes de empresas gaúchas. Será que, deliberadamente, essas empresas decidiram "brigar" com o mercado daqui? Improvável.

E esse súbito desejo que os dois times têm de sempre renovar com o Banrisul, sem ao menos apresentar outra proposta por valores maiores, me parece muito estranha.

André Kruse disse...

Como vocês dois deram exemplos de restrições ao fornecedor esportivo do Rival. Pode ser pouca coisa, mas é um fenomeno que existe. Por que isso nunca é falado em relação ao material esportivo e só em relação ao patrocínio.

O Aplub e Renner nos anos 90 foi algo bem interessante, mas se explica mais pelo clubismo dos diretores das empresas. Em 95 chegou a ser cogitado o patrocínio da Suvinil na camisa do Grêmio, acho que só entao a Renner se mexeu.

Essa predileção pelo Banrisul é estranha mesmo. Só não é mais estranha do que o eterno patrocínio da Petrobras na camisa do Flamengo