domingo, novembro 02, 2008

1987 - Europa

29/07/1987 - GRÊMIO 2x1 Benfica – POR - Copa Philipps (Berna/Suíça)
31/07/1987 - GRÊMIO 2x1 Neuchatel Xamax – SUI - Copa Philipps (Berna/Suíça)

GRÊMIO: Mazarópi; Alfinete, Astengo, Luiz Eduardo e C
asemiro; China, João Antônio, Bonamigo e Cristovão; Jorge Veras e Lima (Gaúcho)
Técnico: Luiz Felipe Scolari


NEUCHATEL XAMAX: Gorminboeuf; Givens, Le
rban (Forestier), Thevenaz, Ryf, Stielike (Perret), Lei-Ravello, Mottiez, Sutter, Luthi, Haki

Gols: Cristovão (2), Lei-Ravello.



02/08/1987 - GRÊMIO 2x2 Sion – SUI
04/08/1987 - GRÊMIO 4x0 Svo Germaringen – ALE
08/08/1987 - GRÊMIO 0x0 Estrela Vermelha – IUG - Torneio De Goedendag
09/08/1987 - GRÊMIO 2x1 Club Brugge – BEL - Torneio De Goedendag
12/08/1987 - GRÊMIO 2x2 Real Antwerp – BEL
15/08/1987 - GRÊMIO 3x0 Liegeols – BEL
16/08/1987 - GRÊMIO 1x1 Pescara – ITA


O fato que marcou essa excursão foi uma acusação de estupro feita contra 4 jogadores do Grêmio em Berna, na Suíça. O fato é de algum conhecimento, os detalhes é que são esquecidos conforme a conveniência de quem relembra o fato.

Não quero aqui inocentar, muito menos condenar, nenhum dos jogadores. Tirem suas próprias conclusões

Abaixo matérias da Revista Veja e Revista Placar, da época do fato:


"Há de fato, circunstâncias contrárias à tese de estupro. No exame de corpo de delito a que Sandra se submeteu não se constataram marcas de violência. Sabe-se também que ela foi espontaneamente ao quarto dos jogadores e que teve relações sexuais anteriores aos fatos daquela quinta-feira. Apesar de sua denúncia, Sandra não demonstrou ter ficado traumatizada após o acontecimento. Pouco depois de deixar o apartamento 204, ela ainda esperou no hall do hotel que os atletas passassem a caminho do treino e no dia seguinte estava na entrada do vestiário" (Veja, 12 de agosto de 1987)


 



Depoimento de Claudio Dienstmann , que cobriu o caso para a RBS:

" Entre os principais fatos que noticiou, o jornalista destaca "O caso Sandra", acontecimento noticiado no mundo inteiro. Em 1987, o Grêmio fez uma excursão pela Europa. Após um dos jogos, uma fã do time, Sandra, de 13 anos tinha pedido autógrafo aos jogadores, que a levaram para um quarto de hotel. Cláudio conta que quatro jogadores do Grêmio "faturaram a menina e acabaram enjaulados".
Pela Zero Hora, o jornalista, que fala Alemão, foi à Suíça cobrir o acontecimento, acompanhado do fotógrafo Paulo Dias. Os jogadores estavam presos havia três dias. Os repórteres, logo ao chegarem no país, descobriram que o povo local não ia revelar de maneira nenhuma algum dado sobre o caso. "As notícias que saíam eram um negócio maluco: Jogadores de uma equipe de esportes do exterior estão presos sob acusação de relação com menor de idade. O que saía nos jornais era apenas uma nuvem, não citava nomes. Os acusados na Suíça nunca podem ter seu nome completo citado, as punições para quem fizer isso são imensas. Eu cheguei em um jornal para pedir informações e um cara escreveu num papelzinho 'Sandra'. Bom, isso eu já sabia, né? Mas eu tinha uma moeda de troca: informações sobre a seleção brasileira". O jornalista insistiu, dizendo para o repórter suíço que queria o nome completo, o endereço e o telefone da garota.
Criando uma forma para conseguir as informações, Cláudio ameaçou o suíço: "Tu podes me dar a informação e eu não vou dizer que foi contigo que consegui, ou, eu vou conseguir sozinho e publicar no Brasil que foi tu quem me destes". Então ele conseguiu o que procurava. Cláudio e o fotógrafo Paulo Dias foram à casa da menina. "O Paulo, maluco, queria fotografar a menina, mas não tinha como fazer isso na casa dela". Com grande dificuldade, o fotógrafo conseguiu uma imagem de Sandra, na saída de um colégio. Os jornalistas permaneceram mais dez dias na cidade e encontraram a garota em um jogo de futebol local. "O Paulo fotografou ela e uns minutos depois, 150 suíços correram atrás dele", diverte-se Cláudio relembrando". (Coletiva.net)


"Em 1987 houve aquele caso da menina na Suíça com quatro jogadores do Grêmio, que não cabe aqui dar os nomes, e é engraçado que eu acabei indo para à Suíça como mais ou menos uma atitude de força da RBS. Eu explico: o Grêmio estava jogando na Europa e não tinha nenhum jornalista acompanhando. Pegavam-se as informações por agências, por ligar, por telefone para os caras pegar. E aí deu o caso da Sandra. E a gente tá cobrindo lá, pegando informações com a delegação, com os advogados que o Grêmio logo contratou (que eram três advogados suíços na verdade). E aí o Cacalo, Luís Carlos Silveira Martins, que depois foi presidente do Grêmio, foi para lá também. Mas nós estávamos aqui, na retaguarda, ninguém ia para à Suíça para acompanhar, até porque não se sabia que isso ia ser uma ronha tão grande que os caras acabaram ficando presos durante 28 dias. Apenas para investigação e esclarecimento. Mas aí aconteceu uma coisa no campo jornalístico em Porto Alegre: tinha havido um fuga no presídio alguns dias antes e que tinha sido liderada por um cara chamado Carioca, que morava no Morro da Cruz. Era o Carioca, o Frida, enfim, alguns bandidões que acabaram ficando famosos. E o Correio do Povo deu uma lambada na Zero Hora porque uma repórter do Correio do Povo subiu no Morro da Cruz e entrevistou o Carioca. No dia em que isto aconteceu, a RBS, para dar o contraponto, resolveu mandar alguém para a Suíça. Só que foi uma coisa cercada por um aparente segredo, porque o Nilson Souza, que era o editor de esportes da Zero Hora, me ligou para a casa à noite, cheio de segredos: "Escuta, tu tem aquele documento?" Como eu já estava achando que a qualquer momento poderia ir, disse assim: "Ah, o passaporte...". (Nilson): "Não fala passaporte!". Então no outro dia eu cheguei no jornal, cheio de segredo lá. Tinha um quadro de avisos de viagens que o pessoal botava a giz na administração. Eu estava lá: "Claudio Dienstmann - Rio de Janeiro - Cobertura da reunião da CBF". Quer dizer, eu até ia pro Rio, mas do Rio ia para Berna, com o fotógrafo Paulo Dias. E o Cacalo já estava lá. Até no caminho para o aeroporto eu peguei uma carona com o Juremir, que é professor aqui da PUC. O Juremir estava fazendo uma cobertura lá no aeroporto, veio receber provavelmente algum escritor francês pós-pós-moderno, deve ser isso, e eu peguei uma carona. E ele perguntou: "Aonde é que tu vai?". (Claudio): "Tô indo, até tá no quadro de avisos lá, para o Rio de Janeiro numa cobertura da reunião da CBF". Só que segredo em jornal é o seguinte, né? Aí eu cheguei no aeroporto e estava o João Bosco Vaz, que na época trabalhava na RBSTV (TV Gaúcha ainda, se não me engano). Pisei dentro do saguão do aeroporto, ligaram as câmeras e o João Bosco Vaz chegou: "Escuta, como é que você vai pautar suas matérias em Berna?". Quer dizer, o mundo sabia. Mas estou contando a história por outra coisa. É que eu ia pela Zero Hora. E já estava mais ou menos consciente: "Pô, já que eu vou trabalhar para rádio e para TV, vou ter que ganhar alguma coisa a mais, esses 20% a mais". Mas aí chegou uma informação da diretoria da RBS avisando (que o Nelson Pacheco Sirotsky disse): "É pra tu fazer esses boletins aí e não te fresquear muito senão ele te bota no avião de volta". Aí a gente fez as coisas. E foi legal, a gente ficou lá até a soltura dos jogadores. E eu só me lembro que (acho que meu editor lá na TV não gostava muito de mim) ele (o editor) botou uma foto minha em cima do mapa da Suíça com a localização de Berna. A minha única grande participação na TV foi mediante uma foto. E me botaram com uma foto barbudo. Puxa vida, eu usei barba durante meio ano na minha vida! Mas mesmo assim eu acho que fiquei bastante impressionado. Embora fosse uma pessoa completamente diferente daquela que estava ali, eu comecei a ser reconhecido na rua. Mas isso durou uma semana só também, depois me recuperei." (Vozes do Rádio)

3 comentários:

Leonel disse...

O fato lembro bem, eu sempre acreditei na inocência dos atletas, foi defendido por Cacalo, que na época fez um brilhante trabalho.
O pior de tudo, foi que depois disso o Grêmio perdeu todo o cartaz que tinha na Europa enunca mais consegiu disputar aqueles torneios.

Swisser disse...

O Cacalo não defendeu ninguém, pois advogado brasileiro não pode atuar na Suiça. O Cacalo foi lá contratar um advogado local para realizar o trabalho. O resto é lenda, tanto na parte positivo quanto na negativa.

ronaldo martins disse...

eu me lembro do fato,na época.apenas uma coisa eu queria entender:como foi que os jogadores do grêmio conseguiram ser absolvidos?qual foi o argumento jurídico usado?
ronaldo martins.