sexta-feira, setembro 19, 2008

Olímpico - 54 anos


"O Estádio Olímpico foi inaugurado no dia 19 de setembro de 1954. O jogo inaugural foi realizado entre Grêmio e Nacional de Montevideo, vitória gremista por 2 a 0. Os gols foram anotados pelo atacante Vitor que entrou para a história por ter marcado o primeiro gol do estádio gremista" (Grêmio.net)



Da Caiu do Céu para o Olímpico


Sediado desde 1904 na Baixada, localizada no bairro Moinhos de Vento, o Grêmio trocou de casa em 19 de setembro de 1954, quando inaugurou o Olímpico. Foi um processo longo - cerca de 14 anos - e complicado, mas valeu a pena: ao fim, os gremistas podiam se orgulhar do maior estádio particular do Brasil à época.

Quem vai ao Olímpico, hoje, dificilment
e imagina a metamorfose proporcionada pelo estádio na Azenha. Enquanto o rival Inter ergueu o Beira-Rio onde antes havia apenas água, o Grêmio teve de desalojar uma vila e, ainda, encarar uma negociação com os herdeiros de parte da área - propriedade da viúva de Tibúrcio de Azevedo.

Os obstáculos dificultaram, mas não sepultaram a idéia de abandonar a Baixada - condenada pela prefeitura.

Em 1940, apoiado pelo colega Aneron Correia de Oliveira, o presidente Telêmaco Frazão de Lima iniciou tratativas com a prefeitura para a permuta do terreno do Moinhos de Vento por outro na Avenida Carlos Barbosa, oficializada em 16 de setembro de 1940. Acabou sendo a melhor opção para o Grêmio, mas não a primeira: cogitou-se levar o clube para a área do antigo Cine Castelo, ou a construção de um campo onde hoje está a Avenida Farrapos.

No ano seguinte, com Aneron Correia de Oliveira à frente do clube, o Grêmio depositou a pedra fundamental do Olímpico. Daí até o início da obra, porém, passaram-se mais de 10 anos, porque foi preciso retirar os moradores da Vila Caiu do Céu. (Zero, 29 de março de 2008)


Boa vontade gremista

Com tantos percalços, o Grêmio só tomou posse de seu terreno em 1948 - mas as famílias da Vila Cai do Céu só foram transferidas para outras áreas em 1951. Com o terreno limpo, foi possível iniciar as obras em 12 de dezembro do mesmo ano. Antes, porém, foi preciso planejar o Olímpico, definir como custeá-lo e chegar a um modelo de estádio. Tudo aconteceu na presidência de Saturnino Vanzelotti, que assumiu em 1949 e fez da casa nova uma prioridade. - Todo mundo achou que ele era louco - lembra o gremista histórico Salim Nigri. Em 8 de janeiro de 1951, Vanzelotti e uma comissão julgadora definiram o vencedor do concurso público para o anteprojeto do Olímpico - a proposta de Plínio Oliveira Almeida, Naum Turquenitch e Edison Ribeiro venceu. A arrecadação de verbas para financiar as obras envolveu campanhas como a Grande Tômbola Pró-Estádio Tricolor, de janeiro de 1951, e outras rifas, doações de torcedores e promoções. A previsão inicial de inauguração era em 1953, ano do cinqüentenário do Grêmio, mas dificuldades adiaram a data. A construção começou em 24 de abril daquele ano e foi relativamente rápida - terminou um ano e cinco meses depois. O comando dos trabalhos coube ao engenheiro Sylvio Toigo Filho, dono da construtora Toigo e que executou a obra de graça. Ele e seus operários erigiram um estádio que serviu como base para o Olímpico atual - nos anos 70, houve ampliação para o modelo com arquibancadas superiores completas. O estádio original contava com anel inferior fechado e um pavilhão coberto, onde ficavam tribuna de honra e duas mil cadeiras. A capacidade chegava a 38 mil pessoas. Sob o sol de 19 de setembro de 1954, os portões do estádio foram abertos ao meio-dia e começou a receber sócios e torcedores para a festa. A solenidade de inauguração começou às 15h, com desfiles da banda da Brigada Militar e de diversos representantes do Grêmio - entre eles, Pedro Carvalho Haeffner e Carlos Faedrich, da turma de fundadores em 1903. Em campo, o time venceu o Nacional por 2 a 0 - gols de Vitor. Foi a primeira das muitas comemorações do local que serve como morada gremista há quase 58 anos. (Zero Hora, 29 de março de 2008)



O arquiteto gremista

Plínio Oliveira Almeida, 85 anos, pode ser considerado um dos pais do Olímpico. Do traço de sua mão direita surgiram há mais de 50 anos as linhas do estádio do Grêmio. Ajudado por dois colegas, ele ganhou o concurso em 1951 para o anteprojeto do estádio.

Formado pela primeira turma de Arquitetura da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Plínio bolou a casa gremista com base em referências estrangeiras. Em seu apartamento na Avenida Independência, o arquiteto lembra ter consultado publicações européias sobre estádios construídos no pós-guerra. Compilou dados e os juntou a um relatório detalhado da Bombonera, histórica casa do Boca Juniors em Buenos Aires.

- O Olímpico seguiu a tendência da época - diz.

Plínio, porém, deixou o clube antes da inauguração do estádio. Não chegou a tocar o próprio projeto, que sofreu pequenas modificações e ficou a cargo do engenheiro Armando Ballista, segundo colocado no concurso de 1951.

O arquiteto se afastou do Grêmio por desavenças, mas voltou mais tarde, na década de 70, e participou da ampliação. Ele conta ter mantido o máximo possível da harmonia do projeto original, coisa que pretendia repetir nos tempos atuais - receoso quanto à construção da Arena gremista, propôs melhorias no Olímpico que acabaram rejeitadas. (Zero Hora, 29 de março de 2008)

3 comentários:

Francisco Luz disse...

Duas perguntas:

- Tu sabe qual é o recorde de público na versão antiga do estádio?

- O que é tômbola?

André Kruse disse...

Pesquisando rapidamente, achei um recorde de público de 1955, em 13 de março, Seleção Gaúcha 1x1 Seleção Paulista, Pública 26.872 pagantes, Renda CR$ 780,935,00.

No mais o estádio teve sucessivas ampliações, teria que ver o recorde por cada período.

Tômbola, ao que parece, é uma espécie de loteria.

Silvio Lamb disse...

André, moro perto do Olímpico, meu pai é sócio remido, colaborou com tijolo e cimento na contrução do estádio e depois ainda trabalhou na obra que fechou o anel superior. Me emocionei ao ver as fotos no teu blog (que esta muito bom) e vou colocar algumas delas no meu blog (com o devido crédito, é claro). Um grande abraço e sucesso para você e para o teu blog. blog